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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pacto de Sangue: a essência do film noir faz 70 anos



O termo film noir foi utilizado pela primeira vez em 1946 por um crítico chamado Nino Frank. Antes disso, alguns cineastas realizaram filmes do estilo sem que ele assim fosse nomeado. Quando pensamos no exemplar mais marcante deste gênero que teve sua era de ouro no cinema americano das décadas de 40 e 50, o primeiro longa que vem à mente é Pacto de Sangue. Um dos primeiros filmes da carreira de Billy Wilder, Pacto de Sangue pode ser considerado a própria essência do noir.

Vejamos as principais características do estilo: atmosfera pessimista, fotografia escura e estética influenciada pela angulosidade dramática do expressionismo alemão. Confere. No lugar do herói sem mácula, um homem comum de moral duvidosa. Em vez da mocinha voluntariosa, a mulher fatal cínica e ambiciosa que talvez, no final das contas, ame o protagonista. Confere. Diálogos espertíssimos e cheios de duplo sentido, onde conversas corriqueiras ganham forte conotação sexual. Confere. Essas são apenas algumas das características que foram criadas por esse filme em 1944 e continuam sendo copiadas mundo afora setenta anos depois.

Logo na cena de abertura, numa ousadia semelhante à que o diretor cometeria anos depois em Crepúsculo dos Deuses, o próprio protagonista resume para o espectador o desfecho da trama. Em vez da voz em off, ele faz sua confissão para um ditafone, de corpo presente na tela. A gravação é endereçada a seu chefe e amigo Barton Keyes: ele, Walter Neff, agente de seguros até então sem manchas na reputação, matara um homem:

“Sim, eu o matei. Matei por dinheiro. E por uma mulher. Não consegui o dinheiro nem a mulher. Bonito, não?”

Podemos dizer que o restante do filme é um longo flashback. Numa tarde ensolarada na Califórnia, Neff bate à porta do Sr Dietrichson para tentar renovar uma apólice de seguro prestes a vencer. Quando Phyllis, a sra. Dietrichson, aparece no alto de uma escada, o espectador já pressente que Walter está irremediavelmente condenado. Como em todo bom film noir, o protagonista é esperto o suficiente para saber que está se metendo numa enrascada e fraco o suficiente para, ainda assim, se deixar enredar nela.


“ - Você quer que ele tenha a apólice sem saber disso. E sem que a seguradora saiba que ele não sabe. É uma cilada, não?
- Há algo errado com isso?
- Não, acho adorável.”

Seduzido não apenas por Phyllis mas também por um certo orgulho intelectual que o faz se julgar capaz de cometer um crime perfeito debaixo das barbas de Keyes, seu eficiente e intuitivo supervisor, Walter Neff arquiteta um intrincado esquema para que o assassinato do Sr Dietrichson pareça um acidente: na noite em que ele vai fazer uma viagem de trem, matam-no a caminho da estação. Depois Walter embarca no trem e, evitando fazer contato visual com quem quer seja, passa-se por Dietrichson. O passo seguinte é pular do trem no ponto em que combinara com Phyllis, retirarem o cadáver do carro e jogá-lo nos trilhos do trem. Definitivamente, um acidente. E tendo acontecido em um trem, tal fatalidade daria à beneficiária do seguro uma indenização dupla (double indemnity, como no título original) graças a uma cláusula que a seguradora usa como chamariz, cobrindo em dobro situações que raramente acontecem.

Engenhoso? Sim. Perfeito? Em teoria. A polícia dá-se por satisfeita, mas não Keyes. E é como diz o velho ditado, quem procura acha. E, de tanto pensar, um dia ele deduz passo a passo todo o plano (mais ou menos como faz aquele policial no final de Match Point, de Woody Allen). A única coisa que Keyes não consegue deduzir, e nunca conseguiria sozinho, é a identidade do cúmplice de Phyllis. Não por inépcia e sim por sua objetividade estar obliterada pelo afeto que sente por Walter. O próprio Walter parece temer menos a polícia e seu destino do que a decepção que inevitavelmente causará a Keyes. Interessante notar que a relação de amizade entre os dois homens é o único sentimento verdadeiro e inequívoco da história.

