segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

SAG's 2011


A entrega dos SAG Awards na noite de ontem confirmou que Colin Firth e Natalie Portman são praticamente imbatíveis para o Oscar de melhor ator e atriz, assim como Christian Bale e Melissa Leo nas categorias coadjuvantes. Já o prêmio de melhor elenco (melhor filme disfarçado) foi para O Discurso do Rei, o que representa a primeira derrota significativa para A Rede Social. Confiram os vencedores:

Cinema

Ator - Colin Firth (O Discurso do Rei)
Atriz - Natalie Portman (O Cisne Negro)
Ator Coadjuvante - Christian Bale (O Vencedor)
Atriz Coadjuvante - Melissa Leo (O Vencedor)
Elenco - O Discurso do Rei
Elenco de Dublês - A Origem

TV

Ator em minissérie ou telefilme - Al Pacino (You Don't Know Jack)
Atriz em minissérie ou telefilme - Claire Danes (Temple Grandin)
Ator em Série Dramática - Steve Buscemi (Boardwalk Empire)
Atriz em Série Dramática - Julianna Margulies (The Good Wife)
Ator em Série Cômica - Alec Baldwin (30 Rock)
Atriz em Série Cômica - Betty White (Hot In Cleveland)
Elenco em Série Dramática - Boardwalk Empire
Elenco em Série Cômica - Modern Family

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Um Lugar Qualquer


O trabalho de Sofia Coppola sempre me agradou muito. Embora este seja apenas seu quarto longa-metragem, seu talento como roteirista e domínio narrativo como cineasta parecem pertencer a alguém com muito mais idade e tempo de estrada. Sofia debutou como diretora em 1999 com o perturbador As Virgens Suicidas e apenas quatro anos depois realizou a obra-prima que lhe deu uma indicação ao Oscar de melhor direção: Encontros e Desencontros. Mesmo Maria Antonieta, que é obviamente seu filme mais fraco, possui uma penca de qualidades que não podem ser desprezadas. Com Somewhere – filme que ganhou há pouco o Leão de Ouro no Festival de Veneza – a cineasta se inspira em memórias de sua própria infância para voltar ao tema da incomunicabilidade humana e da estranheza de viver em meio às celebridades.

Logo no início do longa somos apresentados a Johnny Marco, famoso ator de Hollywood. Hóspede residente no hotel Chateau Marmont, Johnny leva uma vida regada a festas, mulheres a granel, carros velozes e strippers que muitas vezes lhe dão mais tédio do que prazer. A mudança nessa rotina ocorre quando Cleo, sua filha de onze anos, precisa passar um tempo com ele por conta de uma crise existencial de sua ex-mulher. Mas Cleo e Johnny, embora sejam pai e filha, são quase dois estranhos.

Com sua visão poética e, ao mesmo tempo, ácida sobre o mundo, Sofia Coppola constrói gradativamente os primeiros passos dessa aproximação, evidenciando a falta de intimidade entre eles através de pequenos detalhes e conversas. Interessante que Johnny tem o nome da filha tatuado no braço, mas desconhece coisas básicas sobre a vida da menina. Ela, por sua vez, é tímida e não sabe o que pensar daquele porra-louca simpático que é seu pai. Há afeto, há respeito, mas não há intimidade. Ao mesmo tempo, percebe-se que os dois tem bastante em comum e que partilham o mesmo desprezo por esse mundo fake de celebridades – Johnny vive nele, mas sempre passando a impressão de ser um peixe fora d’água.

Outra coisa muito legal em Somewhere é a opção deliberada por um ritmo meio lento, uma certa falta de pressa a cada cena que remete ao ritmo com que pai e filha estão se aproximando. Com um roteiro simples e eficiente, abrilhantado pelas atuações apaixonantes de Stephen Dorff e Elle Fanning (irmã mais nova da Dakota), o espectador que curte o cinema cheio de poesia de Sofia Coppola não sairá da sala escura decepcionado.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Indicados ao Oscar 2011


Os indicados ao Oscar 2001 foram anunciados na manhã de hoje, pela atriz Mo'Nique e pelo presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Tom Sherak. Surpresas mesmo foram poucas, a maioria das indicações seguiu uma tendência que já vinha se manifestando à boca pequena no clima pós-Golden Globe. Que o diga Javier Bardem, que teve sua (justa) candidatura a melhor ator defendida em todos os meios de comunicação por uma furiosa Julia Roberts, que não se conformava em ver o amigo e sua brilhante interpretação em Biutiful esnobados. Para provar que sangue de Julia tem poder, lá está o ator espanhol figurando entre os cinco indicados. Prêmio que, diga-se de passagem, deve ir para as mãos do britânico Colin Firth - mas isso é outra história.

