quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Noite Estrelada no Odeon


No que talvez tenha sido a noite mais repleta de estrelas até agora, o Odeon abrigou nesta quinta-feira duas sessões concorridíssimas em sequência: a première de gala da Mostra Foco Argentina – cinematografia homenageada deste ano – apresentou o longa Dois Irmãos, de Daniel Burman. Foi seguida da exibição de Como Esquecer, filme brasileiro de Malu de Martino da Mostra Competitiva que tem Ana Paula Arósio, Murilo Rosa e Natália Lage no elenco.

A primeira sessão, às 19h15, contava com as presenças do diretor Daniel Burman e da grande dama do cinema argentino Graciela Borges, além de autoridades brasileiras e argentinas. A première brasileira, às 21h45, contava com grande parte do elenco e equipe técnica e foi precedida pelo divertido curta O Bolo, dirigido por Robert Guimarães e estrelado por Fabiula Nascimento e Flavio Bauraqui, que também passaram pelo tapete vermelho.

Confiram abaixo algumas fotos da noite:

Ilda Santiago, Graciela Borges e Daniel Burman antes da exibição de Dois Irmãos

Simpáticos, Graciela Borges e Daniel Burman posam para uma foto exclusiva

Malu de Martino com o elenco no tapete vermelho: Ana Paula Arósio (linda de cabelos curtos), Bianca Comparato, Natália Lage (atrás), Arieta Corrêa e Murilo Rosa

Dentro da sala de exibição, Malu, Fernanda Tavares com o marido Murilo, Arieta e Ana Paula

Robert Guimarães apresenta seu curta O Bolo ladeado por Fabiula Nascimento e Flavio Bauraqui

Elenco e equipe de Como Esquecer no palco pouco antes da exibição do filme

Malu, Arieta e Ana Paula após a sessão, felizes com a boa acolhida do filme pelo público

O Homem do Lado


O célebre arquiteto franco-suíço Le Corbusier projetou um único trabalho no continente americano: a Casa Curutchet, localizada em La Plata, na Argentina. A obra, de traços futuristas para sua época (1949-1953), é não apenas um cenário como também importante personagem em O Homem do Lado. No filme, a casa pertence a Leonardo, um bem-sucedido designer e professor universitário. Um dia, ele e a esposa são acordados por um estrondoso barulho e descobrem que o vizinho Victor resolveu construir uma janela bem de frente para a casa deles. Leonardo argumenta que aquilo não é permitido, mas Victor refuta seus argumentos sempre de forma amistosa, porém muito firme. O impasse se estende e tanto a questão da janela como as constantes intromissões de Victor em sua rotina irritam Leonardo a ponto de começar a prejudicar seu trabalho e sua relação familiar.

O filme parte de uma questão de vizinhos que poderia ser resolvida sem maiores danos para entrar no terreno das relações humanas em geral. A junção entre essas duas personalidades opostas, ou seja, a tremenda “falta de noção” de Victor e a dificuldade de encarar conflitos de Leonardo transforma o que seria um problema relativamente pequeno em uma novela interminável. É sempre complicado se livrar de uma companhia indesejável, e mais ainda se tal companhia está a poucos passos de você e pode observar sorrateiramente todos os seus movimentos. Junte-se a isso o aspecto levemente ameaçador de Victor (ao menos, pelo olhar de Leonardo) e está criada a base para o surgimento de uma paranóia. O longa desenvolve com habilidade o choque entre essas duas personalidades e a progressão da irritação de Leonardo, que, sentindo-se acuado, começar a ter problemas em todas as áreas de sua vida. É um longa engraçado, mas também um pouco perturbador. Uma pena que os diretores tenham tropeçado justamente no desfecho, que deixa uma impressão de solução de última hora e não condiz muito com o tom que o filme vinha apresentando até então.

