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domingo, 6 de abril de 2014

Um papo com diretor e elenco de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho


Guardem esse nome: Daniel Ribeiro. O diretor paulista estreia seu primeiro longa-metragem já trazendo na bagagem dois prêmios no Festival de Berlim. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é a versão longa do curta de 2010 Eu Não Quero Voltar Sozinho, um verdadeiro fenômeno na internet que alcançou quase três milhões de visualizações no YouTube. Ambos os filmes contam a história de um adolescente cego e sua descoberta da sexualidade, despertada pela chegada de um novo colega na escola. O A&S participou de uma mesa-redonda com Daniel e com os três jovens que estrelam as duas versões da trama – Guilherme Lobo, Fabio Audi e Tess Amorim. Abrimos o debate com uma pergunta para Daniel ao estilo “o ovo ou a galinha”: afinal de contas, a intenção era fazer um longa desde o princípio ou a ideia teria surgido depois, com o sucesso do curta?

“Eu sempre quis fazer um longa-metragem, mas eu só tinha feito antes outro curta (Café com Leite, 2007). Então, até mesmo por questões de financiamento, eu achei que seria mais fácil experimentar o curta primeiro, mesmo porque eu queria trabalhar com atores jovens e não teria nenhum nome famoso no elenco.”

Sobre a premiação em Berlim (o filme venceu os prêmios FIPRESCI e Teddy), Daniel confessa que a equipe partiu para o Festival sem grandes expectativas, pois já estavam todos felizes pelo simples fato do filme ter sido selecionado para um festival tão importante: “Foi uma grande surpresa, mas com a gente as coisas têm acontecido assim, um passinho de cada vez. Claro que, depois de Berlim, muita gente se interessou pelo filme e isso facilitou o lançamento”.

Um ponto que chama a atenção é a extrema sensibilidade com que a história trata a descoberta da homossexualidade. O diretor explica que quis mostrar um romance entre dois meninos com o máximo de naturalidade e evitar o modo exótico como personagens gays vêm sendo retratados na dramaturgia nacional. “Não é que aquele tipo de personagem também não exista, mas as pessoas não são somente de um jeito. A mesma coisa acontece com os cegos. Não existe regra, cada um lida com a sexualidade ou com a deficiência visual de modo diverso, então isso deu muita liberdade ao filme.”

Da esquerda para a direita: Fabio Audi, Guilherme Lobo, Daniel Ribeiro e Tess Amorim

Perguntados sobre eventuais preconceitos que teriam sofrido, os jovens atores afirmaram que isso não aconteceu. “Até minha avó, que é conservadora e de outra época, veio me dizer que achou bonito e delicado”, brincou Fabio. “Acho que o tema ser tratado de forma tão delicada cativou muito as pessoas, a delicadeza ajuda a combater o preconceito”, completou Tess.

Ao lado das descobertas sexuais e dos dramas próprios da adolescência, também a deficiência visual é abordada na trama de modo naturalista. Guilherme Lobo, que interpreta o personagem cego, contou que, já na época do curta, aprendeu a ler em braille e que só precisou retomar a técnica para o longa. Já o olhar vago que ele utiliza no filme nasceu de uma criação totalmente sua. No que Daniel acrescentou: “Inclusive ele chegou para o teste do curta com esse olhar já definido e eu achei ótimo, porque essa era uma questão que me preocupava muito a princípio. Logo de cara, estava resolvido o maior problema do filme”.  

Ainda sobre a abordagem suave mesmo dos conflitos, é Daniel Ribeiro quem conclui: “Claro que algumas cenas são um pouco idealizadas, afinal de contas é cinema. Mas eu acho que aquele é um mundo possível, mesmo que não seja tão preso ao real. No final das contas, acho que é isso que dá esperança às pessoas”.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho estreia em circuito nacional na próxima sexta-feira. Clique aqui para ler sobre o filme.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Bate-Papo com Marco Dutra e elenco de Quando Eu Era Vivo


Após a sessão de imprensa que aconteceu no Rio esta manhã, o diretor Marco Dutra e os atores Marat Descartes, Rony Koren, Kiko Bertholini, Tuna Duek e Gilda Nomacce conversaram com os jornalistas presentes. O elenco conta ainda com Antonio Fagundes e a cantora Sandy Leah, que não estavam presentes.

Um aspecto que tem chamado bastante atenção é o fato do livro que inspirou o filme (A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, de Lourenço Mutarelli) não ser originalmente uma história de terror. O cineasta ponderou que ao escrever o roteiro percebeu que as ferramentas do gênero seriam as ideais para transpor para as telas o livro, que ele definiu como “muito complexo e perturbador”. Sobre sua inclinação pessoal para o terror, Marco afirmou que gostaria muito de contribuir com o crescimento do cinema de gênero no Brasil:

“Eu adoro os filmes de gênero porque através deles a gente pode acessar pontos específicos e o terror, por ser muito alegórico, é uma grande ferramenta. E também porque isso ajuda a diversificar nosso cinema, a romper com essa ideia de que o cinema brasileiro é um gênero por si só. Você vai a uma locadora e vê os filmes separados em comédia, terror, drama, romance, etc. E aí tem uma prateleira de cinema nacional. Eu sempre achei estranho isso.”