A fotografia excepcional de John Seitz, que criou toda uma gama de texturas e nuances para a penumbra opressiva na qual vive mergulhada a casa dos Dietrichson, tem um apelo fundamental para a trama. As imagens por si só contam uma história. Mesmo o espectador mais desatento não pode deixar de se maravilhar com as tomadas que mostram os personagens perpassados pelas faixas de sombra e luz das persianas. Simplesmente genial. Outro ponto interessante é o fato da trama ser ambientada na Califórnia, o que faz um contraste bem significativo entre a luminosidade exterior e a atmosfera sombria dentro da casa dos Dietrichson. Intenções que a intensa e dramática trilha sonora de Miklós Rózsa ajuda a sublinhar com perfeição.


Baseado numa das histórias do livro Three of a Kind, de James M. Cain, Double Indemnity foi adaptado para as telas pelo próprio Wilder em parceria com Raymond Chandler. Hoje em dia considerado não apenas um grande noir, mas um dos melhores filmes de todos os tempos, Pacto de Sangue foi um projeto recusado por muitos atores, que tinham medo de queimar seu prestígio interpretando um personagem amoral como Walter Neff. Também Barbara Stanwick tinha suas reservas em relação ao trabalho, mas não podia recusá-lo por estar sob contrato. O resultado é que essa excepcional trama de adultério, corrupção e assassinato foi indicada a sete Oscars, incluindo melhor filme e melhor atriz para Stanwick.

A atriz certamente ficou marcada (positivamente, é claro) por esse papel. Com seu penteado exótico e sua dissimulação à toda prova, Phyllis pode ser considerada a primeira femme fatale de Hollywood. Também acertada foi a escolha de Fred MacMurray, que faz um tipo essencialmente simpático a despeito das ações vis que comete. Completando o trio, Edward G Robinson é brilhante em cada cena com sua verve irônica e sua metralhadora giratória de sarcasmo.

Coroando tantos acertos felizes, pode-se dizer que Pacto de Sangue não seria o filmaço que vem assombrando gerações se não fosse capitaneado por um gênio da estatura de Billy Wilder, que transformou os maiores percalços em qualidades. Wilder conseguiu realizar um filme totalmente calcado em assassinato e adultério sem mostrar nenhum dos dois na tela. Hollywood vivia uma época de auto-censura e o Código Hays não permitia que “certas coisas” fossem mostradas. Sugeridas, sim. Nunca exibidas. Assim, o que vemos no momento em que Walter assassina Dietrichson é o rosto de Phyllis, mostrando um leve sinal de satisfação. O que, convenhamos, é muito mais instigante do que um estrangulamento explícito. Já a sugestão de sexo é a própria simplicidade: eles se beijam no sofá. Corte. Na próxima cena, estão sentados um em cada canto. Ela retoca a maquiagem, ele acende um cigarro.

E a cena final, perfeita, também foi uma alternativa ao desfecho original censurado. Depois de uma exibição-teste em que foi rejeitada (por ser excessivamente realista) a cena em que Walter Neff morria na câmara de gás, o cineasta opta por cortar a história no encontro de Neff e Keyes e com o magistral diálogo:

“- Sabe por que você não adivinhou, Keyes? Eu te digo. Porque o homem que você estava procurando estava muito próximo. Bem do outro lado da sua mesa.
- Estava mais perto do que isso, Walter.
- Eu te amo também.”

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

HBO divulga trailer da quarta temporada de Game of Thrones


Game of Thrones segue como uma das séries mais vistas e comentadas da TV, não somente por suas aventuras medievais empolgantes, mas também pelo modo como George R. R. Martin, autor dos livros que lhe deram origem (As Crônicas de Gelo e Fogo), sacrifica impiedosamente diversos personagens centrais da trama. A quarta temporada do seriado começa só no dia 6 de abril (estreia simultânea nos EUA e aqui no Brasil), mas a HBO já divulgou o primeiro trailer. Acabará nesta temporada a tirania do rei Joffrey? Danaerys conquistará o trono? Que rumo tomará a família Stark depois de parcialmente dizimada? Confiram o trailer que, claro, não responde a nenhuma dessas questões:


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

American Horror Story vai ao circo em 2014


A terceira temporada ainda está pela metade, mas já estão circulando pela rede algumas imagens sobre o tema da quarta temporada de American Horror Story. Depois de lidar com casas mal-assombradas, hospitais psiquiátricos, alienígenas e bruxaria, parece que a série em 2014 mergulhará no universo das aberrações de circo. Aguardemos mais detalhes!



