quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Indicados ao SAG Awards 2012


O Screen Actors Guild (sindicato americano dos atores) acaba de anunciar os artistas indicados à sua 18ª edição. As indicações relativas a cinema não apresentam nenhuma grande novidade, mas vale destacar a confirmação de que a briga para o Oscar de melhor filme deverá ser especialmente acirrada entre o francês O Artista e o americano Os Descendentes. A disputa entre atrizes deve se restringir mesmo à trinca Glenn Close, Viola Davis e Meryl Streep; dentre os atores, George Clooney e Brad Pitt são os mais cotados – embora seja sentida a ausência de Michael Fassbender, premiado no Festival de Veneza e no British Independent Film Award por Shame. Já nas categorias televisivas, é uma grata surpresa ver Jessica Lange indicada pela ótima American Horror Story. Torço por ela e por essa nova e excelente série.

Os vencedores serão conhecidos no dia 29 de janeiro, em cerimônia transmitida pela TNT. Confiram abaixo os indicados:

CINEMA:

Melhor Elenco
O Artista
Os Descendentes
Meia-Noite em Paris
Missão Madrinha de Casamento
Histórias Cruzadas

Melhor Ator
Demian Bichir (A Better Life)
George Clooney (Os Descendentes)
Leonardo DiCaprio (J. Edgar)
Jean Dujardin (O Artista)
Brad Pitt (Moneyball)

Melhor Atriz
Glenn Close (Albert Nobbs)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Tilda Swinton (We Need to Talk About Kevin)
Michelle Williams (My Week With Marylin)

Melhor Ator Coadjuvante
Kenneth Branagh (My Week With Marylin)
Armie Hammer (J. Edgar)
Jonah Hill (Moneyball)
Nick Nolte (Warrior)
Christopher Plummer (Beginers)

Melhor Atriz Coadjuvante
Bérénice Bejo (O Artista)
Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)
Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

TV:

Melhor Elenco – Drama
Boardwalk Empire
Breaking Bad
Dexter
Game of Thrones
The Good Wife

Melhor Elenco – Comédia
30 Rock
The Big Bang Theory
Glee
Modern Family
The Office

Melhor Ator – Drama
Patrick J. Adams (Suits)
Steve Buscemi (Boardwalk Empire)
Kyle Chandler (Friday Night Lights)
Bryan Cranston (Breaking Bad)
Michael C. Hall (Dexter)

Melhor Atriz – Drama
Kathy Bates (Harry's Law)
Glenn Close (Damages)
Jessica Lange (American Horror Story)
Julianna Margulies (The Good Wife)
Kyra Sedgwick (The Closer)

Melhor Ator – Comédia
Alec Baldwin (30 Rock)
Ty Burrel (Modern Family)
Steve Carrel (The Office)
Jon Cryer (Two and a Half Men)
Eric Stonestreet (Modern Family)

Melhor Atriz – Comédia
Julie Bowen (Modern Family)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Tina Fey (30 Rock)
Sofia Vergara (Modern Family)
Betty White (Hot in Cleveland)

Melhor Ator em Minissérie ou Filme para a TV
Laurence Fishburne (Thurgood)
Paul Giamatti (Too Big to Fail)
Greg Kinnear (The Kenedys)
Guy Pierce (Mildred Pierce)
James Woods (Too Big to Fail)

Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV
Diane Lane (Cinema Verite)
Maggie Smith (Downtown Abbey)
Emily Watson (Appropriate Adult)
Betty White (Hallmark Hall of Fame: The Lost Valentine)
Kate Winslet (Mildred Pierce)

Melhor Elenco de Dublês
Dexter
Game of Thrones
Southland
Spartacus: God of the Arena
True Blood

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Triângulo Amoroso


O novo filme de Tom Tykwer se chama simplesmente “Drei”. Três. Um título simples para uma situação que nunca é: o triângulo amoroso. Hanna e Simon tem um relacionamento de 20 anos e vivem juntos em Berlim. Ultrapassaram a fase da paixão e quando Hanna encontra o simpático Adam, o caso extraconjugal parece inevitável. Só que Adam é um homem sexualmente livre e, por uma daquelas bizarras coincidências do destino, acaba conhecendo Simon e se envolvendo com ele também. Exibido no Festival de Veneza 2010.