Perguntado sobre suas referências, o cineasta afirmou que muitas vezes as utiliza de forma involuntária: “A gente sempre carrega para um filme nossa própria bagagem, então é complicado falar de referências”.Já o protagonista Marat Descartes conta ter ficado muito empolgado com o personagem e que ao ouvir a sinopse logo percebeu semelhanças entre o seu personagem e o de Jack Nicholson em O Iluminado:

“Eu pensei no Jack Torrance porque ele também sofre um processo de loucura que o deixa violento com as pessoas que ele supostamente deveria amar mais. Mas também não é que depois eu fiquei vendo o filme para imitar o Jack Nicholson. Foi só um ponto de partida.”

A essa altura se colocou a questão: é mais difícil fazer filme de terror ou suspense no Brasil? E por que seria assim, se o público brasileiro consome este tipo de produção? Marco não acha que seja um entrave específico do gênero e acredita que em termos de editais um filme de terror tenha tantas chances quanto qualquer outro:

“Fazer cinema é sempre difícil, seja qual for o estilo de filme. Pode até ser que para um investidor seja mais complicado apostar em um filme que trabalhe com elementos negativos, mas eu não acho que isso seja um impedimento. Tanto que eu consegui fazer dois filmes em um período relativamente curto.”

A boa notícia é que pelo menos em seus próximos longas-metragens o diretor não abandonará o terreno do sobrenatural:

“Eu quero fazer um musical um dia, mas meu próximo filme será sobre uma mulher que fica grávida de um lobisomem. Depois desse vou fazer um filme de vampiro, que é outro assunto que eu gosto.”

Conhecendo a originalidade de Marco, o espectador pode esperar vampiros e lobisomens bem diferentes dos que andam sendo lançados por Hollywood.


(Para ler o texto sobre o filme, clique aqui.)


A partir da esquerda: Kiko Bertholini, Gilda Nomacce, Marat Descartes, Marco Dutra, Rony Koren e Tuna Duek

O produtor Rodrigo Teixeira (à direita) juntou-se ao grupo na saída da sala

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Quatro perguntas para Claudio Giovannesi

O diretor e roteirista italiano Claudio Giovannesi veio ao Festival do Rio para divulgar Alì Tem Olhos Azuis. O filme, além de ter sido um sucesso em seu país natal, também venceu dois prêmios no Festival de Roma do ano passado: o prêmio especial do júri e o prêmio para novos diretores. Este é seu terceiro longa-metragem e o segundo de ficção. Alì Tem Olhos Azuis discute os conflitos de um adolescente nascido na Itália que não aceita ser criado de acordo com as tradições egípcias da família. Claudio esteve hoje no Estação Rio para acompanhar a exibição do filme e gentilmente conversou com o A&S antes de entrar na sala:

O seu protagonista quer ter uma namorada e viver como italiano, desde que a irmã continue sendo criada à moda dos muçulmanos. Como é essa contradição?

Mas é justamente neste tipo de contradição que eu quis basear a história. E o filme foi realizado a partir de pessoas reais, tanto que os jovens que você viu não são atores profissionais. Eles têm os mesmos nomes dos personagens e trouxeram para esse trabalho suas próprias experiências e sentimentos.

Mas havia um roteiro ou ele foi sendo construído durante as filmagens?

Havia um roteiro, mas o filme foi sempre desenvolvido com a colaboração deles. Essa segunda geração de imigrantes vive muito intensamente esse conflito porque eles possuem duas culturas: a da família e a do país onde vivem. E isso me interessa muito, tanto que anteriormente eu tinha feito um documentário chamado Fratelli d’Italia que pegava como exemplo três adolescentes – um romeno, um egípcio e um bielorrusso – para falar dessa nova Itália.

Em sua opinião, as raízes familiares acabam sendo mais fortes?

Não, nem sempre. Existe uma grande influência dos dois lados, mesmo porque a adolescência é uma época de transformação e busca pela identidade. O protagonista tem os costumes familiares enraizados nele, mas também todo o apelo de uma sociedade consumista e até mesmo a questão das amizades perigosas.

Depois do sucesso desse filme e dos prêmios no Festival de Roma, já há um novo projeto em andamento?

Sim, há. Novamente estou desenvolvendo um filme que tem o universo jovem como tema. Dessa vez é a história de uma adolescente italiana que vai parar na prisão. 



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Papo rápido com Paolo Sorrentino


Paolo Sorrentino compareceu ontem à première de A Grande Beleza, filme que é o candidato da Itália ao próximo Oscar e uma das atrações mais festejadas do Festival do Rio. O cineasta, porém, não está na cidade somente para divulgar o filme, mas também para rodar um dos episódios do longa-metragem Rio, Eu Te Amo. Antes de seguir para a sala de exibição, Sorrentino posou para algumas fotos e respondeu a algumas perguntas da imprensa. Confiram a entrevista. As fotos são de André Moreira.

