quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Índia!


Vai até 29 de janeiro de 2012 a imensa exposição sobre arte, cultura e história indiana que ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil. Dividida em quatro temas – povo, deuses, formação da Índia moderna e arte contemporânea – a exposição se espalha pelo foyer e pelos dois andares acima e traz peças pertencentes a museus brasileiros e europeus. Apostando numa maior popularização como forma de atrair o grande público, a mostra traz um setor dedicado à novela Caminho das Índias. Eu particularmente acho um pouco estranho que um centro cultural como o CCBB precise fazer uma conexão com uma telenovela para atrair o interesse das pessoas, mas se, por outro lado, o artifício realmente servir para levar mais pessoas a visitar a exposição e conhecer a esta instituição exemplar, terá valido a pena.

O público pode visitar gratuitamente esta exposição de terça a domingo, das 9 às 21h, e o CCBB fica na Rua Primeiro de Março, 66, Centro. Como são muitos itens, é recomendável que se tenha pelo menos uma hora de disponibilidade (duas, se possível). No foto acima, a escultura da deusa Ganesha que recepciona os visitantes no foyer. É ou não é muito fashion essa deusa-elefantinha com suas pulseirinhas coloridas e unhas dos pés pintadas de vermelho?

American Horror Story



Ainda dentro do assunto terror e casa mal-assombrada, a novidade do gênero é a nova série da FX, American Horror Story. Trata-se da história da família Harmon, que faz o já clássico movimento de mudar-se da cidade grande para o interior depois que Vivian descobre uma traição do marido Ben. O casal e a filha, Violet, mudam-se, é claro, para uma casa assombrada por entidades malignas. Com um climão legal e uma boa pegada de suspense, o primeiro capítulo foi bastante intrigante. Ainda é cedo para fazer um prognóstico, já que a série ainda está em seus primeiros episódios, mas minha curiosidade ela já conseguiu conquistar. Agora é esperar para ver como a coisa vai seguir adiante. Concebida pelos mesmos criadores de Nip/Tuck, American Horror Story tem Jessica Lange e Dylan McDermott no elenco.

A Casa dos Sonhos


O executivo Will Atenton larga o emprego para poder se dedicar mais à família e muda-se com a esposa e as duas filhas para uma bela casa no interior de New England. Não tarda até que descubram que sua casa dos sonhos foi cenário de um crime apavorante cinco anos antes, quando o proprietário anterior assassinou toda a família. Will começa a investigar, mas o assunto parece um tabu dentre os moradores. A vizinha da casa em frente, Ann, obviamente sabe alguma coisa, mas recusa-se a falar. Enquanto isso, sua família, insegura, começa a ver um homem à espreita e a ouvir coisas. Realidade ou apenas fruto de mentes assustadas? Will precisa encontrar a verdade e descobrir se também a sua família corre perigo.

É no mínimo curioso que um elenco estelar como esse – incluindo aí o atual James Bond e a talentosa e oscarizada Rachel Weisz – e um diretor que tem no currículo coisas boas como Meu Pé Esquerdo, Em Nome do Pai e Terra dos Sonhos tenha se mobilizado em torno de um filme tão imaturo. Com um roteiro cheio de pontas soltas e pistas jogadas a esmo, A Casa dos Sonhos parece coisa de diretor estreante, que quer provar muito a si mesmo e, nessa ânsia em mostrar serviço, acaba por exagerar e ignorar todas as leis do bom senso.

São tantas reviravoltas, tantas pistas falsas e, vamos ser francos, tantas ideias “emprestadas” de outros filmes que o somatório final de todas essas partes acaba fazendo pouco (ou nenhum) sentido. O empréstimo mais evidente é de um certo filme de suspense feito em 2010 por um grande diretor americano, mas muitas outras partes soam como trechos de outros longas, em um cardápio extenso e variado. Podemos dizer que se trata de um filme Frankenstein, que vai perdendo a credibilidade conforme vão se acumulando as partes dissonantes. Sobram pontos de virada; falta coerência ao todo.

Ao final, a impressão que fica é a de que esse excesso de pontas soltas e detalhes desnecessários são inseridos justamente com a intenção de que cada espectador dê ao filme a direção que achar melhor. Ao longo de toda a projeção, o longa vai apontando em todas as direções apenas para desembocar em uma explicação frouxa (e inferior a todas as outras possibilidades que o roteiro nos fez cogitar antes). O excesso de burrice de determinado personagem não convence, assim como parece pouco crível a trajetória de outros – uma vez esclarecida a real condição deles na história.

Em um filme onde nada é muito original (até o cartaz parece reciclado de outros filmes), resta um bom elenco, que realmente se esforça para emprestar dignidade a um longa pouco convincente.

