sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Alabama Monroe


Através de uma narrativa não-linear, acompanhamos o relacionamento de Elise e Didier. Eles são rebeldes, inconformistas e apaixonados, mas precisam mudar um pouco de estilo de vida com a chegada da filha Maybelle. Quando a menina adoece, o casal começa a entrar em crise, principalmente porque o ateísmo de Didier faz com que Elise se sinta deprimida.

Um filme um pouco difícil de ser definido, como se fosse um cruzamento entre o francês A Guerra Está Declarada e o americano Johnny & June. O filme tem seus bons momentos, mas por vezes o roteiro parece indeciso sobre qual rumo seguir e parece não se aprofundar muito em nenhuma das muitas possibilidades por ele ventiladas. O filme se divide entre drama familiar, história de amor, crítica à religião e à política e números de música country. É complicado falar de tudo isso e não se perder um pouco. Digamos que o resultado final é um filme interessante, mas que frustra um pouco justamente por não poder explorar a contento todas as vertentes.

O que mantém o interesse do espectador na trama é a interpretação intensa dos atores Veerle Baetens e Johan Heldenberg. Jonah é autor do texto teatral que deu origem ao filme e Veerle foi premiada melhor atriz no Festival de Tribeca e no European Film Awards. O filme recebeu, ainda, os prêmios de melhor roteiro em Tribeca e o prêmio do público na mostra Panorama do Festival de Berlim e concorre ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Lobo de Wall Street


Ser ganancioso é bom, já propagandeava Gordon Gekko, o célebre personagem de Michael Douglas no filme Wall Street. Jordan Belfort, interpretado por Leonardo DiCaprio neste O Lobo de Wall Street, eleva essa ganância a outro patamar. Evidente que Jordan e seus seguidores almejavam o poder e a riqueza, mas o que eles ambicionavam era, sobretudo, o sentimento de invencibilidade que acompanha o dinheiro. A fome que os consumia ultrapassava a mera acumulação de capital, já que suas fortunas funcionavam como veículo para uma vida sem limites: mulheres, drogas, festas extravagantes, brincadeiras imorais, tudo acompanhado de um imenso desprezo por quem levava uma vida moderada.

O Lobo de Wall Street narra a trajetória verídica de Jordan Belfort, um jovem ambicioso que sonha fazer fortuna como corretor de Wall Street. O problema é que ele dá o azar de conseguir seu emprego ideal às vésperas da chamada “segunda-feira negra” (19 de outubro de 1987, o maior desastre do mercado financeiro depois da quebra da Bolsa de 1929). De uma hora para outra, Jordan se vê de volta à estaca zero. Mas o imprevisto não o detém. Depois de aprender soluções pouco ortodoxas em uma corretora de fundo de quintal, Jordan abre sua própria empresa e, em pouco tempo, consegue ir além das suas mais loucas ambições graças a seu estilo ousado e sua pouca atenção às leis. Jordan torna-se ídolo para seus funcionários, mas sua vida surreal também chama a atenção das autoridades.


Assim como o estilo de vida pregado por seus personagens, também o filme acompanha essa cadência: O Lobo de Wall Street tem um ritmo frenético e alucinógeno. São três horas de projeção que passam muito velozes diante dos olhos do espectador, que mal se recupera de uma orgia e é jogado em outra, desse modo trazendo o público para muito perto do universo de excesso e loucura no qual se ambienta a história. Interessante também é a opção de Scorsese de abrir mão da tradicional narração em off para colocar seu protagonista falando diretamente com a câmera. Mas o recurso faz todo sentido se considerarmos que o roteiro é baseado na autobiografia do próprio Jordan e que o moço fez fortuna justamente desse modo: convencendo as pessoas de que seu ponto de vista é o correto.

Leonardo DiCaprio carrega o filme nas costas, ajustando sua interpretação de modo exemplar a cada uma das fases e facetas do personagem, que começa como um rapaz esperto e ambicioso e logo parte para caminhos fascinantes e, ao mesmo tempo, sombrios. Qual é o limite de alguém que de fato chega a ser o “rei do mundo”? O que satisfaz a sede de adrenalina de quem já fez de tudo e, pior, que pode tudo? Os demais atores também estão bem, mas o filme é todo de Leo. Jonah Hill convence com uma boa composição, embora sua indicação ao Oscar não seja merecida por ter deixado de fora candidatos mais interessantes. Outras participações que se destacam são as do cineasta Rob Reiner como o pai de Jordan (alcunhado “Mad Max”) e do francês Jean Dujardin como um banqueiro suíço.