O Discurso do Rei lidera em número de indicações (doze no total), seguido por outro esnobado pelos Golden Globes, Bravura Indômita. O filme dos manos Coen arrebanhou dez indicações, incluindo melhor filme e direção. Em terceiro vem o até então favorito, A Rede Social, e suas oito indicações. Alguns blogueiros apontam para uma reação de O Discurso do Rei contra o clima de "já ganhou" que rondava A Rede Social. Eu confesso que estou adorando essa reação da concorrência pois, embora reconheça os óbvios méritos do longa de David Fincher, A Rede Social não me tocou na alma.

Confiram abaixo a lista completa de indicados, lembrando sempre que, dentre os dez indicados a melhor filme, os que realmente tem chance são sempre os cinco que também tem seus diretores concorrendo. Ou seja, na prática são cinco indicados pra valer e cinco menções honrosas.

Filme
Cisne Negro
Bravura Indômita
A Rede Social
Toy Story 3
A Origem
O Discurso do Rei
O Vencedor
127 Horas
Minhas Mães e Meu Pai
Inverno da Alma

Direção
Darren Aronofsky (Cisne Negro)
David Fincher (A Rede Social)
David O. Russell (O Vencedor)
Tom Hooper (O Discurso do Rei)
Joel Coen e Ethan Coen (Bravura Indômita)

Ator
Javier Bardem (Biutiful)
Jeff Bridges (Bravura Indômita)
Colin Firth (O Discurso do Rei)
James Franco (127 Horas)
Jesse Eisenberg (A Rede Social)

Atriz
Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai)
Natalie Portman (Cisne Negro)
Nicole Kidman (Reencontrando a Felicidade)
Jennifer Lawrence (Inverno da Alma)
Michelle Wiliams (Blue Valentine)

Ator Coadjuvante
Geoffrey Rush (O Discurso do Rei)
Christian Bale (O Vencedor)
Jeremy Renner (Atração Perigosa)
John Hawkes (Inverno da Alma)
Mark Ruffalo (Minhas Mães e Meu Pai)

Atriz Coadjuvante
Melissa Leo (O Vencedor)
Amy Adams (O Vencedor)
Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei)
Hailee Steinfeld (Bravura Indômita)
Jacki Weaver (Reino Animal)

Filme de Animação
Toy Story 3
Como Treinar o Seu Dragão
O Mágico

Roteiro Original
Cisne Negro
A Origem
Another Year
O Vencedor
O Discurso do Rei

Roteiro Adaptado
127 Horas
Bravura Indômita
A Rede Social
Toy Story 3
Inverno da Alma

Filme Estrangeiro
Foras-da-Lei (Argélia)
Incendies (Canadá)
Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)
Dente Canino (Grécia)
Biutiful (México)

Documentário
Lixo Extraordinário
Trabalho Interno
Exit Through the Gift Shop
Gasland
Restrepo

Trilha Sonora
A Origem
A Rede Social
O Discurso do Rei
Como Treinar o seu Dragão
127 Horas

Canção Original
Coming Home (Country H3)
I See the Light (Enrolados)
If I Rise (127 Horas)
We Belong Together (Toy Story 3)

Edição
127 Horas
Cisne Negro
A Rede Social
O Discurso do Rei
O Vencedor

Fotografia
A Origem
Cisne Negro
A Rede Social
O Discurso do Rei
Bravura Indômita

Figurino
O Discurso do Rei
Bravura Indômita
Alice no País das Maravilhas
Eu Sou o Amor
A Tempestade

Direção de Arte
Alice no País das Maravilhas
A Origem
O Discurso do Rei
Bravura Indômita
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I

Mixagem de Som
Salt
A Origem
O Discurso do Rei
Bravura Indômita
A Rede Social

Edição de Som
Toy Story 3
Tron – O Legado
A Origem
Bravura Indômita
Incontrolável

Maquiagem
O Lobisomem
Caminho da Liberdade
A Minha Versão do Amor

Efeitos Visuais
Além da Vida
A Origem
Homem de Ferro 2
Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I