O Homem do Lado (El Hombre de al Lado), de Mariano Cohn, Gastón Duprat. Argentina, 2009. 101 minutos. Mostra Foco Argentina

Nota: 7,0

Terça Depois do Natal


Mais um exemplo de que não é preciso inventar muito para se fazer bom cinema. Com um argumento simples e até mesmo prosaico, este longa romeno conquista justamente por trabalhar com competência em cima da simplicidade. Bom roteiro, boas atuações e boa direção de atores, mais ou menos o que mestre Woody Allen vem fazendo há décadas. Na primeira cena, vemos um casal apaixonado na cama. Através dos diálogos, percebemos que ele, Paul, é casado e tem uma filha. A moça a seu lado é Raluca, sua amante há seis meses. O Natal se aproxima, época sempre complicada para os que amam ilicitamente, e uma série de impasses e incidentes pressionam Paul a tomar uma decisão entre continuar com a esposa Adriana ou assumir sua paixão por Raluca.

OK, você já leu um argumento assim milhões de vezes. E provavelmente acha que ele resulta num filme apelativo, cheio de lágrimas e maniqueísmos, mas não é o caso. O mais contundente em Terça Depois do Natal é sua firme determinação em não vilanizar nenhum personagem. Raluca não é uma jovem destruidora de lares, Paul não é um galinha inconsequente e Adriana não é uma megera que empurrou o marido para os braços da amante. E quando se tem personagens tão humanos, o espectador fica sem saber como reagir, porque sabe que não há um “partido” a ser tomado. Nem mesmo para Paul, que, via de regra, seria o único com uma escolha, as coisas se revelam tão simples. Isso fica claro na cena em que ele finalmente toma sua decisão (não, não vou revelar qual) e logo a seguir diz que não está certo de querer aquilo. Econômico em suas situações, verdadeiro em seus diálogos e com um desfecho preciso, Terça Depois do Natal é mais uma boa surpresa vinda da Romênia, país que não tem nos decepcionado na sétima arte. Que venham mais filmes de lá.

Terça Depois do Natal (Marti, Dupa Craciun), de Radu Muntean. Romênia, 2009. 99 minutos. Mostra Expectativa 2010

Nota: 8,5

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O Segredo da Rua Ormes


Yannick é calouro do curso de cinema e acaba de se mudar quando está andando de bicicleta pela pacata Rua Ormes do título e leva um tombo feio. Machucado e com o celular avariado, pede para usar o telefone da casa da família Beaulieu e acaba sequestrado pelo patriarca Jacques Beaulieu, um psicopata que se considera portador da missão divina de punir os injustos. Yannick torna-se prisioneiro da casa onde também vivem a esposa submissa Maude, a filha adolescente Michelle e a caçula Anne, criança seriamente abalada pela insanidade familiar. Jacques vê-se num impasse: não quer matar Yannick porque ele não é um dos seus “injustos”, mas tampouco pode deixá-lo ir embora. Jogador invencível de xadrez, por fim resolve educar o rapaz através de suas repetidas vitórias e, assim, provar que está certo.

Um interessantíssimo painel da loucura familiar, baseado na sempre polêmica discussão sobre a subjetividade da justiça. Jacques não se considera um marginal e sim um pai de família que educa as filhas dentro de estritos códigos morais norteados por sua regra de ouro: matar apenas os maus e, mesmo assim, sem aplicação de violência desnecessária. Civilizado, não? Lembra, sob vários aspectos, a personagem de Catherine Keener em Um Crime Americano, que também se julgava justa e sustentava estar apenas educando sua vítima. É a presença de Yannick que põe em perigo essa fantasia e faz com que cada um dos Beaulieu, incluindo o próprio Jacques, questione os alicerces daquela estrutura familiar.