A direção de Martin Scorsese é tão precisa e leve que pode dar ao espectador a impressão de que o filme se dirigiu sozinho. Mas não. O trabalho do cineasta aqui lembra o que se costuma dizer dos grandes escritores, que sempre dão a impressão de que tudo que fazem foi realizado com extrema facilidade. É um filme de inúmeras qualidades, mas talvez a que mais se sobressaia seja a total ausência de hipocrisia na condução da trama. O hedonismo dos personagens é mostrado em toda sua extensão: com os danos físicos e emocionais, mas também com todo seu poder de sedução e glamour. Em nenhum momento, Scorsese ou o roteirista Terence Winter (que também escreveu Os Sopranos e Boardwalk Empire) tentam passar uma lição de moral ou convencer o espectador de que ser pobre é melhor do que ser milionário. É um filme que passa ao largo do edificante e do politicamente correto, o que é muito saudável nos tempos atuais.


O Lobo de Wall Street concorre a cinco Oscars: melhor filme, ator, ator coadjuvante, direção e roteiro adaptado. Leonardo DiCaprio já venceu o Globo de Ouro como melhor ator em comédia, mas dificilmente repetirá a vitória no Oscar. O que é uma pena, porque será a quarta vez que o ator tem uma indicação (merecida) que não se converterá em prêmio.

sábado, 18 de janeiro de 2014

SAG endossa escolhas do Globo de Ouro, mas não todas

O elenco de Trapaça comemora o SAG principal

Seguindo a temporada de premiações 2014, foi a vez do SAG (Screen Actors Guild, o sindicato americano dos atores) anunciar seus vencedores. O que se pode notar é que Cate Blanchett, Matthew McConaughey e Jared Leto seguem pavimentando seu caminho rumo ao Oscar, enquanto a grande reviravolta foi na categoria atriz coadjuvante: desta vez Lupita Nyong'o levou a melhor sobre Jennifer Lawrence. Os prêmios televisivos tenderam à repetição, com Modern Family vencendo pela quarta vez consecutiva – está na hora de renovar, minha gente! – e Bryan Cranston e Breaking Bad reafirmando sua imensa popularidade.

Lembrando que, por ser uma premiação dedicada aos atores, não existe um SAG de melhor filme e essa lacuna acaba sendo suprida pelo troféu de “melhor elenco”, mas a vitória de Trapaça não chega a ser decisiva. 12 Anos de Escravidão ainda pode perfeitamente vencer o Oscar de melhor filme, assim como Gravidade.

O Sindicato ainda homenageou pelo conjunto da carreira a atriz, cantora e dançarina Rita Moreno, que esbanjou charme do alto dos seus 82 anos. Confiram abaixo os premiados:

Cinema
Melhor Elenco – Trapaça
Ator – Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas
Atriz – Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Ator Coadjuvante – Jared Leto, por Clube de Compras Dallas
Atriz Coadjuvante – Lupita Nyong'o, por 12 Anos de Escravidão

TV
Elenco em Série (comédia) – Modern Family
Elenco em Série (drama) – Breaking Bad
Ator em Série (comédia) – Ty Burrell, por Modern Family
Atriz em Série (comédia) – Julia Louis-Dreyfus, por Veep
Ator em Série (drama) – Bryan Cranston, por Breaking Bad
Atriz em Série (drama) – Maggie Smith, por Downton Abbey
Ator em Telefilme ou Minissérie – Michael Douglas, por Behind the Candelabra
Atriz em Telefilme ou Minissérie – Helen Mirren, por Phil Spector

