sábado, 11 de janeiro de 2014

Azul Resplendor


Depois de uma temporada em São Paulo, chega ao Teatro Sesc Ginástico Azul Resplendor. A peça, que estreou na última quinta-feira, também marca a comemoração dos 60 anos de carreira e 80 de vida de Eva Wilma. Para tanto, nada mais referencial do que aniversariar interpretando uma grande diva, uma espécie de Norma Desmond dos palcos. O texto do dramaturgo peruano Eduardo Adrianzén foi descoberto pelos diretores Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas durante um projeto por eles empreendido entre 2008 e 2009 que visava justamente incentivar o intercâmbio entre as dramaturgias de língua espanhola e portuguesa. 

Blanca Estela, a personagem de Eva Wilma, é uma grande atriz que se afastou de seu ofício sem explicações há mais de 30 anos. Sozinha, amargurada e esquecida pelo público, Blanca não consegue resistir à tentação quando é procurada por Tito Tápia, ator sem talento que passou a maior parte da vida cuidando da mãe doente e fazendo pontas inexpressivas no teatro e na TV. Mas Tito agora escreveu uma peça e tem um milhão de dólares para patrociná-la, o que finalmente lhe dá coragem para procurar Blanca, confessar seu amor platônico e convidá-la para ser a protagonista de seu espetáculo.

A estrela aceita, desde que a peça seja dirigida por um nome de peso. É então que entra em cena o incensado e vaidoso Antônio Balaguer, que tem ideias no mínimo discutíveis sobre teatro e, principalmente, autopromoção. O espetáculo investe na ironia metalinguística, que ganha muita força com a aparição deste personagem. Aliás, o elenco é um dos pontos fortes de Azul Resplendor: embora Eva brilhe como protagonista, todos os integrantes do elenco têm boas oportunidades de momentos-solo. Reina em cena a harmonia entre veteranos como Eva Wilma e Renato Borghi (em substituição a Pedro Paulo Rangel)  e atores de gerações mais recentes como Dalton Vigh, Luciana Borghi, Luciana Brites e Felipe Guerra. Especialmente interessante é a construção de Vigh: em um papel completamente diverso dos galãs que a TV costuma lhe impor, o ator apresenta uma inesperada veia cômica como o diretor ambicioso que passa por cima de tudo e todos não em nome da arte e sim visando novas polêmicas que o deixem cada vez mais famoso, temido e adorado.


O cenário funcional de André Cortez e a iluminação precisa de Lúcia Chediek ajudam a dar dinamismo à montagem bacana concebida por Borghi e Seixas. Por outro lado, o texto de Adrianzén não consegue evitar uma desnecessária guinada para o melodrama na parte final. O tom da peça, que até então primava pela ironia e fazia correlações bem divertidas com personagens que estamos acostumados a ver no meio artístico, ganha cores dramáticas que parecem um pouco em dissonância com o que vinha sendo apresentado até então. Um adendo dramático que enfraquece não apenas o texto esperto e cheio de frescor, mas também toda a energia do espetáculo.  

Em todo caso, vale a pena conhecer esse belo exemplo de dramaturgia sul-americana, além de prestigiar Eva e o afinado elenco nessa crítica ao falso vanguardismo e à pseudo-intelectualidade que permeiam o meio artístico como uma praga moderna.


Serviço:
Teatro Sesc Ginástico
De quarta a domingo às 19h
Ingressos a R$ 40,00 (sexta a domingo) e R$30,00 (quarta e quinta)
Até 23 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ajuste de Contas


Dois boxeadores rivais até a medula e que aguardam há trinta anos uma revanche que finalmente decidirá quem é o melhor. Cada um perdeu uma única luta na carreira, e foi para o outro. A oportunidade surge somente quando eles estão velhos e fora de forma, mas ambos querem provar que ainda podem recuperar um pouco do brilho e dignidade do passado. Parece familiar a sinopse? Não poderia ser diferente, já que o argumento remete a tantos filmes sobre o universo do boxe. Mas é justamente por isso, por contar com a memória do público sobre o esquema deste tipo de filme, que a comédia Ajuste de Contas funciona tão bem.