Desde o explosivo Corra, Lola, Corra o diretor alemão não trazia algo tão interessante para as telas. Não tanto pelo tema ousado, mas justamente por uma razão contrária: a simplicidade com que a história é abordada, fazendo o espectador questionar se realmente é válida toda forma de amor. O triângulo amoroso é um triângulo perfeito, no qual o terceiro elemento traz equilíbrio para a relação. É muito madura a abordagem de Tykwer, que não faz julgamentos morais sobre os personagens, nem mesmo sobre Adam, que seria o mais polêmico dos três por sua extrema liberdade sexual. Uma cena emblemática é a conversa entre ele e Simon depois da transa, quando este fica preocupado em se classificar como sendo gay ou não e Adam lhe diz que “ o segredo é dar adeus ao determinismo biológico”.

É claro que lá pela metade do filme o espectador já sabe exatamente como se desenrolará toda a trama, mas antecipar isso parece ser uma opção consciente do roteiro, como que induzindo a plateia a chegar às mesmas conclusões que os personagens na tela. O que é mais válido, manter o orgulho e as convicções ou se entregar a um novo modelo de relacionamento em busca da felicidade?

Muitas pessoas vão se divertir com esse filme pelo inusitado das situações, embora não seja este o foco central. 3 não é um filme que pretende descobrir a pólvora, mas que atrai pela direção sóbria de Tywker, a naturalidade dos atores, a delicadeza estética e a abordagem sincera do roteiro, fazendo com que o resultado final seja bastante recompensador.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Rodrigo Santoro premiado em Cuba


Rodrigo Santoro foi premiado ontem no Festival de Cinema Latino-Americano de Havana como melhor ator pelo papel-título no filme Heleno, novo longa de José Henrique Fonseca. Santoro interpreta o mítico jogador de futebol Heleno de Freitas, famoso tanto por suas proezas em campo como por seu temperamento irascível. O filme estreará no Brasil no primeiro semestre de 2012.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Oooooh!


Ele já virou febre dentre o pessoal que assistiu a Gato de Botas: o gatinho assustado que não tem nada a ver com a história e só aparece para fazer "oooooh". Confiram a seleção de aparições do figurante mais famoso do momento:




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Noite de Ano Novo


Tomando como ponto central não uma trama específica, mas uma data – 31 de dezembro de 2011 –, o filme Noite de Ano Novo entrelaça as histórias de algumas dezenas de pessoas comuns que vivem em Nova Iorque, desse modo procurando enfocar pequenos contos de amor, perdão, esperança, descobertas, segundas chances e reencontros. O elenco estelar reúne desde astros consagrados como Robert DeNiro e Michelle Pfeiffer até estrelinhas emergentes como Abigail Breslin e Zac Efron, passando por nomes como Sarah Jessica Parker, Hilary Swank, Halle Berry, Ashton Kutcher, Josh Duhamel e até mesmo o cantor Jon Bon Jovi.

As muitas subtramas apresentadas não chegam a criar um vínculo muito forte com o espectador; seja pela rapidez com que são apresentadas, seja devido ao excesso de personagens. Uma mãe superprotetora que não enxerga que a filha adolescente cresceu; um astro pop tentando recuperar o amor da mulher que ele abandonou por pura insegurança; um solteiro mal-humorado preso em um elevador com uma desesperada backing vocal; um moribundo solitário que quer viver o suficiente para ver a bola da Times Square descer uma última vez; uma cinquentona que se enche de coragem e quer realizar suas resoluções todas naquele dia; dois casais que disputam o prêmio da maternidade para o primeiro bebê do ano... Ufa! Essas são algumas histórias que me vem à mente, com certeza não são todas.