Em A Grande Beleza os personagens parecem amar e odiar Roma ao mesmo tempo, como se fosse perigoso permanecer lá tempo demais. Perguntei se ele (que é napolitano) compartilhava desse sentimento.

“Acho que esse é um sentimento controverso e que todas as pessoas em todas as grandes cidades do mundo podem entender. Toda metrópole tem atrações e problemas. Mas para mim, em particular, é fácil viver em Roma e eu realmente amo a cidade, com todos os seus encantos e defeitos.”

Sobre o fato de seu filme ser o concorrente italiano para a categoria filme estrangeiro do Oscar, o cineasta se disse feliz e honrado por A Grande Beleza ter sido escolhido para representar o país, mas ressaltou:

“Para nós, europeus, o Oscar é uma premiação que sempre parece um pouco distante”.

Quanto à atmosfera de sonho e decadência da sociedade romana que permeia todo o filme, Sorrentino pontuou que, embora alguns personagens tenham sido de fato inspirados em pessoas reais (como a artista que fala de si mesmo na terceira pessoa), a ideia era fazer um painel de Roma e sua fauna noturna como um todo.

“É uma mistura de sonho com realidade. O filme foi pensado assim, porque Roma pode ser uma cidade dos sonhos, com suas belezas e sensações, mas também com algo de falso, por isso essa atmosfera de sonho.”

Sobre a comparação recorrente que costuma ser feita entre o filme e A Doce Vida de Federico Fellini, o cineasta bateu o martelo:

“Sim, é verdade que os dois filmes falam do mesmo tema, mas têm estilos diferentes”.

A respeito do filme que está realizando aqui na cidade (e que conta com outros nove diretores), disse:

“O convite surgiu de um dos produtores, que me falou sobre o filme e perguntou se eu estaria interessado em participar. Meu episódio fala sobre um casal de turistas americanos interpretados por Emily Mortimer e Basil Hoffman que está vivendo uma relação muito complicada. Eles se odeiam, vêm ao Rio e o marido resolve envolver a esposa em algo bastante perigoso” resumiu.

As filmagens estão acontecendo em uma praia no Grumari, o que provocou um atraso na agenda do cineasta, que era esperado no cinema para apresentar o filme antes de sua projeção, mas só pode encontrar-se com o público ao término dela. 



sábado, 28 de setembro de 2013

Entrevista com os diretores de Salvo

Antonio Piazza (à esquerda) e Fabio Grassadonia (à direita) posam diante do cartaz de Salvo

Os sicilianos Antonio Piazza e Fabio Grassadonia estão com tudo: já no primeiro longa como diretores, voltaram do último Festival de Cannes com o Grande Prêmio da Crítica. Agora eles estão no Festival do Rio e concederam essa entrevista exclusiva onde falam sobre o processo de realização do filme, suas influências e, como bons italianos, um pouco de política e crítica social também. Salvo é uma história de vingança e redenção que se passa em um bairro de Palermo dominado pela máfia. Confiram:

Há algum tempo, li uma entrevista onde vocês falavam das dificuldades para realizar esse filme. Como a vida de vocês mudou depois de um prêmio em Cannes?

Nós gostamos de dizer que a vida do filme mudou. Quando fomos a Cannes não tínhamos um distribuidor na Itália e, se esse prêmio não tivesse vindo, talvez o filme nem estreasse no nosso país. Você sabia que um distribuidor brasileiro comprou o filme logo que chegamos lá? Os italianos só compraram depois que fomos premiados.

Salvo não é uma história de máfia como as outras. Há muito mais solidão do que violência na tela. Os criminosos são todos muito tristes. Na visão de vocês, a máfia siciliana está destinada a ter um fim triste? É uma metáfora?

A máfia siciliana não é mais imbatível como antes, perdeu muito de seu poder e influência. Essas organizações ainda são fortes em alguns lugares do país. Na Sicília, nem tanto. Hoje em dia, até mesmo a máfia anda em crise e nós queríamos mostrar esse ambiente sufocante, com personagens que buscam escapar de um lugar que parece desolado, longe do resto do mundo.

“Queríamos contar nossa história do ponto de vista dos dois protagonistas, já que eles possuem diferentes formas de cegueira: a dela, física; a dele, moral.” (Antonio Piazza) 

O filme parece ter muito da fotografia e da atmosfera do western. Você foram influenciados pelos clássicos do Sergio Leone?

Sim, tem essa referência, ainda que o cenário onde ele foi rodado não precise de muita coisa para se assemelhar ao do western, mas também fomos bastante influenciados pelo noir. Você pode reparar que no começo temos muitos planos fechados, em ambientes pequenos. A câmera se move em espaços confinados. Só depois os espaços se expandem, à medida que os dois protagonistas começam a desenvolver uma relação.

Antes de Salvo, você rodaram um curta sobre uma menina cega chamada Rita. Era já uma espécie de ensaio para Salvo?