Mas se Yannick altera a harmonia dos Beaulieu, em contrapartida também é afetado pela convivência forçada com Jacques e sua retórica sobre vencedores e perdedores. Com o tempo, não basta para Yannick saber que aquilo é errado; ele precisa que Jacques o admita. Precisa dobrá-lo, superá-lo, algo que nunca conseguiu com o próprio pai. É esse desdobramento que coloca o longa num patamar acima, indo além do mero jogo de gato e rato e embarcando numa viagem psicológica mais profunda. O duelo entre os ótimos Marc-André Grondin (do cultuado C.R.A.Z.Y.) e Normand D’Amour em torno do tabuleiro de xadrez, numa clara menção ao clássico de Bergman O Sétimo Selo, é muito bem conduzido, aumentando progressivamente o suspense por aqueles jogos de vida e morte conforme a sanidade mental de Yannick também é posta em xeque. É uma pena que a direção tenha se excedido um pouco conforme o filme se aproxima do desfecho, transformando a parte final em um freak show um pouco desnecessário.

O Segredo da Rua Ormes (5150, Rue des Ormes), de Éric Tessier. Canadá, 2009. 106 minutos. Mostra Expectativa 2010

Nota: 8,0

Protektor


Um interessante filme sobre os limites entre proteção e privação de liberdade. Na Tchecoslováquia de 1939, conhecemos a atriz Hana e seu marido Emil. Ela é uma estrela em ascensão no cinema e ele, um radialista de segundo escalão. Emil morre de ciúmes da esposa e dos homens que gravitam à sua volta. Quando o país é ocupado pelo exército alemão e anexado ao Reich, a carreira promissora de Hana é subitamente interrompida devido à sua ascensão judaica. Já Emil é promovido e se torna colaborador do regime. A princípio, a contragosto, como um modo de proteger Hana, mas logo ele se transforma na grande voz da propaganda nazista no rádio.

Vale notar que Emil, mesmo não partilhando dos dogmas nazistas, se orgulha da fama alcançada através de sua retórica em favor do regime. Os papéis invertem-se, agora é ele quem dá autógrafos enquanto Hana fica trancada dentro de casa. O personagem é retratado como um apolítico, um alienado, que não dá a mínima bola para o fato de estar colaborando com um governo que restringe as liberdades individuais e manda os indesejados para a morte. Também Hana passa a impressão de estar preocupada apenas com si própria e com sua queda de prestígio e não propriamente com o que vem acontecendo em seu país. Com personagens egoístas e até mesmo infantis, Protektor faz um bom painel do cidadão comum, preocupado com seu pequeno mundinho. O perigo de usar personagens egoístas em um filme com temática assim é o espectador não conseguir se importar muito com o destino deles, mas, de todo modo, é uma abordagem diferenciada para um assunto que costuma se dividir sempre entre grandes heróis e vilões absolutos.

Protektor (idem), de Marek Najbrt. República Tcheca, 2009. 100 minutos. Mostra Expectativa 2010

Nota: 7,0

terça-feira, 28 de setembro de 2010

King’s Road


Depois de três anos afastado da família, Junior regressa à Islândia com o amigo Rupert, na esperança de conseguir com o pai dinheiro para saldar suas dívidas. Ao encontrar a família, é mal-recebido e descobre que o pai rico e pão-duro está morando há vários meses em um acampamento de trailers juntamente com a nova esposa Sally e que sua avó Maria agora anda pra cima e pra baixo com uma foca empalhada como animal de estimação.

Essa pequena sinopse não dá conta da quantidade de tipos e situações surreais mostrados no filme. A tal King’s Road, um fim de mundo de dar dó, é povoada de gente estranha por todos os lados. Tem o sujeito que dá uma de guarda trânsito e faz questão de atravessar as pessoas, mesmo não tendo nenhum tráfego na região. Tem os amigos hippies de Maria, que passam o dia fumando trancados dentro de um carro. E o próprio Junior e seu misterioso amigo-amante (o docinho Daniel Brühl, para minha surpresa e alegria) tem uma relação esquisitíssima e todos os parentes parecem achar normalíssimo os dois dormindo abraçadinhos de cueca.