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Melhores de 2013


O Artes & Subversão encerra as atividades de 2013 com a lista dos 10 filmes mais bacanas (nossa opinião, ninguém é obrigado a concordar) que passaram pelas telonas brasileiras neste ano tão rico para a sétima arte. Apesar de ter sido feita uma lista com os destaques do primeiro semestre, o segundo foi tão mais intenso que a solução foi "zerar" tudo e partir para uma nova classificação. Sem mais ressalvas, ei-los:

1 - A Grande Beleza (La Grande Bellezza, Itália)
2 - Antes da Meia-Noite (Before Midnight, EUA)
3 - Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d'Adele, Chapitre 1 & 2, França)
4 - Gravidade (Gravity, EUA)
5 - Blue Jasmine (idem, EUA)
6 - Salvo (idem, Itália)
7 - Um Estranho no Lago (L'Inconnu du Lac, França)
8 - César Deve Morrer (Cesare Deve Morire, Itália)
9 - A Caça (Jagten, Dinamarca)
10 - Invocação do Mal (The Conjuring, EUA)

Voltamos com novidades no início de janeiro. Até lá!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Sharknado estreia na TV paga


O canal pago SyFy exibe no próximo 22 de novembro às 21h o trash-sensação Sharknado. O filme, que mostra Los Angeles atingida por um tornado de tubarões por conta de um desastre ecológico, vinha causando frisson nas redes sociais graças a seu argumento surreal. Nos Estados Unidos, a audiência de 1,5 milhões de telespectadores garantiu a aprovação de uma sequência para 2014. Desta vez, os tubarões atacarão a cidade de Nova York.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Elementary


Eis uma série que tinha tudo para dar errado e aos poucos se firmou como um entretenimento bastante eficiente. Elementary, uma versão moderna dos casos de Sherlock Holmes, estreou ano passado com a desvantagem de ter sido precedida pela excelente minissérie da BBC (Sherlock, que estreou em 2010 e apresentou duas temporadas de três episódios cada). Além do mais, parecia pouco consistente trazer para Nova Iorque um Sherlock recém-saído de uma clínica de reabilitação monitorado por uma doutora Joan Watson de feições orientais. Liberdades com o personagem já foram tomadas muitas vezes nos últimos anos, mas a coisa simplesmente parecia ter passado da conta dessa vez. Mas a verdade é que, vencida a desconfiança inicial, Elementary funciona muito bem.

O Sherlock Holmes de Elementary é falastrão, egocêntrico e com uma mente aguçada que é diametralmente oposta à sua falência total no campo pessoal. A abordagem proposta por Jonny Lee Miller faz com que o espectador se irrite com o personagem em um primeiro momento, mas em pouco tempo se afeiçoe às suas esquisitices. Já a Watson de Lucy Liu é ponderada e equilibrada, porém muito sagaz. Antes de trabalhar com reabilitação, era uma cirurgiã e abandonou a medicina após cometer um erro fatal – é interessante que a personagem tenha conflitos próprios que vão além dos casos que investiga com Sherlock.

A boa química entre Jonny Lee Miller e Lucy Liu flui sem que haja um desnecessário apelo para a tensão sexual – o que não impede o espectador de se perguntar sobre possíveis desdobramentos nesse sentido. A adaptação dos casos é feita de modo bastante coerente, dando vida própria às novas versões dos personagens e criando correspondências interessantes. Enfim, vale conferir a primeira temporada da série. A segunda está no ar desde a semana passada e pode ser vista toda quinta à noite no Universal Channel. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Smash – Primeira Temporada


Talvez seja um pouco fora de timing falar sobre uma série que não terá sua terceira temporada, mas o que seria de nós sem os DVDs? A verdade é que a quantidade imensa de novidades com que a TV americana nos brinda anualmente faz com que algumas boas séries sejam deixadas de lado. No caso desta, houve ainda uma comparação injusta com a pavorosa Glee. Mas basta assistir ao primeiro episódio para entender que Smash não tem absolutamente nada a ver com ela. É uma série com números musicais sim, mas as semelhanças param por aí. Smash tem uma boa história, personagens bem escritos e atores competentes no elenco.