Sexta nos cinemas.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

The Lady - trailer


Confiram o trailer do novo filme de Luc Besson, que abriu ontem o Festival de Cinema de Roma. The Lady conta a história da ativista birmanesa Aung San Suu Kyi e, desde já, tem a seu favor o fato de ser estrelado pelos sempre competentes Michelle Yeoh e David Thewlis. Vamos ficar de olho.



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Últimos Suspiros

Peter Mullan e Olivia Colman em Tiranossauro


Pois é. O Festival mesmo acabou, mas a repescagem ainda está valendo até amanhã (somente no Estação Botafogo). Aproveito para compartilhar minhas impressões finais:

Ontem conferi ao tão falado Tiranossauro. Uma boa surpresa. Longa de estreia do ator Paddy Considine na direção (também autor do roteiro), é um filme que sabe alternar crueldade com sensibilidade sem pesar a mão para nenhum dos dois lados. E vale ressaltar que o filme é forte, mas não se trata de violência gratuita. O longa é mais valorizado ainda pelas ótimas interpretações de Peter Mullan e Olivia Colman.

Hoje o Odeon encerrou sua repescagem com Como Me Tornei Chaz, um ótimo documentário que trata com respeito um tema que poderia resvalar no sensacionalismo. Informativo sem ser didático, humano sem ser piegas. Mais uma bola dentro de Fenton Bailey e Randy Barbato, a mesma dupla que nos surpreendeu no Festival de 2005 com Inside the Deep Throat.

Mas nem tudo foram flores nesta noite... O que foi o longa anterior, o boliviano Meus Velhos? Em três palavras? Chato, tosco e pretensioso.



O novo e realizado Chaz Bono em Como Me Tornei Chaz

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Balanço do Festival 2011


Esse ano foi especialmente difícil fazer a listinha dos 10+, já que, uma vez ocupadas as primeiras posições, fiquei com um monte de filme que tinha gostado (não adorado, mas gostado bastante) para preencher as posições restantes. Mas como dez não são quinze nem vinte, então aí vão eles, deixando aqui menções honrosas para Sentidos do Amor, Para Sempre Silvio e Querida Vou Comprar Cigarros e Já Volto. Lembrando, ainda, que eu não assisti a todos os filmes do Festival (longe disso).

10+

1 – A Separação
2 – Um Método Perigoso
3 – O Palhaço
4 – A Pele Que Habito
5 – Até a Chuva
6 – A Árvore do Amor
7 – Red State
8 – Terraferma
9 – Os Nomes do Amor
10 – Itália: Ame-a ou Deixe-a 


E mais...

Ewan McGregor e Eva Green no interessante Sentidos do Amor

Acabou o Festival... Como ainda temos a repescagem, aí vão breves opiniões sobre alguns filmes vistos e ainda não comentados:

O Estudante (El Estudiante), Première Latina

Trama interessante, mostrando que os jogos de poder e interesses escusos dos quais ouvimos tanto falar em relação às altas esferas governamentais também tem vez no universo dos diretórios acadêmicos. Ambientado em uma universidade argentina, o filme acompanha Roque, que se envolve em política estudantil para impressionar uma garota e logo toma um gosto genuíno para o ofício, deixando, inclusive, os estudos de lado. O filme peca um pouco pela falta de ritmo e pelo desfecho um tanto ingênuo, mas vale uma conferida.


Sentidos do Amor (Perfect Sense), Panorama do Cinema Mundial

Impressionante questionamento sobre a adaptação humana às circunstâncias mais extremas. No filme, uma epidemia desconhecida afeta os sentidos das pessoas, mudando drasticamente a sociedade e os relacionamentos. Tudo começa com a perda do paladar e, logo, se espalha para os outros sentidos. Em meio ao caos e confusão, Susan e Michael se apaixonam. O filme lembra um pouco Ensaio Sobre a Cegueira, mas com uma abordagem mais filosófica e bem menos violenta. Ewan McGregor e Eva Green interpretam o casal que se apaixona em circunstâncias extraordinárias e tem que lidar com problemas bem mais complexos do que as inseguranças de uma nova relação.


Gianni e as Mulheres (Gianni e Le Donne), Foco Itália

Comédia escrita, dirigida e interpretada por Gianni di Gregorio (seria autobiográfica?) sobre um homem que, após se aposentar e ficar com muito tempo livre, começa a ficar obcecado com a ideia de arrumar uma amante. A partir desse argumento, a trama acompanha as suas tentativas ingênuas e atrapalhadas de se dar bem com as mulheres. Sinceramente, não tem lá muita graça. É um filme que não incomoda, até distrai em algumas passagens, mas é totalmente dispensável.