King’s Road é o segundo longa do islandês Valdis Óskarsdottir, montador de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, dentre outros. O maior problema do filme é atirar em direções demais e não centralizar a trama em nada muito específico. No final das contas, a despeito de apresentar uma série de sequências divertidas em isolado, o longa acaba não tendo um bom fio condutor a uni-las. Um filme curioso, é verdade, mas que fica parecendo um festival de esquetes com algumas cenas muito engraçadas e outras nem tanto.

King’s Road (Kóngavegur), de Valdis Óskarsdottir. Islândia, 2010. 99 minutos. Mostra Expectativa 2010

Nota: 6,0

Água Fria do Mar


Aimeudeus, mais um daqueles filmes que fazem você maldizer a hora em que escolheu justamente aquela sessão dentre tantas opções. Por que, oh, por quê? A sinopse até sugeria algo interessante, vejam bem: um jovem casal segue de carro para a costa do Pacífico quando encontra uma menina que diz ser órfã e ter fugido do tio que a molestava. Eles não sabem o que fazer e deixam para decidir na manhã seguinte, mas, ao acordarem, constatam que a menina sumiu e que a praia está repleta de cobras venenosas, expulsas do mar por uma corrente marítima.

Parece um suspense, certo? Errado. Desde o princípio vemos que a menina não é órfã e está mentindo e que, na verdade, sua família está acampada perto dali. Travessura de criança entediada, pelo menos não há nada no filme que sugira o contrário. O tal jovem casal está em crise, aparentemente causada pela intromissão dos pais de ambas as partes, o rapaz tem uma casa a vender e a mocinha passiva se sente entediada e parece ter problemas de incontinência, mas, enfim, nada disso cria nenhum conflito ou ponto de interesse e as duas vertentes da história (se é que se pode chamar isso de história) seguem em paralelo, tendo como interseção apenas o breve encontro da menina com o casal. Mas o fato deles terem se conhecido não leva a lugar nenhum.

E as cobras? Bom, as cobras tampouco tem algo a acrescentar a uma trama onde nada está acontecendo mesmo. Estranho mesmo é observar na ficha técnica que o filme é uma co-produção envolvendo cinco países. Tanta gente envolvida para isso?

Água Fria do Mar (Agua Fría de Mar), de Paz Fábrega. Costa Rica / FRA / ESP / Holanda / MEX, 2009. 83 minutos. Première Latina

Nota: 1,0

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Errante


Quando você acha que já viu muita coisa ruim, aparece um filme para te desmentir completamente. O Errante não apenas é a coisa mais deprimente vista neste Festival, como também um dos piores filmes que eu vi na minha vida. O filme tem uma hora e vinte minutos, talvez porque nenhum ser humano suportaria mais tempo de algo tão chato e desprovido de interesse. A história (?) gira em torno de Isaac, filho único de uma família judia ortodoxa. Isaac tem sérios problemas de comunicação não apenas com os pais, mas com o mundo. Um problema de saúde o preocupa, assim como a pressão dos pais para que ele se case e constitua família, e ele passa os dias perambulando pelas ruas, sem rumo (daí ele ser “o errante”, oh, que original). E o filme basicamente é isso, Isaac anda e depois bebe água (por causa do problema de saúde), aí anda mais um pouco e fura o sapato, bebe mais água, depois o pai lhe dá sapatos apertados, mas ele continua andando e bebendo água... Achou chato? Imagine eu, que assisti. Quando o diretor tenta inserir algum conflito na história, já em seus minutos finais, o resultado é ainda pior e o que se vê na tela são algumas cenas bem grotescas. Resta apenas saber como esse exemplo de péssimo cinema conseguiu ser selecionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes deste ano.