Em primeiro lugar, embora se passe nos bastidores da produção de um musical da Broadway, Smash é mais uma visão incisiva do mundo do showbiz do que propriamente um musical. A série fala de ilusões, desilusões, traição, embriaguez do sucesso e outros percalços enquanto cada um dos personagens tenta realizar seu sonho. Tudo gira em torno de um musical sobre Marilyn Monroe, a começar pelo nascimento da ideia e passando por todas as dúvidas, acertos, problemas e conquistas que uma produção precisa passar antes de finalmente chegar à ribalta.


O grande acerto desta série é o fato da música e dança serem acessórias, ou seja, os números musicais são bacanas, mas não se sobrepõem à trama e ao drama dos personagens. Outro detalhe interessante é que as duas protagonistas que se enfrentam pela chance de viver Marilyn no teatro parecem dividir duas facetas diversas da diva. Ivy (Megan Hilty, que fez Wicked na Broadway) é uma veterana do teatro musical que luta para sair da situação de corista para finalmente se tornar uma estrela e representa a amargura de uma mulher que se colocou no papel de símbolo sexual e agora quer provar desesperadamente que tem muito mais a oferecer. Já a novata Karen representa a inocência e a inexperiência da garota vinda do interior, mas também um certo deslumbramento perante a possibilidade de fama. Estaria ela preparada para isso?

Também os personagens coadjuvantes são ricos: Eileen, a produtora, é uma mulher que precisa sair da sombra do ex-marido e ex-sócio e enfrenta a desconfiança de investidores que se sentiriam mais à vontade lidando com um homem; Julia, uma das compositoras, entra em crise criativa por conta da bagunça em sua vida pessoal; enquanto isso, seu parceiro Tom vive preocupado com os problemas dela e de sua família porque, desse modo, deixa de lado sua própria vida e sua dificuldade em estabelecer vínculos afetivos; Derek é um diretor com fama de implacável e usa todo aquele mau humor como couraça. Com tantos conflitos e personagens interessantes, acaba criando-se um estranho efeito colateral: em algumas passagens, os (ótimos) números musicais acabam sendo frustrantes, justamente porque interrompem o fluxo da trama.


O elenco é ótimo, com destaque para Debra Messing, Anjelica Houston e Megan Hilty, e os personagens são realmente tridimensionais, fazendo com que o espectador alterne bruscamente a visão que tem de cada um ao longo da temporada. Resumindo: ao menos nesta primeira temporada, Smash se revelou uma boa surpresa. Vale conferir!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

American Horror Story - teasers da terceira temporada


Embora a terceira temporada da série American Horror Story só comece em outubro, a produção já vem apavorando seus espectadores com teasers bizarros. Essa terceira temporada, que tem o subtítulo Coven, tratará do tema bruxaria e terá mais sequências externas – a primeira e a segunda se concentravam, respectivamente, em uma casa mal-assombrada e uma clínica psiquiátrica. Jessica Lange continua imbatível à frente do elenco, que ainda traz Evan Peters, Taissa Farmiga, Sarah Paulson e Lily Rabe. As novas aquisições na equipe são Kathy Bates e Gabourey Sidibe (a “Preciosa”). Confiram os teasers:





sábado, 20 de julho de 2013

The Walking Dead - trailer da 4ª temporada


Com um sucesso sempre crescente, vem aí uma nova temporada da série The Walking Dead. Esta quarta temporada estreia somente em outubro, mas o trailer bacana de mais de quatro minutos já está fazendo a alegria dos fãs. Confiram as primeiras imagens do retorno de Daryl, Rick, Michonne, Glen, Maggie e tantos outros que já fazem parte do imaginário popular. Reparem que o “governador” não aparece no trailer, o que parece indicar que o personagem estará na surdina aprontando seu retorno.


domingo, 23 de junho de 2013

Hannibal


Parece que os psicopatas são mesmo tendência em 2013, visto que duas séries de muito sucesso estão se debruçando sobre o passado de dois famosos assassinos da ficção. Enquanto Bates Motel está para fazer sua estreia aqui no Brasil, Hannibal está em seus episódios finais – vale dizer que ambas já tem suas segundas temporadas confirmadas.