Post Mortem (idem), Première Latina

Um dos filmes que eu estava mais ansiosa para assistir. Talvez justamente por isso tenha me decepcionado tanto com ele. Embora seja inegavelmente competente em algumas sequências, Post Mortem frustra no conjunto. É um pouco complicado quando um filme de apenas uma hora e meia gasta os primeiros sessenta minutos sem dizer a que veio. Quando a trama finalmente começa a ganhar corpo... O filme acaba. Boas cenas em isolado, e só. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A Separação


Antes de tudo, preciso confessar um terrível preconceito: eu tenho um pé atrás com o cinema iraniano. Sempre penso nele como aquela coisa singela, porém arrastada: a árvore, o jarro, o grão de areia, tudo com cenas longuíssimas e escassez de diálogos. OK. É um pensamento pouco profissional, mas não posso evitar a sensação toda vez que vejo em uma ficha técnica que a produção é originária da antiga Pérsia. A Separação, porém, chega do último Festival de Berlim com bons antecedentes: não apenas arrebatou o Urso de Ouro como os prêmios de melhor ator e atriz, concedidos ao elenco. Isso é um fato raro e maravilhoso, quando a atuação conjunta é tão nivelada que torna impossível destacar um ator e uma atriz. Assistindo ao filme, fica muito evidente a justiça de tal premiação.

Simin quer deixar o Irã, mas seu marido Nader reluta por causa do pai, que tem Mal de Alzheimer, e a desavença acaba causando a separação do casal. A filha Termeh, em uma última tentativa de manter a família unida, se recusa a partir para o exterior com a mãe, criando um impasse. Simin, por sua vez, não pode mais recuar depois de ter pedido o divórcio e decide sair de casa, deixando Termeh aos cuidados de Nader que, por sua vez, precisa de alguém para cuidar do pai doente. Razieh, mãe de uma menina e grávida de cinco meses, vai trabalhar na casa sem que seu marido saiba, na intenção de ajudá-lo a pagar os credores que ameaçam colocá-lo na cadeia. Uma série de mal-entendidos levará a um trágico incidente que fará explodir um acirrado conflito entre essas duas famílias já tão castigadas por seus problemas internos.

Com diálogos fortes, atuações estupendas e uma trama muito tensa, que vai criando um efeito dominó que arrasta todos os personagens para situações limítrofes e complexas, A Separação é o tipo de filme que deixa o espectador grudado na cadeira e com a musculatura contraída desde a primeira impactante cena até o desfecho perfeito. Um filme de duas horas que dá a impressão de ter durado apenas alguns minutos. Ou seja, com um ritmo totalmente contrário ao que se convencionou esperar da filmografia de origem árabe.

Talvez o que torne o filme tão arrasador seja o modo como cada um dos personagens tem sua cota de contribuição para o rumo que as coisas tomam, deixando claro que conceitos como razão, verdade e justiça sempre podem ser interpretados de mais de uma maneira. A certa altura, o espectador chega à triste conclusão de que ali todos sairão perdedores – e não é sempre assim? É essa dura lição que a pré-adolescente Termeh (a estreante Sarina Farhadi, filha do diretor) tem que aprender ao longo da trama, no doloroso rito de passagem que a torna uma adulta responsável por seus atos e não mais a filha de seus pais. Comovente a cena em que ela e a pequena Somayeh, que dias antes jogavam pebolim juntas, se olham desoladas diante do abismo criado por suas famílias.

A separação do título não se refere apenas ao divórcio de Simin e Nader; é, antes, sobre tudo que afasta as pessoas. Sobre as descobertas dolorosas da vida, que nos tornam menos inocentes. O melhor filme deste Festival.

A Separação (Jodaeiye Nader Az Simin), de Asghar Farhadi. Com Leila Hatami, Peyman Moadi, Shahab Hosseini, Sareh Bayat. Irã, 2011. 123 minutos. Panorama do Cinema Mundial.

Cotação: 10



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Festival do Rio Anuncia Vencedores


Foram anunciados este noite, em cerimônia oficial no Cine Odeon, os vencedores da Première Brasil – Troféu Redentor. Confiram a lista abaixo:


Júri Oficial

Melhor Longa-Metragem de Ficção – A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinicius Coimbra
Prêmio Especial de Júri – Sudoeste, de Eduardo Nunes
Menção Honrosa para Mãe e Filha, de Petrus Cariry
Melhor Longa-Metragem Documentário – As Canções, de Eduardo Coutinho
Prêmio Especial do Júri – Olhe Para Mim de Novo, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla
Melhor Curta-Metragem –
 Qual Queijo Você Quer? de Cíntia Domit Bittar
Menção Honrosa – Tempo de Criança, de Wagner Novais
Melhor Direção – Karim Aïnouz, por O Abismo Prateado
Melhor Ator – João Miguel (A Hora e a Vez de Augusto Matraga)
Melhor Atriz – Camila Pitanga (Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios)
Melhor Atriz Coadjuvante – Maria Luisa Mendonça (Amanhã Nunca Mais)
Melhor Ator Coadjuvante – José Wilker (A Hora e a Vez de Augusto Matraga)
Prêmio Especial do Júri – Chico Anysio (A Hora e a Vez de Augusto Matraga)
Melhor Roteiro – Odilon Rocha, por A Novela das 8
Melhor Montagem – Jordana Berg por Marcelo Yuka no Caminho das Setas
Melhor Fotografia – Mauro Pinheiro Jr. Por Sudoeste / Petrus Cariry por Mãe e Filha
Prêmio Novos Rumos  Rânia, de Roberta Marques
Prêmio Fipresci – Sudoeste, de Eduardo Nunes


Voto Popular

Melhor Longa-Metragem de Ficção –
 A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinicius Coimbra
Melhor Longa-Metragem Documentário – As Canções, de Eduardo Coutinho
Melhor Curta-Metragem – Passageiro, de Bruno Melo
Melhor Filme da Mostra Geração – Lições de um sonho (Lessons of a Dream), de Sebastian Grobler

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Até a Chuva


O diretor espanhol Sebastián e seu produtor Costa vão para a cidade de Cochabamba, na Bolívia, rodar um filme que mostra uma visão crítica de Cristóvão Colombo e os males que a colonização espanhola causou à população indígena da América do Sul. Ao longo das filmagens, eles se veem entre um feroz conflito envolvendo a privatização da água, em poder de uma multinacional. O filme é baseado em um conflito real, ocorrido em 2000.

Uma completa e muito gratificante surpresa, daquelas que realmente fazem valer a pena estar participando de um festival de cinema. Apesar de Até a Chuva ter vindo com o aval da Mostra Panorama do Festival de Berlim e de ter sido o candidato da Espanha ao Oscar 2010, eu ainda não tinha ouvido falar muita coisa do filme. O último longa dirigido pela atriz madrilena Icíar Bollaín a chegar por aqui havia sido Pelos Meus Olhos, um drama sobre violência doméstica apenas acima da média. Portanto, nada me preparou para esse arrasador filme que mistura com enorme eficácia política, história, crítica social e metalinguagem, trabalhando em diversos níveis de compreensão.

É muito interessante a mudança de ponto de vista pela qual passam os personagens espanhóis, que chegam à Bolívia cheios de boas intenções e ideais elevados e, conforme a situação começa a se agravar e os ânimos a se acirrarem, começam a mostrar suas verdadeiras faces, seja para o bem ou para o mal. Também vale ressaltar que a convivência entre a equipe e os habitantes usados como figurantes ironicamente lembra tudo que eles pretendiam criticar. Muitas vezes, as cenas do filme que está sendo feito parecem incrivelmente próximas do que acontece ao redor, como se não se tivessem passado 500 anos entre uma coisa e outra. Uma cena especialmente bem concebida é aquela na qual o diretor de cinema começa a criticar o prefeito e este lhe mostra claramente que também ele está exercendo a exploração que tanto abomina.

O elenco, encabeçado por Gael García Bernal e Luis Tosar, está bem de um modo geral, mas o grande destaque fica por conta do boliviano Juan Carlos Aduviri, que interpreta o orgulhoso líder da comunidade indígena e, no filme de dentro, Hatuey, defensor de seu povo contra a brutalidade dos colonizadores. Em seu primeiro papel em um longa-metragem, Aduviri torna incrivelmente real a empolgação do diretor interpretado por Gael García Bernal que, ao ver seu personagem em uma fila de candidatos a figurantes, diz a sua assistente “filme aquele, veja que expressão incrível, é o nosso Hatuey”.

Por outro lado, não se trata apenas de um filme de cores sociais e políticas. O lado emocional também é muito forte, agradando tanto ao espectador mais engajado quanto àquele que se rende mais pelo lado emotivo. Outra coisa que encanta em Até a Chuva é que o longa “de dentro” não se resume a uma mera muleta para criar correspondência com o que acontece fora; pelo contrário, dá uma vontade danada de ver aquele filme com uma visão tão amarga sobre o descobridor das Américas. Destaque para a cena com as cruzes, comovente.

O filme ainda tem sessões neste Festival. Eu, se fosse você, não perdia.

Até a Chuva (También la Lluvia), de Icíar Bollaín. Com Luis Tosar, Gael García Bernal, Juan Carlos Aduviri, Karra Elejalde. Esp/Fra/Mex, 2010. 104 minutos. Panorama do Cinema Mundial.

Cotação: 10