Mais ou menos. Ela é cega e tem o mesmo nome, mas é uma história completamente diferente. Na verdade, já estávamos escrevendo o roteiro de Salvo naquela época e esse filme teve muita importância para entendermos melhor a questão da cegueira e de como representá-la em cena.

“Queríamos falar destes relacionamentos que são baseados na morte e na falta de liberdade” (Fabio Grassadonia)

Este foi o primeiro filme da Sara Serraiocco (atriz que interpreta a jovem cega), certo? Como vocês chegaram a ela?

Através de testes. Ela é completamente iniciante, nunca tinha feito nenhum tipo de trabalho como atriz, e nós estávamos buscando exatamente isso. Não queríamos que o espectador visse uma atriz conhecida e pensasse nela como “fazendo papel de cega”. Queríamos um rosto novo para dar mais credibilidade à cegueira da personagem. Sara fez uma preparação muito intensa, conviveu com pessoas cegas, andou vendada pela casa que serviria de locação para o filme, enfim, viveu como eles por meses. Ficamos felizes porque agora a Sara foi selecionada para a Scuola Nazionale di Cinema, em Roma.

Com o sucesso de Salvo, quais são os próximos projetos? Vocês podem adiantar alguma coisa?

Neste momento, nosso foco é continuar trabalhando na divulgação de Salvo. Ano que vem começaremos a pensar em um novo projeto. Temos várias ideias, mas ainda não sabemos a qual delas daremos prosseguimento. O que podemos adiantar é que será algo ambientado na Sicília, porque somos os dois originalmente de lá e achamos importante continuar falando da nossa região. Chegamos a um ponto em que não acreditamos mais em grandes mudanças na sociedade. Aliás, não acreditamos em melhoras, já que a mudança para pior sempre ocorre. Então a mudança deve ser individual, inclusive no filme o que podemos ver é que duas pessoas mudam enquanto todo o resto permanece igual.

Terminada a entrevista, Antonio e Fabio seguiram para a première do filme e ainda participaram de um debate com o público após a sessão.

Olha eu aí clicada pelo Wanderson Awlis enquanto os entrevistava na antesala do Estação Botafogo

Debatendo o filme com o público

sábado, 10 de agosto de 2013

Paolo Sorrentino fala sobre La Grande Bellezza


O cineasta Paolo Sorrentino (Il Divo, This Must Be the Place) concedeu à imprensa italiana essa interessante entrevista a respeito de seu filme mais recente, La Grande Bellezza. O filme, que esteve em competição no último festival de Cannes, já está em cartaz na Europa, mas ainda não tem uma data de estreia aqui no Brasil. Confiram a entrevista e acompanhem abaixo a tradução:



Jornalista – Qual foi o maior risco corrido com La Grande Bellezza: ser exagerado, presunçoso ou aquele que, a meu ver, é o risco mais interessante, que é o de ser sincero?

Paolo Sorrentino – Acho que todos os três: acredito que o risco seja de ser exagerado, presunçoso e também sincero. Os amigos me contam sobre reações violentas, tanto pelo lado positivo como negativo, então me parece que alguma forma de sinceridade deve haver; caso contrário, seriam inexplicáveis essas reações a um filme que fala de sentimentos e não de temas polêmicos. Quando fiz Il Divo esperava algum tipo de reação, mas não houve. Exceto por Pomicino (Paolo Pomicino, um dos políticos italianos retratados no filme), que fingiu se aborrecer, ninguém mais se chateou; neste, por incrível que pareça, tantos se chatearam, então deve ser um filme sincero, ao menos eu penso assim, outros podem achar que é uma falsidade, mas... sei lá. (...) Ele (o protagonista, o escritor Jep Gambardella) vê a normalidade como uma espécie de sonho indecifrável e quando se vê diante dela prova uma espécie de estupor arcaico. (...) Servillo (Toni Servillo, intérprete de Gambardella) é um ator notável, fantástico e, a meu ver, sempre surpreendente de formas novas; para mim, é muito fascinante trabalhar com ele porque há uma espécie de atmosfera familiar e confortável, mas não uma coisa de rotina porque ele sabe se reinventar.

Jornalista 
– Como nascem os seus personagens?

Paolo Sorrentino – Nascem como em um quebra-cabeça: se pode pegar pessoas reais e juntar duas ou três no mesmo personagem, outras coisas se inventa, se faz toda uma série de truques e estratagemas, tudo para chegar à tentativa de definir os contornos de um personagem.

Jornalista – Assim como Jep Gambardella, eu também tenho necessidade de saber o significado de conflitualidade entendida como vibração… ou o significado geral de vibração (acho que temos que ver o filme primeiro para entender essa pergunta).

Paolo Sorrentino – Isso você teria que perguntar à pessoa real que inspirou aquela entrevista, mas infelizmente não posso dizer quem é porque é alguém famoso. Não sei bem o que é uma vibração, portanto devo me abster de dizê-lo.