Hannibal é baseada nos personagens do livro Dragão Vermelho, já levado para as telas em dois longas (em 1986 e 2002), e mostra o refinado canibal em uma época anterior àquela retratada em O Silêncio dos Inocentes, ou seja, ele goza de total liberdade e ainda trabalha como consultor do FBI. Conceituado psiquiatra, o Dr. Lecter tem acesso a todo tipo de informação privilegiada e se diverte desestabilizando o agente especial Will Graham com jogos mentais e muita manipulação.

A série trabalha na base do suspense invertido: enquanto todos os personagens desconhecem a real natureza do personagem, o espectador sabe exatamente quem ele é, o que ele faz e no que se tornará. Ao contrário de Bates Motel, que se mostrou excelente do primeiro ao último episódio, Hannibal apresentava alguns problemas a princípio. Os primeiros episódios se concentravam demais nos insights do agente Graham nas cenas de crime, utilizando efeitos especiais que pareciam meio em desacordo com o tom da história. Além do mais, Hugh Dancy não convencia e havia um evidente desnível entre seu desempenho acanhado e a interpretação soberba de Mads Mikkelsen como Hannibal Lecter – esse sim, grande destaque do começo ao fim.


Conforme a temporada foi passando, essas deficiências foram totalmente corrigidas. Quanto mais Hannibal Lecter mexia com a cabeça de Will, mais Hugh Dancy foi se apropriando do personagem e, desse modo, construindo uma atuação melhor. Também os roteiristas se aprimoraram, tornando a trama cada vez mais interessante, e a direção felizmente começou a dar mais ênfase à relação entre os protagonistas e menos à estética de um modo geral. Assim, Hannibal chegou a seu season finale bem mais instigante do que era no começo e terminou a temporada em grande estilo, deixando o espectador muito ansioso pela sequência dos acontecimentos. Prestem atenção na ótima sacada da última cena.

sábado, 22 de junho de 2013

Colegas


Está chegando ao mercado de DVD e Blu-Ray o simpaticíssimo Colegas, de Marcelo Galvão. O filme, que foi o vencedor do último Festival de Gramado, também foi considerado o melhor da 11ª edição do Brazilian Film Festival of New York, realizado há poucos dias.

Para quem não lembra, Colegas é aquele longa protagonizado por três atores com síndrome de down que desencadeou a campanha “Vem, Sean Penn” por conta da imensa admiração de um dos atores, Ariel Goldman, pelo astro norte-americano. Porém é preciso olhar para o filme além de suas particularidades, já que se trata de uma produção que tem seus próprios méritos cinematográficos.

Os protagonistas Stalone, Marcio e Aninha vivem em um instituto e, apaixonados por cinema, um dia resolvem botar o pé na estrada para viver suas próprias aventuras. Inspirados pela sede de liberdade de Thelma & Louise, eles roubam o Karmann-Ghia do jardineiro e partem em busca de seus desejos: Stalone quer ver o mar, Marcio quer voar e Aninha quer um marido. A viagem, que começa no interior de São Paulo e se estende até Buenos Aires, obviamente funciona como um rito de passagem que os leva a rever os próprios sonhos e descobrir novas possibilidades pelo caminho.

Um road movie povoado de situações divertidas e muitas citações cinematográficas, já que os protagonistas veem a vida como um grande filme de aventura. Somando esses elementos ao carisma e naturalidade dos atores (e digo isso sem nenhuma condescendência), temos como resultado essa delícia de filme. Vale muito a pena conferir.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Bates Motel chega ao Brasil


Antes tarde que nunca. A excelente série Bates Motel, que encerrou há pouco sua primeira temporada nos Estados Unidos e já tem a segunda confirmada, foi comprada pelo Universal Channel e faz sua estreia em terras brasileiras no dia 4 de julho. À frente do elenco, Vera Farmiga e Freddie Highmore.