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Indicados ao Oscar 2014


Os indicados ao próximo Oscar acabam de ser anunciados pela presidente da Academia e pelo ator Chris Hemsworth. Numa lista muita parecida com a do Globo de Ouro – a categoria atriz coadjuvante, por exemplo, é idêntica –, as surpresas foram poucas e agradáveis, como a inclusão de Leonardo DiCaprio e, principalmente, o fato de filmes fracos e de marketing forte como O Mordomo da Casa Branca terem sido sumariamente ignorados. Os campões de indicações foram Gravidade e Trapaça (dez), seguido de perto por 12 Anos de Escravidão (nove). Outros filmes bem cotados são Nebraska e Clube de Compras Dallas (ambos com seis). A cerimônia de entrega acontecerá no dia 2 de março (aqui no Brasil é domingo de Carnaval). Confiram abaixo todos os indicados:

Filme
12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips
Clube de Compras Dallas
Ela
Gravidade
Nebraska
O Lobo de Wall Street
Philomena
Trapaça

Ator
Christian Bale, por Trapaça
Bruce Dern, por Nebraska
Leonardo DiCaprio, por O Lobo de Wall Street
Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas

Atriz
Amy Adams, por Trapaça
Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Sandra Bullock, por Gravidade
Judi Dench, por Philomena
Meryl Streep, por Álbum de Família

Ator Coadjuvante
Barkhad Abdi, por Capitão Phillips
Bradley Cooper, por Trapaça
Jonah Hill, por O Lobo de Wall Street
Michael Fassbender, por 12 Anos de Escravidão
Jared Leto, por Clube de Compras Dallas

Atriz Coadjuvante
Sally Hawkins, por Blue Jasmine
Jennifer Lawrence, por Trapaça
Lupita Nyong'o, por 12 Anos de Escravidão
Julia Roberts, por Álbum de Família
June Squibb, por Nebraska

Direção
Alfonso Cuarón, por Gravidade
Steve McQueen, por 12 Anos de Escravidão
Martin Scorsese, por O Lobo de Wall Street
Alexander Payne, por Nebraska
David O. Russell, por Trapaça

Roteiro Original
Woody Allen, por Blue Jasmine
Spike Jonze, por Ela
Bob Nelson, por Nebraska
Eric Warren Singer and David O. Russell, por Trapaça
Craig Borten e Melissa Wallack, por Clube de Compras Dallas

Roteiro Adaptado
Richard Linklater, por Antes da Meia-Noite
Billy Ray, por Capitão Phillips
Jeff Pope and Steve Coogan, por Philomena
John Ridley, por 12 Anos de Escravidão
Terence Winter, por O Lobo de Wall Street

Trilha Sonora
A Menina Que Roubava Livros
Gravidade
Ela
Walt nos Bastidores de Mary Poppins
Philomena

Canção Original
Alone Yet Not Alone, Bruce Broughton (por Alone)
Happy, Pharrell Williams (por Meu Malvado Favorito 2)
Let It Go, Idina Menzel (por Frozen)
Ordinary Love, U2 (por Mandela: Long Walk to Freedom)
The Moon Song, Karen O (por Ela)

Filme em Língua Estrangeira
Alabama Monroe (Bélgica)
A Grande Beleza (Itália)
A Caça (Dinamarca)
A Imagem Que Falta (Camboja)
Omar (Palestina)

Longa de Animação
Os Croods
Ernest & Celestine
Meu Malvado Favorito 2
Frozen
Vidas ao Vento

Fotografia
Gravidade
Inside Lewin Davis
Nebraska
Os Suspeitos
O Grande Mestre

Figurino
Trapaça
O Grande Gatsby
12 Anos de Escravidão
O Grande Mestre
The Invisible Woman

Maquiagem e Cabelo
Clube de Compras Dallas
Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha
O Cavaleiro Solitário

Montagem
12 Anos de Escravidão
Trapaça
Gravidade
Capitão Phillips
Clube de Compras Dallas

Direção de Arte
12 Anos de Escravidão
Trapaça
Gravidade
O Grande Gatsby
Ela

Efeitos Visuais
Gravidade
O Hobbit: A Desolação de Smaug
Homem de Ferro 3
O Cavaleiro Solitário
Além da Escuridão: Star Trek

Mixagem de Som
Gravidade
O Hobbit: A Desolação de Smaug
Capitão Phillips
Inside Llewyn Davis
O Grande Herói

Edição de Som
Al lis Lost
Capitão Phillips
Gravidade
O Hobbit: A Desolação de Smaug
O Grande Herói