Podemos dizer que, em meio a tantos nomes famosos, o filme Noite de Ano Novo tem de fato uma única grande estrela: Nova Iorque. Pegando carona no clima mágico do reveillon mais famoso do mundo, o da Times Square e sua bola luminosa que desce exatamente à meia-noite, o filme passeia por uma série de personagens comuns com seus pequenos conflitos, mas estes não chegam a causar grande comoção no espectador. A certa altura da trama, o melhor a ser desfrutado no filme fica bem claro: deixe o pessoal de carne e osso em segundo plano e aprecie o cenário. Com o apoio de uma trilha sonora bacaninha, a direção pouco criativa de Garry Marshall deixa para a grande maçã e seus não poucos encantos a tarefa de levar o filme nas costas. Podemos até mesmo dizer que Noite de Ano Novo é justamente como o reveillon: uma festa de ocasião, que distrai por um par de horas.

Um momento realmente inspirado? A impagável participação-relâmpago de Matthew Broderick. Prestem atenção ao nome do seu personagem. Outra curiosidade que deve chamar a atenção do cinéfilo é ver como Abigail Breslin – a eterna pequena miss sunshine – cresceu nos últimos anos.

A partir de amanhã nos cinemas. Três semanas antes do ano novo.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Gato de Botas



Semanas depois da passagem de Antonio Banderas e Salma Hayek pelo Rio de Janeiro, chega aos cinemas o motivo de tão ilustre visita: o longa-metragem Gato de Botas. Nesta nova animação da Dreamworks, ficamos conhecendo o passado cheio de amores e aventuras do bichano. Eu confesso que, a princípio, não estava muito convencida com a ideia de uma aventura-solo do personagem coadjuvante dos três últimos longas da série Shrek, mas não é que o gatão felpudo de enormes olhos verdes me conquistou com seu irresistível charme latino?

Criado em um orfanato mexicano, o gatinho valente ganhou suas famosas botas como símbolo de honra e bravura após provar seu valor e tornar-se o grande herói do pedaço. Mas a fama tem seus reveses e tanta notoriedade causou o ressentimento do melhor amigo, que envolveu o Gato numa falcatrua e sujou seu bom nome. Desse dia em diante, o Gato de Botas vira um renegado, um estranho sem nome, que deixa o vilarejo e parte em busca de aventuras. Até o dia em que reencontra seu antigo desafeto e tem a chance de ajustar as contas. Soa familiar? Com certeza, e a intenção é esta. O filme é recheado de citações cinematográficas, com referências que vão desde o próprio Zorro feito por Antonio Banderas até filmes como O Clube da Luta.

Numa acertada decisão, o diretor Chris Miller e a equipe de roteiristas se dispuseram a realizar um filme totalmente original e independente da franquia Shrek, tanto no que diz respeito à história como ao estilo de contá-la. Com um humor mais irônico do que escrachado que, aliás, tem tudo a ver com o personagem, e uma pegada bem latina – com direito a um duelo de paso doble e tudo – o filme aposta em um público mais adulto, inserindo pitadas de nonsense e personagens surrealistas, como, por exemplo, Humpty Alexander Dumpty, nada menos do que um ovo falante que foi criado no mesmo orfanato que o personagem-título (sim, isso mesmo, caros leitores). Outra participação divertida é a do gatinho assustado, que aparece sempre fazendo “oh!”.


No que diz respeito à técnica, o resultado também é muito feliz. O efeito 3D aplicado no filme é um dos melhores que eu vi recentemente, dando uma textura incrível à pelagem dos bichanos. Visualmente rico sem ser exibicionista, Gato de Botas é um ótimo exemplo de requinte técnico utilizado na medida exata.

E, por último, mas não menos importante: considerando que a Paramount vai disponibilizar ambas as versões, façam o possível para ver o filme legendado. Creiam-me: grande parte da graça reside na interpretação que Antonio Banderas dá ao personagem. O ator – também responsável pela versão em espanhol e italiano – é a alma por trás do Gato de Botas. Com todo respeito ao trabalho dos dubladores, dificilmente outra voz conseguirá alcançar aquela entonação única que passa, ao mesmo tempo, malícia, ironia, sedução e malandragem. E é justamente esse contraste de ver uma voz tão sexy naquela figura peluda e fofinha que torna o personagem tão divertido, afinal de contas, ele é não somente é um desenho animado como também um gato!