Jornalista – E então há Roma, que aqui é como uma bela mulher, misteriosa, fascinante, pela qual se sente muito atraído, mas de quem também se pode fugir...

Paolo Sorrentino – Esta é uma boa ideia, não tinha pensado em Roma como uma mulher… Bom, alguns fogem porque os homens claramente não entendem as mulheres, mas, no final das contas, eles ou ficam ou fogem, e alguns fogem, como o personagem de Verdone (Carlo Verdone).

Jornalista – A única coisa sobre Cannes que eu gostaria de perguntar é sobre a associação que foi feita com La Dolce Vita de Fellini, que, na verdade, não é tão doce assim em La Grande Bellezza: o que lhe aborreceu mais e o que lhe deu mais prazer quanto a isso? 

Paolo Sorrentino – Imagina. Qualquer referência, mesmo que vaga, a uma grande obra do cinema só me envaidece, desde que não se diga que eu quis fazer uma imitação, mas, como não creio que tenha sido dito nesse sentido, só posso ficar feliz. É muito simples, La Dolce Vita é uma obra-prima, um filme feito de modo feliz sob todos os aspectos; é um filme que pertence a um daqueles nomes que figura numa seletíssima lista de pessoas que faziam este trabalho em outro nível e, portanto, não pode haver realmente uma comparação. (...) Acho que era Carmelo Bene (ator, dramaturgo, diretor, escritor e poeta italiano) quem dizia "errando se ensina". Onde foi que eu errei? Bom, certamente devo ter cometido muitos erros, mas nesse aspecto eu tenho um bom temperamento porque os esqueço muito depressa.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

De Peter Pan a Norman Bates – Coletiva com Freddie Highmore


Conforme já noticiado aqui, o Universal Channel adquiriu o seriado Bates Motel. A trama, que é uma prequel de Psicose e mostra Norman Bates ainda adolescente, estreia no dia 4 de julho e a emissora trouxe ao Rio de Janeiro o protagonista Freddie Highmore para sua campanha de divulgação. Freddie ficou famoso ainda bem pequeno, depois de atuar ao lado de Johnny Depp nos filmes Em Busca da Terra do Nunca e A Fantástica Fábrica de Chocolate. De lá para cá, o garotinho fofo se transformou neste rapaz alto que encantou a todos pela simpatia e simplicidade na coletiva desta manhã no Hotel Fasano. Freddie disse estar muito contente por estar prestes a gravar a segunda temporada da série, principalmente por ver que o público se envolve com os personagens.

“É muito desafiador trabalhar com um final já conhecido, porque na maioria dos programas de TV as pessoas ainda não sabem o que vai acontecer. Mas as pessoas sempre terão esperança que de algo seja diferente do original.”

O ator disse ter lido o livro de Robert Bloch (Psycho, que serviu de inspiração para o roteiro do filme de Alfred Hitchcock) e também estudado um pouco a atuação de Anthony Perkins, em especial alguns tiques, mas que também se sente livre para reinventar o personagem à sua maneira. Perguntado sobre a transição dos personagens meigos que fez no passado para o de um psicopata tão icônico, declarou:

“Eu acho que esse é um dos motivos deles terem me convidado, assim as pessoas conseguem gostar dele apesar do que ele fez e ainda vai fazer. E é um desafio a mais na minha carreira.”


O ator não poupou elogios à atriz Vera Farmiga, que interpreta sua mãe em Bates Motel:

“Ela é brilhante, é fantástica e eu espero que isso não soe falso porque eu sempre uso muitos adjetivos para falar dela, mas é que ela é muito generosa e é sempre incrível trabalharmos juntos.”

Freddie também opinou sobre a comentada decisão de transpor a trama para os dias de hoje – o personagem tem até iPhone, como todo adolescente atual – mas, ao mesmo tempo, manter uma atmosfera retrô.

“Trazer para o presente tem a ver com buscar maior identificação do público, mas também é legal porque todo o clima dentro da casa permanece antigo e se separa um pouco desse mundo contemporâneo. Então acho que isso ajuda na criação do personagem, é como se ele vivesse em dois mundos.”

Com uma maturidade impressionante para seus 21 anos, Freddie disse que sua vida familiar e seus estudos sempre estiveram em primeiro plano e que se sente privilegiado por não ter crescido em Hollywood, o que faria com que a carreira fosse o único foco em sua vida. “Ao mesmo tempo, é bacana ser um estudante universitário (ele cursa Letras em Cambridge) e estar aqui no Rio de Janeiro divulgando a série”, concluiu.

Perguntado se deseja sempre ser lembrado pelo Norman Bates, a exemplo do que aconteceu com Anthony Perkins, Freddie tem sentimentos contraditórios:

“É engraçado... Claro que eu quero que lembrem de mim por esse personagem, mas o Norman é tão complexo e é tão difícil ficar marcado por alguém tão diferente de você. Mas eu quero que o seriado vá bem, faça sucesso. E o personagem é fantástico. Então, quero sim.”