Henry “Razor” Sharp e Billy “The Kid” McDonnen são interpretados por Sylvester Stallone e Robert De Niro, o que por si só já é divertido, já que Stallone está desde sempre ligado à imagem de Rocky Balboa e De Niro tem como um de seus mais célebres personagens o boxeador Jake La Motta de Touro Indomável, papel que inclusive lhe rendeu um Oscar. Não faltam piadas referenciais, como, por exemplo, o momento em que o treinador interpretado por Alan Arkin diz a Razor que bater na carne seria anti-higiênico. O filme não se limita a ironizar a carreira dos seus protagonistas e fazer piada sobre a idade avançada dos mesmos, mas também tira sarro de toda aquela fórmula dos filmes de luta que fizeram tanto sucesso na década de 80. Sobram farpas até mesmo para manias mais recentes, como os torneios de MMA.

Stallone já vinha há tempos apostando na autoparódia como alternativa à sua imagem consolidada, a boa surpresa é ver que também um grande ator como Robert De Niro sabe rir de si mesmo. É bem verdade que De Niro vinha participando de muitas comédias nos últimos anos (a maioria delas bastante dispensável), mas talvez estivesse faltando justamente esta pitada de autodeboche. Vale lembrar que no ano anterior vimos o astro em outro filme que ironizava os seus trunfos do passado: A Família, de Luc Besson, trabalhava no mesmo esquema referencial, só que com os papéis de mafioso do ator.


O longa conta com a direção eficiente e discreta de Peter Segal, que estava longe do cinema desde Agente 86 (2008). O elenco de apoio é outro trunfo, com destaque para Kevin Hart como o empresário que quer tirar o pé da lama e se desvincular da imagem do pai trapaceiro e Alan Arkin como o treinador Louis “Lightning” Conlon – mais um daqueles tipos falastrões, desbocados e sarcásticos que o ator sabe criar tão bem. Outra curiosidade é ver Jon Bernthal, mais conhecido como o Shane do seriado The Walking Dead, como o filho desgarrado de Kid. Ótimo também o pequeno Camden Gray, o neto. Impagável o momento em que ele diz ao avô que é estranho chamá-lo de “Kid” (garoto) por ele ser velho.

Ajuste de Contas é uma boa comédia, que entretém do começo ao fim e sabe tirar partido da obviedade presente na maioria dos filmes que focam em histórias de superação para fazer rir. Aliás, não deixem de acompanhar os créditos finais do filme, sob pena de perder uma das mais piadas mais engraçadas. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

American Horror Story vai ao circo em 2014


A terceira temporada ainda está pela metade, mas já estão circulando pela rede algumas imagens sobre o tema da quarta temporada de American Horror Story. Depois de lidar com casas mal-assombradas, hospitais psiquiátricos, alienígenas e bruxaria, parece que a série em 2014 mergulhará no universo das aberrações de circo. Aguardemos mais detalhes!



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Melhores de 2013


O Artes & Subversão encerra as atividades de 2013 com a lista dos 10 filmes mais bacanas (nossa opinião, ninguém é obrigado a concordar) que passaram pelas telonas brasileiras neste ano tão rico para a sétima arte. Apesar de ter sido feita uma lista com os destaques do primeiro semestre, o segundo foi tão mais intenso que a solução foi "zerar" tudo e partir para uma nova classificação. Sem mais ressalvas, ei-los:

1 - A Grande Beleza (La Grande Bellezza, Itália)
2 - Antes da Meia-Noite (Before Midnight, EUA)
3 - Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d'Adele, Chapitre 1 & 2, França)
4 - Gravidade (Gravity, EUA)
5 - Blue Jasmine (idem, EUA)
6 - Salvo (idem, Itália)
7 - Um Estranho no Lago (L'Inconnu du Lac, França)
8 - César Deve Morrer (Cesare Deve Morire, Itália)
9 - A Caça (Jagten, Dinamarca)
10 - Invocação do Mal (The Conjuring, EUA)

Voltamos com novidades no início de janeiro. Até lá!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Filme brasileiro fora do Oscar; nove seguem na disputa

A Grande Beleza: filme italiano desponta cada vez mais como favorito

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou há pouco a famosa “pré-lista” com os nove filmes que ainda estão na disputa por uma das cinco vagas para o Oscar 2014 de melhor filme em língua estrangeira. Como já era de se esperar em um ano com tantos concorrentes de peso, o candidato brasileiro (O Som ao Redor) ficou de fora. Seguem na disputa A Grande Beleza (Itália), Alabama Monroe (Bélgica), A Caça (Dinamarca), A Imagem Que Falta (Camboja), Two Lives (Alemanha), Um Episódio na Vida de um Catador de Ferro Velho (Bósnia), O Grande Mestre (Hong Kong), The Notebook (Hungria) e Omar (Palestina). Outra ausência muito sentida foi a do iraniano O Passado, o que talvez se explique pelo fato do país ter levado esse prêmio há apenas dois anos com um filme do mesmo cineasta (A Separação). Os cinco finalistas serão conhecidos junto com os demais indicados no dia 16 de janeiro de 2014.