Curta-Metragem
The Confession
The Crush
God of Love
Na Wewe
Wish 143

Documentário Curta-Metragem
Poster Girl
Strangers no More
Killing in the Name
Sun Come Up
The Warriors of Qiugang

Curta-Metragem de Animação
Day & Night
Let’s Pollute
The Lost Thing
The Gruffalo
Madagascar, Carnet de Voyage

Brasil no Oscar, sim senhor


E a indicação veio de onde ninguém estava esperando: o longa Lixo Extraordinário, que tem direção conjunta dos brasileiros João Jardim e Karen Harley e da britânica Lucy Walker, foi indicado ao Oscar 2011 de melhor documentário. O documentário, produzido pela O2 Filmes em parceria com a produtora inglesa Almega Projects, mostra o original trabalho do artista plástico Vik Muniz com os catadores de Jardim Gramacho, um dos maiores aterros sanitários do mundo. Lixo Extraordinário já foi premiado nos festivais de Sundance e Berlim e entrou em cartaz por aqui na última sexta.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Framboesa 2011


Eclipse e O Último Mestre do Ar lideram as indicações ao Framboesa de Ouro, a irreverente paródia do Oscar que premia as piores produções do ano. Os longas foram indicados em nove categorias cada, incluindo pior filme, pior roteiro e pior elenco. O filme de Shayamalan (na minha opinião, incrivelmente pior que o teen Eclipse) ainda teve a "honra" de ser indicado a uma nova categoria criada esse ano, a de pior 3D. Dentre as curiosidades, o destaque é o sarro com Liza Minelli, indicada a pior coadjuvante por conta de sua breve participação em Sex and the City 2 (filme que concorre em sete categorias).

Os razzies serão entregues, como sempre, um dia antes do Oscar, ou seja, dia 26 de fevereiro. Confiram os indicados:

Pior filme
Caçador de Recompensas
O Último Mestre do Ar
Sex and the City 2
A Saga Crepúsculo: Eclipse
Os Vampiros que se Mordam

Pior ator
Jack Black - As Viagens de Gulliver
Gerard Butler - Caçador de Recompensas
Ashton Kutcher - Par Perfeito e Idas e Vindas do Amor
Taylor Lautner - A Saga Crepúsculo: Eclipse e Idas e Vindas do Amor
Robert Pattinson - A Saga Crepúsculo: Eclipse e Lembranças

Pior atriz
Jennifer Aniston - Caçador de Recompensas e Coincidências do Amor
Miley Cyrus - A Última Música
As quatro amigas - Sex and the City 2
Megan Fox - Jonah Hex
Kristen Stewart - A Saga Crepúsculo: Eclipse

Pior ator coadjuvante
Billy Ray Cyrus - Missão Quase Impossível
George Lopez - Marmaduke, Missão Quase Impossível e Idas e Vindas do Amor
Dev Patel - O Último Mestre do Ar
Jackson Rathbone - O Último Mestre do Ar e A Saga Crepúsculo: Eclipse
Rob Schneider - Gente Grande

Pior atriz coadjuvante
Jessica Alba - The Killer Inside Me, Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família, Machete e Idas e Vindas do Amor
Cher - Burlesque
Liza Minnelli - Sex and the City 2
Nicola Peltz - O Último Mestre do Ar
Barbra Streisand - Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família

Pior diretor
Jason Friedberg e Aaron Seltzer - Os Vampiros que se Mordam
Michael Patrick King - Sex and the City 2
M. Night Shyamalan - O Último Mestre do Ar
David Slade - A Saga Crepúsculo: Eclipse
Sylvester Stallone - Os Mercenários

Pior roteiro
O Último Mestre do Ar
Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família
Sex and the City 2
A Saga Crepúsculo: Eclipse
Os Vampiros que se Mordam

Pior casal ou elenco
Jennifer Aniston e Gerard Butler - Caçador de Recompensas
A cara de Josh Brolin e o sotaque de Megan Fox - Jonah Hex
O elenco de O Último Mestre do Ar
O elenco de Sex and the City 2
O elenco de A Saga Crepúsculo: Eclipse

Pior remake, continuação ou adaptação
Fúria de Titãs
Sex and the City 2
O Último Mestre do Ar
A Saga Crepúsculo: Eclipse
Os Vampiros que se Mordam