Como não podia deixar de ser, o ator foi alvo das costumeiras perguntas sobre o Brasil, as mulheres brasileiras e o que conhecia do país, situação da qual se desembaraçou com bom humor, dizendo que cabia aos jornalistas dizer onde ele deveria ir para se divertir, já que ainda não conhecia a cidade. Brincalhão, disse que já que estava em Ipanema poderia procurar sua própria garota de Ipanema e que talvez voltasse ano que vem se a Inglaterra fosse finalista da Copa do Mundo.

Planos futuros? Filmar a segunda temporada da série e logo a seguir voltar para a universidade para se graduar. “Esses são os objetivos imediatos, mas nunca se sabe”, deixou no ar. Esperemos que os estudos não afastem o talentoso Freddie Highmore por muito tempo do cinema e da TV.




Fotos: Erika Liporaci

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Coletiva de Imprensa de Se Beber, Não Case – Parte III


Dando sequência ao evento de lançamento do filme Se Beber, Não Case – Parte III, aconteceu nesta quarta-feira (29) a coletiva de imprensa no Morro da Urca. Deveria ocorrer também uma sessão de fotos, mas a mesma foi cancelada de última hora. Outra alteração no programa foi a ausência do ator Zach Galifianakis, que interpreta o tresloucado Alan na trilogia. Segundo a assessoria, o ator não pode comparecer ao evento por ter medo de altura.

O credenciamento dos jornalistas ocorreu entre nove e dez horas da manhã, mas a coletiva propriamente dita só começou algumas horas depois. Aparentemente, porque o astro Bradley Cooper resolveu dar um mergulho na praia de Ipanema. Por volta de meio-dia e meia, finalmente o diretor Todd Phillips e os atores Bradley Cooper, Ed Helms, Justin Bartha, Ken Jeong e Heather Graham puderam começar a responder às perguntas dos presentes. A exemplo do ocorrido na première, Jeong e Graham foram os que se mostraram mais simpáticos.

Um dos fatores que causou mais estranheza em relação a este terceiro longa foi a decisão de mudar a estrutura da história e eliminar a ideia original, ou seja, os personagens acordarem de ressaca sem saber o que havia acontecido na noite anterior. Todd Phillips, que também é um dos roteiristas, disse que procurou fazer um retrospecto de tudo o que havia acontecido nos outros dois filmes para, desse modo, realizar um encerramento:

“Os dois primeiros filmes são praticamente iguais, e nós achamos engraçado que acontecesse a mesma coisa duas vezes com aquelas pessoas, mas agora a intenção era outra. É como se eles tivessem que pagar pelas loucuras que fizeram antes.” Perguntando sobre um quarto longa, Phillips descartou a possibilidade: “Para mim, esse realmente é o final, sobretudo porque a conclusão tem a ver com o Alan e com o crescimento dele. A gente se adora, mas não vai ter outro filme. Este é o final mesmo.”

Ken Jeong (o vilão cômico Mr. Chow) declarou-se muito feliz em ter sido chamado para participar deste filme, já que o seu personagem ganha bastante destaque na trama. O ator contou que era médico e abandonou a carreira há oito anos para se dedicar ao sonho de trabalhar como ator. “Para mim, é tudo ainda meio surreal”, concluiu. Jeong, sempre risonho e falante, ainda divertiu os jornalistas ao falar com a voz de Mr. Chow e contou que a esposa o ajudou a criar aquele sotaque exagerado e caricatural.

Bradley Cooper, de um modo geral contido e com ar alheio, só deixava as reservas de lado para louvar o diretor, o qual não parava de classificar como um dos melhores da atualidade. “O primeiro filme estabeleceu um padrão e a gente queria que ele se repetisse nos outros. A cada dia eu me sentia grato por estar ali”, elogiou. Cooper foi tão efusivo que Phillips pediu, entre risos, que ele repetisse o que havia dito em português porque queria ter certeza de que todos haviam entendido.

Ed Helms e Heather Graham elogiaram o espírito de equipe e o bom entrosamento do elenco. Helms revelou que as fotos que aparecem ao final dos dois primeiros filmes foram tiradas espontaneamente ao longo das filmagens, sempre que surgia um momento divertido ou uma inspiração. Outra curiosidade foi saber que o bebê Carlos, que é carregado para lá e para cá no primeiro filme e volta a aparecer neste, é interpretado pela mesma criança. Sobre o humor politicamente incorreto, Todd Phillips sentenciou:

“A gente nunca pensa se está sendo politicamente correto ou não, nossa intenção é que seja engraçado.”

Tempo regulamentar encerrado, todos se retiraram da sala sem possibilidade de perguntas adicionais ou fotos ilustrativas. Todd Phillips chegou a comentar durante a coletiva que estava feliz pela última etapa da campanha de divulgação do filme ter acontecido aqui no Rio, mas a impressão que ficou para os presentes não foi exatamente essa. Vale lembrar que não era permitido fotografar a coletiva e, com o cancelamento da sessão de fotos, somente as equipes de filmagem puderam captar imagens. Mesmo sem a famosa bebedeira amnésica em seu enredo, Se Beber, Não Case – Parte III acabou causando dor de cabeça.