Resumindo, Gato de Botas foi uma ótima surpresa para esse final de ano. Resista se puder ao charme desse felino. Sexta nos cinemas.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cinema Italiano no Odeon


Boa notícia para os apreciadores do cinema italiano. Começa nesta sexta a já tradicional Settimana Venezia Cinema, que, em sua sétima edição, trará ao Odeon quatro filmes italianos que foram exibidos no Festival de Veneza e mais dois títulos que homenageiam os 150 anos da unificação do país. E a noite de abertura não poderia ser mais especial: o filme será Terraferma, o candidato de Itália ao Oscar 2012. A entrada é gratuita, mediante ingressos que serão distribuídos no local, e as sessões começam sempre às 20h30. Confiram abaixo a programação:

09/12 - Terraferma, de Emanuele Crialese 
10/12 - Noi Credevamo, de Mario Martone  
11/12 - Quando la Notte, de Cristina Comencini  
12/12 - L’Ultimo Terrestre, de Alfonso Pacinotti 
13/12 - Noi Credevamo, de Mario Martone 
14/12 - Il Villaggio di Cartone, de Ermanno Olmi  
15/12 - 1860, de Alessandro Blasetti

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Começa Temporada de Prêmios de Cinema

Foram anunciados esta semana os vencedores das primeiras premiações cinematográficas desta temporada: ontem foi divulgado o resultado do NYFCC (New York Film Critics Circle) e hoje, do The National Board of Review. No meio de duas listas com vencedores totalmente diferentes em quase todas as categorias, chama a atenção uma unanimidade: o iraniano A Separação como melhor filme estrangeiro. A curiosidade fica por conta de Tropa de Elite 2 (ou melhor, Elite Squad) ter sido um dos cinco finalistas do National Board.

Confiram a lista completa dos ganhadores:

O Artista

NYFCC
Melhor Filme – O Artista
Melhor Direção – Michel Hazanavicius (O Artista)
Melhor Roteiro – Steven Zaillian e Aaron Sorkin (Moneyball)
Melhor Atriz – Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Melhor Ator – Brad Pitt (Moneyball e Árvore da Vida)
Melhor Atriz Coadjuvante – Jessica Chastain (Árvore da Vida, Histórias Cruzadas e Take Shelter)
Melhor Ator Coadjuvante – Albert Brooks (Drive)
Melhor Fotografia – Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida)
Melhor Documentário – Cave of Forgotten Dreams
Melhor Filme Estrangeiro – A Separação
Melhor Primeiro Filme – J. C. Chandor (Margin Call)
Prêmio Especial – Raoul Ruiz

Hugo


The National Board of Review
Melhor Filme – Hugo
Melhor Direção – Martin Scorsese (Hugo)
Melhor Ator – George Clooney (Os Descendentes)
Melhor Atriz – Tilda Swinton (We Need to Talk About Kevin)
Melhor Ator Coadjuvante – Christopher Plummer (Beginners)
Melhor Atriz Coadjuvante – Shailene Woodley (Os Descendentes)
Melhor Roteiro Original – Will Reiser (50/50)
Melhor Roteiro Adaptado – Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (Os Descendentes)
Melhor Animação – Rango
Melhor Documentário – Paradise Lost 3: Purgatory
Melhor Filme Estrangeiro – A Separação
Melhor Atriz Revelação – Felicity Jones (Like Crazy) e Rooney Mara (The Girl with the Dragon Tattoo)
Diretor Revelação – J.C. Chandor (Margin Call)
Melhor Elenco – Histórias Cruzadas
Spotlight Award – Michael Fassbender (Um Método Perigoso, Jane Eyre, X-Men: Primeira Classe)
NBR Liberdade de Expressão – Crime After Crime
Prêmio Especial – Franquia Harry Potter (pela notável adaptação dos livros para os filmes)

Um Dia


A vida parece fácil de ser compreendida quando assistimos a algumas comédias românticas. Um casal espirituoso vai se conhecer, sentir atração, se desentender, aprender lições e se acertar no final. Mudam as variáveis, mas o resultado é sempre parecido. Felizes para sempre. Reconfortante, não? O público sai do cinema satisfeito, com a gostosa sensação de que, cedo ou tarde, aquela equação se aplicará também à sua vida. Um Dia não é uma dessas comédias românticas. Que fique avisado o espectador. Mas que fique avisado também que aqueles que ousarem sair dessa zona de conforto serão recompensados por um filme muito sensível e romântico sim, porém verdadeiro. Ou seja, sem garantias indefectíveis.