Pior 3-D
Fúria de Titãs
O Último Mestre do Ar
Como Cães e Gatos 2
Jogos Mortais - O Final
Nutcracker 3-D

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Biutiful


O cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu pisou com o pé direito em Hollywood quando seu filme de estreia, o intenso Amores Brutos, foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Não ganhou o prêmio, mas atraiu os holofotes para seu trabalho. Tanto que seu longa seguinte, o também ótimo 21 Gramas, já contava com um elenco de peso. Mas no terceiro filme, Babel, a fórmula das histórias paralelas sem cronologia que se entrecruzavam em algum momento já dava sinais de desgaste. Foi nesse ponto que a parceria entre Iñárritu e seu fiel roteirista Guillermo Arriaga se rompeu. Com alfinetadas mútuas rolando na mídia, Arriaga foi estrear como diretor e Iñárritu se aventurou a ser também roteirista em Biutiful. Os dois saíram perdendo, mas aqui falaremos de Iñárritu e seu Biutiful.

A partir de um roteiro mais linear, Biutiful é centrado em Uxbal, um homem em constante rota de colisão. Divorciado de uma mulher bipolar que ele ainda ama, pai em tempo integral, paranormal a contragosto, Uxbal ainda tem na consciência o drama de tirar seu sustento da contravenção. Mais do que um agenciador de imigrantes ilegais, Uxbal se sente responsável por eles e pela miséria na qual vivem. Cuidar deles seria um modo de sentir-se menos culpado? E como lidar com tudo isso e ainda sentir sobre si a sombra da morte e da decadência?

Biutiful é um filme bastante pesado, desagradável de ser assistido mesmo. Todos os personagens parecem condenados a não serem felizes, a viverem no desespero, a apenas sobreviverem enquanto conseguirem. Claro que é um efeito intencional, uma escolha do roteiro, até mesmo para ironizar a beleza presente no título – sim, existe uma explicação para a grafia errada da palavra beautiful –, mas a repressão e o sofrimento são tão excessivos que isso acaba causando um efeito anestésico e periga o espectador abandonar os personagens à própria sorte, porque não há um raio de esperança que o faça torcer para eles. Aquela velha regrinha dos manuais de roteiro, conflito versus esperança, não tem vez aqui. Portanto, concluímos que Arriaga fez falta como roteirista, porque a bela direção de Iñárritu – e ele de fato extrai beleza de tanta escuridão – se dilui na tristeza opressiva da trama e até mesmo na metragem desnecessariamente longa do filme.


Como grande chamariz do filme, temos que destacar a interpretação arrebatadora de Javier Bardem. Aliás, é mais uma atuação impecável de um dos melhores atores da atualidade. Se o homem não for indicado ao Oscar, esta será a segunda injustiça de sua carreira (a primeira foi por Mar Adentro). O filme continua firme e forte na disputa por melhor filme estrangeiro, já que foi selecionado na pré-lista dos nove melhores. O veredicto definitivo sai no dia 25 de janeiro.

Festival do Rio 2011 só em outubro


Numa sábia decisão, os organizadores do Festival do Rio adiaram em duas semanas a realização da edição 2011 do evento. Este ano, ele começa no dia 6 de outubro, período em que costumava já estar terminando nos anos anteriores. O motivo é não entrar em conflito com o Rock in Rio. Mesmo não achando justo que um evento que acontece na mesma época há uma década tenha que alterar sua rotina por algo que acontecerá isoladamente esse ano, parabenizo o bom senso dos organizadores do Festival do Rio, que desse modo livram a cidade de ficar tumultuada com dois acontecimentos simultâneos. A vantagem do adiamento é que sobra mais tempo para fechar com os filmes exibidos no Festival de Veneza, em setembro.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Lula não vai lá


Saiu hoje a pré-lista dos candidatos a melhor filme estrangeiro para o Oscar 2011. O candidato brasileiro, Lula - O Filho do Brasil, está fora da disputa (oh, que surpresa, não?). Mas a cinebio de Lula tem companhias ilustres, como Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes. Os nove pré-selecionados darão lugar a cinco finalistas, que serão anunciados junto com as demais categorias no dia 25 de janeiro.