Foto discreta do espaço da coletiva (ainda sem a presença dos astros, é claro) by Erika Liporaci

sábado, 25 de maio de 2013

Filme italiano vence prêmios da semana da crítica

Fabio Grassadonia e Antonio Piazza (Foto: La Repubblica)

Salvo, uma história sobre crimes, máfia, amor e fé rodada em Palermo e no interior da Sicília, foi o vencedor do Grande Prêmio da Crítica no Festival de Cannes. O filme, que ganhou ainda o Prêmio Revelação concedido pelo canal France 4, teve como ponto de partida um roteiro premiado em 2008. Desde então, os diretores e roteiristas Fabio Grassadonia e Antonio Piazza enfrentaram uma série de dificuldades para que seu filme fosse realizado e pudesse finalmente ser visto nas telas.

Os prêmios principais do festival ainda serão divulgados amanhã. Confiram abaixo a entrevista de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza publicada no jornal italiano La Repubblica:

Vocês conseguiram vencer dois prêmios.
“Sim. Fomos premiados por dois júris diversos. O Grande Prêmio do Júri é o máximo de reconhecimento, porém recebemos também o Prêmio Revelação.”

Emocionados?
“Com toda a agitação que houve não conseguimos entender nem as justificativas (em francês) para a concessão do prêmio. Não vejo a hora de lê-las com calma. Tudo o que entendemos é que havia uma grande estima pelo nosso filme.”

O filme de vocês foi difícil de ser realizado.
“Estes prêmios foram a compensação de cinco anos de grandes dificuldades, durante os quais cogitamos desistir várias vezes. Queremos agradecer aos nossos produtores e a todos aqueles que trabalharam conosco ou acreditaram em nós.”

O filme já tem distribuição garantida na França, mas ainda não na Itália. Mais sorte no exterior?
“Também o nosso primeiro curta foi mais apreciado no exterior. Mas nunca é tarde demais, aliás este é o momento. Estamos aqui esperamos que alguém apareça para nos levar às salas italianas.”

Vocês fizeram uma dedicatória especial para o prêmio.
“Sim. Somos de Palermo e recebemos estes prêmios justamente no dia 23 de maio, então quisemos dedicá-lo à memória dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino (ambos combatiam a máfia e foram assassinados, Falcone em 23 de maio de 1992). Pareceu-nos justo e foi espontâneo.”

E agora?
“Já temos muitas boas ideias, algumas nos agradam mais do que outras. Cannes mudou a nossa vida porque nos dá esperança de continuar a fazer o nosso trabalho apesar das dificuldades que enfrenta o cinema italiano atualmente. Este reconhecimento nos ajudará a seguir em frente.”

*Introdução minha, entrevista traduzida e adaptada do texto de Arianna Finos para o jornal La Repubblica (disponível em sua versão original no site http://www.repubblica.it)

domingo, 6 de maio de 2012

Supernatural - Coletiva de imprensa


A coletiva de imprensa aconteceu muito na base da improvisação, tanto pelo tumulto generalizado que tomou conta do local como pelos imprevistos. Os organizadores bem que tentaram minimizar os percalços, mas foi uma tremenda decepção a recusa de Jared Padalecki em falar com a imprensa. Como a notícia só foi dada na última hora, a maioria dos jornalistas ficou com sua pauta prejudicada e teve que improvisar perguntas de última hora para cobrir o rombo. Outro fator que prejudicou muito o andamento foi a ausência de um tradutor, já que conduzir a coletiva inteira em inglês e ainda gravar ou fazer anotações atrapalha mesmo quem tem fluência no idioma. Por sorte, os atores encararam tudo com espírito esportivo, demonstrando todo o bom senso que faltou ao convidado principal.

A coletiva foi feita em duas partes: primeiro vieram para a sala Richard Speight Jr. e Mark Sheppard, respectivamente o anjo Gabriel e Crowley, o rei do inferno. As primeiras perguntas foram as habituais: se eles estão gostando do Brasil e o que viram de interessante. Richard disse ter conhecido a cidade de Paraty, que classificou como bela e exótica, ao passo que Mark nada pode dizer pelo fato de ter chegado ao Brasil no dia anterior. Perguntados sobre música brasileira, ambos lembraram ao mesmo tempo de Garota de Ipanema e, animados, começaram a cantarolar. A essa altura, Richard pegou o microfone de uma repórter que estava sobre a mesa e começou a entrevistar Mark, que aproveitou para falar sobre futebol. O ator contou que tem dois filhos (de 6 e 7 anos) que jogam futebol e que eles começaram a praticar o esporte porque eram fãs de Ronaldo.

Como o seriado tem uma visão bastante particular sobre os seres sobrenaturais, perguntei a Richard se o fato de interpretar Gabriel mudou a concepção que ele tinha sobre os anjos:

“Logo que comecei a me preparar para o personagem, até pesquisei sobre o Gabriel bíblico, mas entendi que aquilo pouco ajudaria e que o Gabriel da série vai por outro rumo, já que Supernatural criou sua própria mitologia sobre céu e inferno”.