Dexter e Emma se conheceram na noite de 15 de julho de 1988. Imediatamente tornaram-se cúmplices, numa amizade que logo se solidificou. Com o passar dos anos, os dois quase namoraram várias vezes, ficaram ocasionalmente e viveram as duas décadas seguintes se encontrando e desencontrando, mas sempre mantendo um vínculo muito forte entre eles. Emma sempre foi visivelmente apaixonada por Dexter enquanto ele, apesar de corresponder aos seus sentimentos, sempre punha uma barreira no caminho e travestia a paixão em amizade. Conveniente, pois, dessa forma, poderia estar sempre junto a ela sem precisar assumir um relacionamento.

O filme narra a vida desses dois personagens tomando o dia 15 de julho como parâmetro, então a cada ano também o espectador se reencontra com Dexter e Emma e acompanha os novos rumos em suas vidas. Dexter, a princípio, parece mais bem-resolvido: melhor vida, melhor emprego, maior facilidade com o sexo oposto, mas não tardamos a perceber que todas as suas conquistas lhe fazem mais mal do que bem e que Emma, mesmo demorando um pouco mais a se encontrar, é quem dará seus passos mais segurança e equilíbrio. De uma forma ou de outra, a certeza que temos ao longo de todo o filme é a de que os protagonistas não são opostos, mas complementares. Que fazem todo o sentido juntos. Não da forma mágica e predestinada dos contos de fadas, mas ligados por um vínculo mais verdadeiro e sutil.


No momento em que sente sua vida desabar, Dexter telefona a Emma e diz “Eu preciso falar com alguém. Não, eu preciso falar com você.” Já Emma, quando se decepciona com ele, sentencia “Dex, eu te amo e provavelmente sempre vou amar. Mas no momento não gosto de você”. Os personagens são tão “gente como a gente” e possuem fraquezas tão facilmente reconhecíveis que poderão até irritar um pouco o espectador, seja na falta de autoconfiança que mina algumas atitudes de Emma ou no excesso da mesma que impulsiona Dexter a reações pouco simpáticas. Somando-se isso à cumplicidade que Jim Sturgess e Anne Hathaway demonstram em cena e à direção segura de Lone Scherfig (do ótimo Educação), o resultado é um filme que certamente fará o espectador pensar sobre suas próprias decisões. E talvez a lição mais válida em toda a trama seja a de que a vida, assim como o mundo, dá voltas. E que todos temos um 15 de julho fatídico em nossas vidas.

Amanhã nos cinemas.


Os Nomes do Amor


Esta deliciosa comédia inicia mostrando seus dois protagonistas crescendo em separado, com direito a divertidas sobreposições onde o personagem jovem interage com sua versão mais velha. Ela é Bahia, jovem parisiense de origem muçulmana – muitas vezes tomada por brasileira devido ao nome – e ardorosa esquerdista. Seu engajamento chega ao ponto dela praticar a original técnica de levar reacionários para a cama e, desse modo, convertê-los à sua causa.  Ele é Arthur, um homem maduro e tímido, marcado por uma infância cheia de tabus quanto à origem judaica da família. Arthur não é de direita, e Bahia parece genuinamente interessada nele – embora não saiba explicar o porquê.

Os Nomes do Amor é aquele tipo de longa que conquista pelo conjunto da obra: um argumento interessante convertido em um bom roteiro, personagens simpáticos interpretados por atores carismáticos, um visual bacana a serviço de uma história plena de bom humor, romance e originalidade. Os diálogos são ótimos e dinâmicos, sempre pontuados pela oposição política de ideias, e os atores Sara Forestier e Jacques Gamblin tem excelente química em cena, fazendo com que a plateia torça por esse casal tão diferente. Resumindo: é um filme que, mesmo não podendo ser considerado uma obra-prima, tem tudo no seu devido lugar. E isso não é pouca coisa, palmas para o diretor e roteirista Michel Leclerc.

O filme, selecionado para a Semana da Crítica do Festival de Cannes, arrebatou dois Cesar em sua terra natal (melhor atriz e melhor roteiro original). Vale muito a pena conferir.