Para saber mais sobre a série, clique aqui

domingo, 21 de abril de 2013

Bates Motel



Eu confesso que fico muito apreensiva quando alguém resolve mexer com um grande clássico, ainda mais no caso de Psicose – ainda estou traumatizada com o remake desastroso feito por Gus Van Sant em 1998. Por isso demorei um pouco a me inteirar de Bates Motel. Mas não há motivo para temor: a série não somente é muito boa como também tem identidade própria.

Bates Motel é focada na juventude de Norman Bates e sua sufocante relação com a mãe, Norma. O grande mérito da trama é nos apresentar Norman como um adolescente meigo e problemático, mas ainda totalmente dentro dos limites da sanidade mental. Aliás, na maior parte do tempo é a possessiva mãe que se sobressai como a louca da história.


Embora a trama seja atualizada para os dias de hoje, com direito a celulares e fones de ouvido, o design de produção cria uma aura atemporal, clássica, mantendo uma certa atmosfera de romantismo e decadência nos cenários da casa e do motel. Muito interessante também o acréscimo de mostrar um pouco sobre os habitantes da cidade e as tumultuadas relações entre eles, o que só reforça a ideia inicial de que Norman é um psicopata sim, mas o ambiente no qual foi criado e seu entorno não ajudaram nem um pouco.

Nos papéis de Norma, a mãe, e Norman, o filho, a sempre ótima Vera Farmiga e Freddie Highmore. É uma grata surpresa ver que o garotinho de Em Busca da Terra do Nunca e A Fantástica Fábrica de Chocolate cresceu em tamanho e talento, nos brindando com essa bela composição de um adolescente dividido entre desejos antagônicos. Seu Norman Bates é doce e charmoso, mas sempre deixa entrever uma centelha doentia e assustadora. Ou seria mero efeito de sugestão de nossas mentes, que já conhecem o que ele se tornaria no futuro?


Por essas e outras, Bates Motel é uma das séries mais festejadas do momento na TV americana. Assim como o filme original de Hitchcock, o seriado da A&E busca inspiração no livro Psycho, de Robert Bloch. Infelizmente, aqui no Brasil ainda não existe uma data para que a série chegue ao A&E ou a qualquer outro canal. Aguardemos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

The Following


Com uma pegada meio no estilo O Silêncio dos Inocentes, a nova série que vale conferir é esta The Following. James Purefoy é Joe Carroll, o psicopata charmoso e inteligente que atormenta a vida do policial decadente vivido por Kevin Bacon. Carroll, professor de literatura e admirador de Edgan Allan Poe, cria em torno de si uma legião de seguidores (ou followers) dispostos a tudo por seu mestre. Com o argumento "centenas de criminosos, uma única mente", o detalhe interessante da trama é a possibilidade de qualquer um ser um assecla de Carroll.

Vale a pena ficar de olho nesta novidade!

domingo, 1 de abril de 2012

Os eleitos de 2011

O perturbador Cisne Negro, de Darren Aronofsky: melhor filme de 2011

Alguns leitores escreveram atentando para o fato de que o A&S não listou os melhores filmes de 2011. Confesso e assumo o esquecimento. Sem mais delongas, segue uma relação dos filmes que mais chamaram a atenção no ano passado, sempre lembrando tratar-se de uma lista baseada em gosto pessoal e que o critério para considerar um filme como “de 2011” é a data em que o mesmo estreou nos cinemas brasileiros, independente do ano de produção.

1- Cisne Negro (Black Swan)
2- Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)
3- O Palhaço (idem)
4- A Falta Que Nos Move (idem)
5- A Pele Que Habito (La Piel Que Habito)
6- Balada do Amor e do Ódio (Ballada Triste de Trompeta)
7- Incêndios (Incendies)
8- Tudo Pelo Poder (The Ides of March)
9- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2)
10- X-Men – Primeira Classe (X-Men – First Class)