Os atores interagiram muito com os jornalistas, brincando o tempo todo a respeito de seus personagens e do que eles fariam em determinada situação. Um dos momentos mais divertidos foi quando alguém perguntou a Mark sobre o sucesso do seu vilão e ele confundiu a palavra success com sexy e justificou o mal-entendido dizendo que pensou nisso por estar no Brasil. Richard entrou na brincadeira e disse para ele não se preocupar, porque ele era mesmo um cara sexy. Perguntados sobre o humor que pontua as falas e se eles tem espaço para improvisar, ambos concordaram que improvisar é divertido, mas que também poderia ser complexo, porque eles trabalham com cronogramas muito apertados e isso poderia atrapalhar.

A segunda parte da coletiva foi composta dos atores Misha Collins e Mark Pellegrino – na série, Castiel e Lúcifer – e do produtor Jim Michaels. Os três entraram na sala destinada à imprensa enquanto as fãs na sala em anexo gritavam diante da presença de Richard e Mark, que haviam acabado de passar para lá. Misha comentou, entre risos, que as fãs brasileiras são mesmo loucas. O ator já tinha estado em uma convenção anterior em São Paulo, mas era a primeira vez que vinha ao Rio. Ao ser perguntado por que as fãs daqui são diferentes, disse que “talvez sejam mais exuberantes”, ao que Mark Pellegrino acrescentou viu algumas meninas dormindo do lado de fora do hotel.

Perguntei a Mark o que ele havia pensado quando o seu agente lhe disse que queriam contratá-lo para interpretar ninguém menos do que Lúcifer e também se a concepção do personagem como um cara bem-humorado, esperto e irônico seria um modo de ser menos odiado.

“Bom, eu achei que eles tinham chamado a pessoa errada, que era um erro de casting. Isso do humor é um mérito mais dos roteiristas. Um cara mau é sempre um cara mau, não tem como fugir disso, mas é sempre melhor quando ele também tem um lado divertido.”


Sobre a permanência de Misha e Mark na próxima temporada, Jim Michaels disse que seria uma surpresa se eles não continuassem na oitava temporada. Acrescentou, ainda, que acredita que a série tenha fôlego para muitas outras temporadas, mas desconversou sobre a possibilidade de um longa-metragem: “Nunca se sabe”.

Misha disse que a princípio não poderia imaginar que seu personagem fosse ter uma participação tão longa nem que fosse adquirir tanta importância ao longo da série (Castiel aparece pela primeira vez na quarta temporada). Como seu episódio preferido da série, citou The French Mistake, da sexta temporada (Castiel, para proteger Sam e Dean, os envia a uma realidade paralela onde eles são atores que interpretam eles mesmos em uma série de TV). O ator falou, ainda, sobre o ritmo acelerado e o pouco tempo em que eles tem para se adaptar às reviravoltas da trama.

“Quando o Castiel voltou para a história, ele estava meio louco e eu não soube disso com antecedência, então eu tive que mudar o jeito dele completamente de uma hora para outra e nós só podíamos fazer alguns takes, porque tudo tem que ser finalizado com muita rapidez”.


Mark citou os zumbis de The Walking Dead como seus vilões preferidos de outro seriado, mas ficou indeciso quando lhe perguntaram qual sua interpretação preferida dentre os outros atores que já foram o diabo antes dele. Depois de dizer que cada um criou algo de especial e que seria injusto destacar um, acabou mencionando as performances de Al Pacino (O Advogado do Diabo) e Peter Stormare (Constantine).

A essa altura, a organização do evento interrompeu a coletiva, dizendo que era hora dos atores juntarem-se às fãs na sala ao lado. Pudemos então ter uma amostra do verdadeiro delírio das garotas (algumas nem tão garotas assim) diante dos atores, em especial dos olhos azuis de Misha Collins, que provocavam declarações de amor e até pedidos de casamento. Uma pena que o que seria o ápice acabou sendo a decepção desses fãs. Depois de fugir da imprensa, Jared Padalecki deu as caras na parte da tarde, mas apenas para continuar com seus ataques de estrelismo. Depois de reclamar do ar-condicionado e da gritaria das meninas, o rapaz se retirou do salão para receber os fãs depois em outra sala mais privada, ou seja, separado dos colegas de elenco. Vergonha alheia.

A convenção continua ao longo do dia de hoje. Torçamos para que o Sr. Padalecki esteja de melhor humor neste domingo. As pessoas que pagaram para participar deste evento mereciam mais consideração.

Vejam abaixo mais algumas fotos do evento:

Richard Speight Jr. e Mark Sheppard, os grandes piadistas

Os atenciosos Misha Collins e Mark Pellegrino

Misha e Mark com o produtor Jim Michaels

Jared Padalecki tem um raríssimo lampejo de simpatia... mas não dura muito!

(Fotos by André Moreira)