Documentário Longa-Metragem
O Ato de Matar
Cutie and the Boxer
Guerras Sujas
Al Midan
A um Passo do Estrelato

Documentário Curta-Metragem
Cavedigger
Facing Fear
Karama Has no Walls
The Lady in Number 6
Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

Curta de Animação
Feral
É Hora de Viajar
Mr Hublot
Possessions
Room on the Broom

Curta Live Action
Aquel no Era Yo
Avant Que de Tout Perdre
Helium
Do I Have to Take Care of Everything?
The Voorman Problem

Os nove indicados a melhor filme

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Tem filme brasileiro no Festival de Berlim

Wagner Moura e Jesuíta Barbosa: rumo a Berlim

Praia do Futuro, o novo longa-metragem de Karim Aïnouz, foi selecionado para a mostra competitiva do 64º Festival de Berlim, que acontecerá entre os dias 6 e 16 de fevereiro. O Brasil não concorre oficialmente na Berlinale desde 2008, quando Tropa de Elite venceu o Urso de Ouro. O filme é uma coprodução entre Brasil e Alemanha e traz como protagonistas Wagner Moura e a revelação do cinema nacional Jesuíta Barbosa, além do ator alemão Clemens Schick. Praia do Futuro está previsto para estrear nos cinemas brasileiros em 1º de maio de 2014.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

HBO divulga trailer da quarta temporada de Game of Thrones


Game of Thrones segue como uma das séries mais vistas e comentadas da TV, não somente por suas aventuras medievais empolgantes, mas também pelo modo como George R. R. Martin, autor dos livros que lhe deram origem (As Crônicas de Gelo e Fogo), sacrifica impiedosamente diversos personagens centrais da trama. A quarta temporada do seriado começa só no dia 6 de abril (estreia simultânea nos EUA e aqui no Brasil), mas a HBO já divulgou o primeiro trailer. Acabará nesta temporada a tirania do rei Joffrey? Danaerys conquistará o trono? Que rumo tomará a família Stark depois de parcialmente dizimada? Confiram o trailer que, claro, não responde a nenhuma dessas questões:


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Globo de Ouro 2014

Steve McQueen com o elenco de 12 Anos de Escravidão: venceu melhor filme dramático, mas só isso

A premiação dos Golden Globe Awards (ou Globos de Ouro) não apresentou nenhuma surpresa. Venceram os favoritos e, ao menos nas categorias já conferidas, podemos dizer que houve justiça. Bons exemplos disso são as vitórias do italiano A Grande Beleza como filme estrangeiro e de Cate Blanchett como melhor atriz dramática. Mesmo no caso da grande polarização da temporada – Gravidade x 12 Anos de Escravidão – os votantes optaram por agradar a gregos e troianos: 12 Anos levou melhor filme e Gravidade, melhor direção. Também foi bacana ver o eterno injustiçado Leonardo DiCaprio premiado, numa prova de que a Academia o esnoba, mas a imprensa não. Com tanta pulverização, American Hustle (que aqui se chamará Trapaça) correu por fora e se deu bem: o filme acabou levando três prêmios e se consagrando o grande favorecido da noite. Talvez a única decisão discutível tenha sido premiar Jennifer Lawrence de novo. Dizem que ela está ótima, mas teria sido uma boa oportunidade de consagrar June Squibb e, de quebra, evitar que o maravilhoso Nebraska saísse de mãos abanando. Nos prêmios destinados à TV, também se destacaram os favoritos Breaking Bad e Behind the Candelabra. A surpresa foi a premiação de uma série nova (Brooklyn 99) em duas categorias.