Por enquanto, seguem na disputa Em Um Mundo Melhor (Dinamarca), Fora da Lei (Argélia), Incendies (Canadá), Dogtooth (Grécia), Confessions (Japão), A Vida Acima de Tudo (África do Sul), También la Lluvia (Espanha), Simple Simon (Suécia) e Biutiful (México).

O Turista


Em primeiro lugar, é bom esclarecer que O Turista não chega a ser esse desastre sem precedentes que muitos andam alardeando. Talvez tanta má-vontade se deva a alguns fatores externos ao filme em si: a) era esperado mais do diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck (A Vida dos Outros), em sua primeira incursão hollywoodiana; b) sempre esperamos melhores escolhas de Johnny Depp como ator; e, principalmente, c) um filme mediano como esse indicado a três Golden Globes inevitavelmente vai virar piada.

Considerando apenas o filme e tentando não se influenciar por esses fatores, O Turista fica na média dos filmes que misturam romance com thriller de espionagem, e ainda tem o plus de ser emoldurado pelos misteriosos canais de Veneza. Johnny Depp é Frank, um pacato professor americano que vai à Europa tirar férias e esquecer um amor perdido. No trem que o levará a Veneza, uma bela mulher cruza seu caminho e o arrasta para um perigoso jogo de sedução e intrigas. Frank se apaixona por Elise, mesmo sabendo que ela está apenas usando-o como isca para desviar a atenção das autoridades e de perigosos mafiosos do homem que ela ama.

Partindo de um argumento que Hitchcock apreciava muito, o do homem comum arrastado para circunstâncias extraordinárias, o filme se desenvolve em torno dessas duas vertentes: a intriga policial e a sedução amorosa. Quem, exatamente, é Elise e até que ponto ela estaria se aproveitando de Frank? Angelina Jolie faz o que sabe fazer melhor: ser bonita, sexy e arrancar suspiros. Enquanto isso, Johnny Depp parece pouco confortável no papel de homem comum, submisso e tímido. Claro que suas falas tampouco ajudam e a caracterização de seu personagem em alguns momentos beira o ridículo, como na cena em que ele salta de pijama pelos telhados da cidade. Aliás, esse é um dos problemas do filme, sua indecisão entre ser de fato um thriller de espionagem ou apenas uma paródia de um.


A despeito dessa indecisão de gênero, o filme diverte. Seja pelo bom ritmo, seja pelo deslumbrante cenário, O Turista funciona como diversão ligeira sem compromisso. Claro que algumas soluções – em especial o desfecho – não se sustentam uma vez acendidas as luzes da sala de projeção, mas como puro entretenimento o filme não faz feio. O problema foi levar o que deveria ser um filminho leve de verão para o tapete vermelho dos Golden Globes. Pegou mal. Quando os lobistas vão entender que uma indicação não-merecida apenas presta um desserviço ao produto?

Sexta nos cinemas.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Camden Town


Imaginem uma versão punk e/ou roqueira da rua da Alfândega em Londres. Pois bem, esse lugar existe e chama-se Camden Town. Camden Town já foi uma zona de armazéns e estábulos, mas hoje em dia tornou-se um reduto de moda alternativa, cheio de lojinhas exóticas, pubs, clubes e estúdios de tatuagens e piercings. Saindo da estação de metrô, o visitante já cai no meio da efervescência colorida do lugar e pode se deparar com as mais estranhas figuras, sejam adolescentes vestidos à moda gótica ou punks da velha guarda. Nenhum visual, por mais louco que seja, soa fora do contexto do local.

As lojas em si são uma atração à parte, com suas fachadas coloridas e irreverentes. Em Camden Town você encontra todo tipo de acessório com caveiras (muitos com o Jack Skellington, inclusive), boots cheios de tachas, muito couro, cartolas e muitos outros chapéus diferentaços, vestidos rodados ao estilo dos anos sessenta com estampas de caveira, enfim, a moda toda parece saída direto do guarda-roupa de Tim Burton e Helena Bonham Carter. Além das lojas, tem um mercado cheio de barraquinhas de roupas, acessórios, comidas, etc.

Foi lá, numa noite de domingo - mais precisamente, no dia 2 de janeiro de 2011 -, que eu fiz minha quarta tatuagem (foto ao lado), comprei uma echarpe de caveiras, uma luva com tachinhas e me diverti muito. Um programão! Meio fora do circuito tradicional para turistas, mas que vale muito a pena para quem quer ver uma Londres além dos cartões postais.