O Errante (Ha’Meshotet), de Avishai Sivan. Israel, 2010. 86 minutos. Mostra Expectativa 2010

Nota: 0

A Woman, a Gun and a Noodle Shop


Eu não sabia bem o que esperar dessa refilmagem chinesa de Gosto de Sangue, o primeiro longa dos irmãos Coen. Melhor, tinha uma vaga e equivocada idéia, com base nos filmes mais recentes de Zhang Yimou, como Herói, O Clã das Adagas Voadoras e A Maldição da Flor Dourada. Ou seja, um filme sério, com muitas lutas e um visual imponente. Tudo isso tornou ainda maior minha surpresa diante desta maravilhosa comédia tresloucada.

Wang é o dono da lojinha de macarrão do título e vive no seu pequeno feudo com a mulher que comprou há dez anos (considerando sua aparência jovem, façam as contas) e seus funcionários. Insensível e tirano, Wang maltrata a mulher e passa meses sem pagar os empregados, embora tenha fortunas em seu cofre. A mulher inicia um caso com Li, um dos cozinheiros, e compra uma arma de um mascate. Ao mesmo tempo, Wang, ciente da traição, paga um policial para assassinar os dois e sumir com os corpos. Mas cada um dos envolvidos tem seu próprio plano e todos querem encontrar um modo de pôr as mãos no dinheiro.

Em primeiro lugar, não se trata bem de um remake de Gosto de Sangue. O filme é mais uma paródia ao universo dos manos Coen, com seus personagens bizarros e planos infalíveis que dão completamente errado, mas no geral tem um tom muito mais próximo de outros filmes deles, como Queime Depois de Ler. No lugar do caipira do meio-oeste americano, habitantes de uma província desértica na China imperial (o período não fica bem definido, mas o fato do revólver ser uma novidade joga a trama para o século XIX). Também sobram várias referências ao western americano, ao film noir e ao cinema como um todo, em um festival de esculhambação sem fim. E tudo isso sem deixar de lado as características visuais do cinema de Zhang Yimou, como a fotografia de cores fortes e a direção de arte caprichada. Tem uma cena dos empregados preparando macarrão como se fossem ninjas que, inclusive, soa como uma autoparódia a seus filmes mais sérios. O ritmo do longa é crescente, tornando a trama cada vez mais ágil, surreal e engraçada. Sobretudo, é um filme que não tem medo do ridículo e, com isso, alcança o patamar da genialidade.

Infelizmente, minha recomendação chega tarde, já que A Woman, a Gun and a Noodle Shop teve sessões apenas no primeiro final de semana do Festival. Mas fiquem de olhos bem abertos para a repescagem, porque a fita é imperdível.

A Woman, a Gun and a Noodle Shop (San Qiang Pai An Jing Qi), de Zhang Yimou. Hong Kong / China, 2010. 95minutos. Mostra Panorama do Cinema Mundial

Nota: 10

domingo, 26 de setembro de 2010

Sinopse do Ano


Todo Festival tem aquele título criativo ou aquela sinopse tão absurdamente estranha que deixa todo mundo louco para assistir ao filme em questão. Esse ano, com toda certeza, o prêmio de sinopse mais bizarra vai para um filme francês chamado Rubber (sim, isso mesmo, "borracha"). Vejam só:

"Em algum lugar do deserto californiano, um pneu telepático acorda subitamente para uma missão demoníaca, isto é, assassinar todos os seres que vir pela frente. Os habitantes da região assistem incrédulos aos crimes cometidos por esta espécie de serial killer das rodovias, que sente-se misteriosamente atraído por uma bela jovem. Em paralelo, uma investigação é lançada."

Rubber tem sessões previstas entre os dias 2 e 5 de outubro e seus ingressos ainda não estão liberados para venda. Torçamos para que a fita chegue a tempo, já que dificilmente haverá nova oportunidade para que o cinéfilo carioca a veja. Detalhe: o filme foi exibido este ano em Cannes, da Semana da Crítica.