Confiram abaixo todos os ganhadores:

Cinema

Filme (drama) – 12 Anos de Escravidão
Filme (musical/comédia) – Trapaça
Ator (drama) – Matthew McConaughey, por Dallas Buyers Club
Ator (musical/comédia) – Leonardo DiCaprio, por O Lobo de Wall Street
Atriz (drama) – Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Atriz (musical/comédia) – Amy Adams, por Trapaça
Ator Coadjuvante – Jared Leto, por Dallas Buyers Club
Atriz Coadjuvante – Jennifer Lawrence, por Trapaça
Direção – Alfonso Cuarón, por Gravidade
Roteiro – Spike Jonze, por Ela
Trilha Sonora – All Is Lost
Canção Original – Ordinary Love, U2 (por Mandela: Long Walk to Freedom)
Filme em Língua Estrangeira – A Grande Beleza (Itália)
Filme de Animação – Frozen

TV

Série (drama) – Breaking Bad
Série (comédia) – Brooklyn 99
Ator em Série (drama) – Bryan Cranston, por Breaking Bad
Atriz em Série (drama) – Robin Wright, por House of Cards
Ator em Série (comédia) – Andy Samberg, por Brooklyn 99
Atriz em Série (comédia) – Amy Poehler, por Parks and Recreation
Minissérie ou Telefilme – Behind the Candelabra
Ator em Minissérie ou Telefilme – Michael Douglas, por Behind the Candelabra
Atriz em Minissérie ou Telefilme – Elisabeth Moss, por Top of the Lake
Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme  Jon Voight, por Ray Donovan
Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme – Jacqueline Bisset, por Dancing on the Edge

Cate Blanchett era favorita e deve levar o Oscar também

Matthew McConaughey dedicou o prêmio à esposa brasileira

Paolo Sorrentino: depois de perder a Palma de Ouro, A Grande Beleza vai à forra e vence o Globo de Ouro

Leo DiCaprio vence com mais uma parceria com Martin Scorsese

sábado, 11 de janeiro de 2014

Azul Resplendor


Depois de uma temporada em São Paulo, chega ao Teatro Sesc Ginástico Azul Resplendor. A peça, que estreou na última quinta-feira, também marca a comemoração dos 60 anos de carreira e 80 de vida de Eva Wilma. Para tanto, nada mais referencial do que aniversariar interpretando uma grande diva, uma espécie de Norma Desmond dos palcos. O texto do dramaturgo peruano Eduardo Adrianzén foi descoberto pelos diretores Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas durante um projeto por eles empreendido entre 2008 e 2009 que visava justamente incentivar o intercâmbio entre as dramaturgias de língua espanhola e portuguesa. 

Blanca Estela, a personagem de Eva Wilma, é uma grande atriz que se afastou de seu ofício sem explicações há mais de 30 anos. Sozinha, amargurada e esquecida pelo público, Blanca não consegue resistir à tentação quando é procurada por Tito Tápia, ator sem talento que passou a maior parte da vida cuidando da mãe doente e fazendo pontas inexpressivas no teatro e na TV. Mas Tito agora escreveu uma peça e tem um milhão de dólares para patrociná-la, o que finalmente lhe dá coragem para procurar Blanca, confessar seu amor platônico e convidá-la para ser a protagonista de seu espetáculo.

A estrela aceita, desde que a peça seja dirigida por um nome de peso. É então que entra em cena o incensado e vaidoso Antônio Balaguer, que tem ideias no mínimo discutíveis sobre teatro e, principalmente, autopromoção. O espetáculo investe na ironia metalinguística, que ganha muita força com a aparição deste personagem. Aliás, o elenco é um dos pontos fortes de Azul Resplendor: embora Eva brilhe como protagonista, todos os integrantes do elenco têm boas oportunidades de momentos-solo. Reina em cena a harmonia entre veteranos como Eva Wilma e Renato Borghi (em substituição a Pedro Paulo Rangel)  e atores de gerações mais recentes como Dalton Vigh, Luciana Borghi, Luciana Brites e Felipe Guerra. Especialmente interessante é a construção de Vigh: em um papel completamente diverso dos galãs que a TV costuma lhe impor, o ator apresenta uma inesperada veia cômica como o diretor ambicioso que passa por cima de tudo e todos não em nome da arte e sim visando novas polêmicas que o deixem cada vez mais famoso, temido e adorado.


O cenário funcional de André Cortez e a iluminação precisa de Lúcia Chediek ajudam a dar dinamismo à montagem bacana concebida por Borghi e Seixas. Por outro lado, o texto de Adrianzén não consegue evitar uma desnecessária guinada para o melodrama na parte final. O tom da peça, que até então primava pela ironia e fazia correlações bem divertidas com personagens que estamos acostumados a ver no meio artístico, ganha cores dramáticas que parecem um pouco em dissonância com o que vinha sendo apresentado até então. Um adendo dramático que enfraquece não apenas o texto esperto e cheio de frescor, mas também toda a energia do espetáculo.  