Um Estranho no Lago


Este é, com certeza, um dos filmes mais surpreendentes do ano. No bom sentido. O diretor Alain Guiraudie ambienta a trama toda nas proximidades de um lago frequentado predominantemente por homens que buscam sexo casual – o que se convencionou classificar “lugar de pegação”. Franck se interessa por Michel, mas ele está acompanhado. Na intenção de revê-lo, Franck passa a frequentar o lago diariamente e acaba fazendo amizade com o solitário Henri, que, curiosamente, procura somente amizade. Até que finalmente Michel se diz desimpedido e Franck tem a oportunidade de ficar com ele, mas começa a desconfiar de que o homem por quem está se apaixonando pode ser alguém muito perigoso.

O incrível neste filme é como Guiraudie (que também assina o roteiro) cria uma teia complexa de relacionamentos, situações e personagens tendo não somente um cenário único, mas também situando toda a história em uma ambientação de encontros casuais. Cada personagem é delineado de modo muito claro e completo, envolvendo o espectador numa atmosfera de suspense e expectativa como poucos filmes conseguem fazer. É um filme que ultrapassa qualquer rótulo reducionista de “filme gay” para se firmar como um retrato perturbador do que Freud classificou como pulsão de morte. E o mais legal é que isso é feito com muito bom humor, mesclando a tensão que pontua a trama central com algumas situações hilárias – destaque absoluto para o voyeur sem noção. Ao final da projeção fica a dúvida se havia algum resquício de moralismo nas entrelinhas, mas a conclusão não importa. Afinal, bons filmes sempre geram algum tipo de debate.


Por fim, é preciso fazer um aviso aos mais conservadores: o longa é repleto de cenas pra lá de explícitas, com direito a muito sexo e até closes de partes de íntimas. Selecionado para a mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2013, Um Estranho no Lago venceu um prêmio de melhor direção que havia acabado de ser criado para a mostra. Também foi eleito o melhor filme do ano pela conceituada publicação francesa Cahiers du Cinema. Portanto, o espectador que não se deixar paralisar pela abordagem crua e direta do filme só tem a ganhar.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A Grande Beleza


Depois de realizar um longa em inglês (Aqui É o Meu Lugar, estrelado por Sean Penn), o cineasta italiano Paolo Sorrentino retorna à terra natal em grande estilo com esse filme que vem sendo considerado um olhar atualizado sobre aquela geração italiana que se esbaldou na “doce vida” retratada por Federico Fellini. A comparação até procede, mas A Grande Beleza tem identidade própria e seus incontáveis méritos não estão em absoluto atrelados ao filme de Fellini.

O filme é centrado na perspectiva do protagonista Jep Gambardella sobre a vida noturna de Roma, que se confunde com sua própria trajetória pessoal. Jornalista, escritor de um único romance e boêmio em tempo integral, Jep acaba de completar 65 anos e se encontra em um momento de reflexão sobre as escolhas feitas e as oportunidades perdidas ao longo de sua vida. Em torno dele, gravita toda uma fauna de celebridades instantâneas, pseudo-intelectuais, novos-ricos, nobres decadentes, religiosos pop stars, artistas, prostitutas, políticos corruptos, enfim, um caldeirão esfuziante de personagens envoltos em uma aura mística que transita entre o sonho e o pesadelo em uma cidade que apaixona e consome quem nela habita.