Romance, magia e encanto dão o tom de Meia-Noite em Paris, do mestre Woody Allen

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Dublê do Diabo


Todos nós já ouvimos falar que alguns ditadores se utilizavam de sósias, não apenas para estar em muitos lugares, mas também como forma de se proteger de atentados. Saddam Hussein não inventou esse truque, foi apenas mais um a se valer dele. O que não costumamos parar para pensar é o seguinte: quem é essa pessoa obrigada a deixar de existir para se tornar a sombra de outra? E vale lembrar que em tais regimes não existe a opção de simplesmente dizer “não, obrigado”. Exibido no último Festival do Rio, o filme O Dublê do Diabo acaba de ser lançado pela Califórnia Filmes diretamente em DVD. O filme conta a história do oficial do exército iraquiano que foi selecionado para se tornar o sósia de Uday Husseim, o filho mais velho de Saddam.

A primeira coisa que é preciso louvar nesse filme é a incrível interpretação de Dominic Cooper como Uday e seu sósia Latif. Quem poderia imaginar que o ator, que não tem absolutamente nada de expressivo no currículo, pudesse ser a escolha ideal? Não apenas ele diferencia muito bem os dois personagens, como também é perfeito quando interpreta Latif imitando Uday, criando desta maneira três níveis diferentes de atuação.

Também é muito interessante o dilema de não apenas se aniquilar para ser outra pessoa, mas de ser a face de alguém abominável. E precisar desempenhar bem tal função, sob pena de tortura. Tudo isso sendo um prisioneiro de luxo, alguém que vive em meio a festas, champanhe e caviar, mas não tem autorização nem para ver a própria família. Também é curioso que, sendo a cópia fiel da imagem do tirano, Latif acabe por, aos poucos, exercer algum poder sobre ele. Afinal, quem destruiria a si próprio? Tal simbiose certamente vai além do interesse político.

Os problemas do filme começam quando a criatura resolve se rebelar contra seu criador. Talvez por ser baseado nos relatos do próprio Latif, o roteiro acaba transformando-o numa espécie de super-herói indestrutível e sem mácula. Algumas sequências, em especial a da sua retirada estratégica da festa de aniversário, parecem tiradas dos filmes de James Bond. Teria algo a ver com o fato do diretor Lee Tamahori ser o mesmo de 007 – Um Novo Dia Para Morrer?

Como se não bastasse, nesse terço final o filme começa a deixar pontas soltas e inúmeras situações mal-explicadas. Como, por exemplo, o personagem estar em fuga em uma cena e na tomada seguinte já aparecer em outro lugar sem que tenhamos nenhuma explicação sobre como foi feita a façanha. Transformar o digno Latif em Rambo – com direito a olhar fatal e aproximação em câmera lenta e tudo – abalou a credibilidade de um filme que caminhava bem até então. Outro ponto fraco da trama é o envolvimento do protagonista com a amante de Uday, mas talvez a personagem Sarrab soe artificial apenas pelo fato de ser pessimamente interpretada por Ludivine Sagnier.

É um pouco difícil cotar esse filme, já que ele tem desníveis enormes em seus quesitos. Analisando a validade do tema e a surpreendentemente boa atuação de Dominic Cooper, era caso para aplaudi-lo entusiasticamente; já considerando o filme em si... nem tanto.Na média geral, certamente vale uma conferida.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cinema Verité


Como é bacana esse telefilme da HBO que mostra os bastidores da criação do primeiro reality show da televisão nos anos 70. O roteiro conta como a família Loud foi convencida pelo documentarista Craig Gilbert a se deixar filmar 24 horas por dia, seduzida pela ideia de que teriam a oportunidade única de mostrar ao mundo o quanto eram interessantes, inteligentes e originais. Assim nasceu Uma Família Americana, programa pioneiro em seu formato. O problema é que, apesar do sucesso de audiência estrondoso, a fama que atingiu os Loud não foi exatamente o tipo de notoriedade que eles almejavam. Manipulados e pressionados, os integrantes acabaram por se deixar enredar nas tramoias de Gilbert, sequioso em criar o maior número possível de desentendimentos para, desse modo, tornar seu produto mais vendável. Logo a família se vê exposta em todas as suas pequenas falhas, fraquezas e atos impensados e descobre estar sendo severamente julgada diante do olhar implacável da mídia. O elenco afinado, liderado por Diane Lane, Tim Robbins e James Gandolfini, está sob o comando dos diretores Shari Springer Berman e Robert Pulcini, que já haviam realizado há alguns anos o ótimo O Anti-Herói Americano (2003). Cinema Verité foi indicado a três Golden Globes: melhor filme feito para a TV, melhor atriz (Diane Lane) e melhor ator coadjuvante (Tim Robbins). Vale a pena conferir.