Em todo caso, vale a pena conhecer esse belo exemplo de dramaturgia sul-americana, além de prestigiar Eva e o afinado elenco nessa crítica ao falso vanguardismo e à pseudo-intelectualidade que permeiam o meio artístico como uma praga moderna.


Serviço:
Teatro Sesc Ginástico
De quarta a domingo às 19h
Ingressos a R$ 40,00 (sexta a domingo) e R$30,00 (quarta e quinta)
Até 23 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ajuste de Contas


Dois boxeadores rivais até a medula e que aguardam há trinta anos uma revanche que finalmente decidirá quem é o melhor. Cada um perdeu uma única luta na carreira, e foi para o outro. A oportunidade surge somente quando eles estão velhos e fora de forma, mas ambos querem provar que ainda podem recuperar um pouco do brilho e dignidade do passado. Parece familiar a sinopse? Não poderia ser diferente, já que o argumento remete a tantos filmes sobre o universo do boxe. Mas é justamente por isso, por contar com a memória do público sobre o esquema deste tipo de filme, que a comédia Ajuste de Contas funciona tão bem.

Henry “Razor” Sharp e Billy “The Kid” McDonnen são interpretados por Sylvester Stallone e Robert De Niro, o que por si só já é divertido, já que Stallone está desde sempre ligado à imagem de Rocky Balboa e De Niro tem como um de seus mais célebres personagens o boxeador Jake La Motta de Touro Indomável, papel que inclusive lhe rendeu um Oscar. Não faltam piadas referenciais, como, por exemplo, o momento em que o treinador interpretado por Alan Arkin diz a Razor que bater na carne seria anti-higiênico. O filme não se limita a ironizar a carreira dos seus protagonistas e fazer piada sobre a idade avançada dos mesmos, mas também tira sarro de toda aquela fórmula dos filmes de luta que fizeram tanto sucesso na década de 80. Sobram farpas até mesmo para manias mais recentes, como os torneios de MMA.

Stallone já vinha há tempos apostando na autoparódia como alternativa à sua imagem consolidada, a boa surpresa é ver que também um grande ator como Robert De Niro sabe rir de si mesmo. É bem verdade que De Niro vinha participando de muitas comédias nos últimos anos (a maioria delas bastante dispensável), mas talvez estivesse faltando justamente esta pitada de autodeboche. Vale lembrar que no ano anterior vimos o astro em outro filme que ironizava os seus trunfos do passado: A Família, de Luc Besson, trabalhava no mesmo esquema referencial, só que com os papéis de mafioso do ator.


O longa conta com a direção eficiente e discreta de Peter Segal, que estava longe do cinema desde Agente 86 (2008). O elenco de apoio é outro trunfo, com destaque para Kevin Hart como o empresário que quer tirar o pé da lama e se desvincular da imagem do pai trapaceiro e Alan Arkin como o treinador Louis “Lightning” Conlon – mais um daqueles tipos falastrões, desbocados e sarcásticos que o ator sabe criar tão bem. Outra curiosidade é ver Jon Bernthal, mais conhecido como o Shane do seriado The Walking Dead, como o filho desgarrado de Kid. Ótimo também o pequeno Camden Gray, o neto. Impagável o momento em que ele diz ao avô que é estranho chamá-lo de “Kid” (garoto) por ele ser velho.

Ajuste de Contas é uma boa comédia, que entretém do começo ao fim e sabe tirar partido da obviedade presente na maioria dos filmes que focam em histórias de superação para fazer rir. Aliás, não deixem de acompanhar os créditos finais do filme, sob pena de perder uma das mais piadas mais engraçadas. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

American Horror Story vai ao circo em 2014


A terceira temporada ainda está pela metade, mas já estão circulando pela rede algumas imagens sobre o tema da quarta temporada de American Horror Story. Depois de lidar com casas mal-assombradas, hospitais psiquiátricos, alienígenas e bruxaria, parece que a série em 2014 mergulhará no universo das aberrações de circo. Aguardemos mais detalhes!