domingo, 27 de novembro de 2011

Tapas & Beijos


A melhor produção da Rede Globo em termos de seriado nos últimos anos é Tapas & Beijos. Enquanto séries mais tradicionais como A Grande Família dão sinais de cansaço (há várias temporadas, diga-se de passagem) e outras novidades cômicas como Macho Man não demonstram ter o mesmo alcance, as peripécias das amigas Fatima e Suely e o universo brega-chique em torno de uma loja de noivas em Copacabana continuam rendendo boas risadas a cada semana. O seriado lembra, e muito, as duas primeiras temporadas de Os Normais. A grande semelhança está no humor ligeiro, levemente anárquico, e também, é claro, na presença de Fernanda Torres. Sua parceria com Andréa Beltrão (cujo talento andava subaproveitado na já citada A Grande Família) é das mais acertadas da televisão brasileira e garantia de que o espectador verá, no mínimo, um jogo de cena de altíssimo nível. Mas, divas à parte, o elenco coadjuvante também é ótimo, com destaque para Vladimir Brichta e seu escorregadio Armane. Também a chegada de Fabio Assunção na série, como o proprietário da boate La Conga, rendeu frutos e deu novo gás à temporada. O episódio da última terça, no qual Fatima e Armane resolvem fazer um churrasco no motel e acabam botando fogo no estabelecimento, está entre os mais inspirados. Como não rir ao ver a nada sutil manchete de jornal popular “amante torrou a linguiça no motel”? Longa e próspera vida a Tapas & Beijos, e que a série continue tão bem-escrita e interpretada assim!

sábado, 26 de novembro de 2011

Silvio Muccino


Hoje eu quero falar de um sujeito lindo e talentoso que é muito pouco conhecido por aqui: Silvio Muccino. Irmão mais novo do cineasta Gabriele Muccino, Silvio estreou no cinema aos dezessete anos em um filme de Gabriele – o bonitinho Para Sempre na Minha Vida – e não somente como ator, mas também como co-roteirista. Depois disso, somente dois outros filmes seus chegaram aos nossos cinemas: O Último Beijo, onde foi novamente dirigido pelo irmão, e Manual do Amor. Mas Silvio vem trabalhando bastante e ampliando seu campo de ação: aos vinte e nove anos, é creditado em doze filmes como ator, seis como roteirista e dois como diretor.

A estreia atrás das câmeras aconteceu em 2008, com o promissor Parlami D’Amore. Além de dirigir e dividir a tela com Aitana Sánchez-Gijón, Silvio também escreveu o roteiro, que é baseado em seu próprio romance. O longa conta a história de Sasha, um rapaz de origem modesta e com compulsão pelo jogo que arrisca seu equilíbrio precariamente mantido por conta de uma paixão antiga, daquelas que cegam e não deixam o indivíduo enxergar que o objeto amado não vale a pena, enquanto outro amor mais sincero está ao seu lado sem que ele enxergue. Não é o argumento mais original do mundo, mas é desenvolvido com competência e segurança, resultando em um filme bastante agradável de ser assistido. Não estreou por aqui. Esperemos que tenha melhor distribuição seu filme mais recente, Un Altro Mondo. Este estreou somente na Itália, por enquanto (em dezembro do ano passado).

Fica a dica, vale a pena conhecer melhor este bel ragazzo.

Perfil de Silvio Muccino no IMDb: http://www.imdb.com/name/nm0610832/

Silvio (direita) aos dezessete anos em Para Sempre na Minha Vida

Com Aitana Sánchez-Gijón em Parlami D'Amore

domingo, 13 de novembro de 2011

Frase do Dia


“Isso aqui não é Wall Street! Aqui é o inferno, temos algo chamado integridade!”

(Crowley, o chefão do andar de baixo, no episódio 8 da sétima temporada de Supernatural)