A Grande Beleza, assim como a Roma mostrada na tela, inebria todos os sentidos: sem que o espectador se dê conta, logo estará irremediavelmente cativo e refém da poesia das tomadas deslumbrantes, dos diálogos cínicos e inteligentes, da atmosfera de sedução e, sobretudo, da interpretação magnética de Toni Servillo – simplesmente o melhor ator italiano em atividade. A visão sarcástica e, ao mesmo tempo, cheia de afeto de Sorrentino se reflete na dicotomia entre cenas da mais doce poesia (como a tomada onde a nobre falida escuta uma gravação sobre si mesma em um museu) e momentos de pura acidez, nos quais o diretor não poupa ninguém e ironiza o jogo de aparências de toda uma sociedade. Poucos filmes retratam uma cidade de modo tão extremo como este: a Roma de Sorrentino é tão assustadoramente bela que pode ser terrível, perigosa, mortífera – como o canto da sereia. Conforme bem define a emblemática sequência inicial, beleza em excesso pode ser fatal.

O filme foi exibido em competição no Festival de Cannes deste ano e acabou saindo de lá sem a Palma de Ouro (que ficou com o francês Azul é a Cor Mais Quente), mas vem ganhando cada vez mais admiradores desde então. Depois disso, foi o grande vencedor do European Film Awards e já é considerado favorito para o Oscar de melhor filme em língua estrangeira. Vale dizer que A Grande Beleza é merecedor de todo e qualquer reconhecimento, por se tratar de um daqueles raros casos de filme que transcende o entretenimento para alcançar o status de obra de arte. Desde já, um clássico!

Eu e Você


Resolve-se nesta sexta uma das grandes novelas do circuito nacional: a chegada aos cinemas do mais recente longa de Bernardo Bertolucci, Eu e Você. O filme, que originalmente estava programado para estrear em abril, vinha sendo deixado de lado desde então, a ponto de ter sido incluído no Festival do Rio. Agora parece que sobrou espaço para ele no circuito. Alguns detalhes extratela fazem deste filme um momento particular na carreira do cineasta italiano. Primeiro, por ser o primeiro filme que ele dirigiu depois dos sucessivos problemas de saúde que terminaram por colocá-lo em uma cadeira de rodas; segundo, porque Bertolucci, que sempre demonstrou vocação em ser um cineasta do mundo e uma especial predileção pela França, volta a filmar no próprio país, a partir do famoso romance homônimo de seu conterrâneo Niccolò Ammaniti.

Eu e Você (Io e Te, no original) é centrado em Lorenzo, um adolescente retraído que precisa sempre justificar para os pais o fato de preferir estar sozinho e não ser como os outros garotos de sua idade. No intuito de agradar à mãe, Lorenzo concorda em participar de uma excursão da escola, mas depois tem uma ideia melhor: a de munir-se de refrigerante, videogame e quadrinhos, dentre outros mimos, e esconder-se durante toda a duração do passeio no porão de seu próprio prédio, desse modo dando vazão à sua própria concepção de férias ideais.


Considerando a expectativa, Eu e Você acaba decepcionando, em especial àqueles que leram o comovente livro de Ammaniti, autor que é muito contundente quando se volta para temas tão próprios do universo juvenil como a incomunicabilidade e as dores do crescimento (é também ele o autor do excelente Eu Não Tenho Medo, levado às telas em 2003). Pois bem. O livro é repleto de luta interior, sentimento de inadequação e impotência. Só que aquela radiografia precisa de um menino assombrado por suas dúvidas e incertezas e que povoa de modo tão vívido a história original parece muito diluída e até mesmo pobre de significado nas telas. Especialmente discutível foi a ideia de suavizar o desfecho original, decisão ainda mais inexplicável pelo detalhe do próprio Niccolò Ammaniti ter sido um dos quatro roteiristas. Ou não, pode ser que a pouca personalidade do roteiro derive justamente do fato dele ter passado por oito mãos.

Noves fora, as deficiências sentidas não fazem de Eu e Você um produto ruim. É mais uma sensação de potencial desperdiçado, de algo que poderia ser marcante e acabou resultando apenas “bonitinho”. Mas, no todo, é um filme ao qual se assiste com prazer, especialmente se considerarmos outras produções recentes destinadas ao público jovem.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação de Smaug


Com a chegada de dezembro, nos preparamos para assistir a mais um filme de Peter Jackson. Foi assim entre 2001 e 2003 e voltamos a adquirir este hábito no ano passado. Os três filmes de O Hobbit – ciclo que será encerrado somente em dezembro do ano que vem – narram os acontecimentos que antecedem a trama de O Senhor dos Anéis e têm como protagonista Bilbo Baggins, o tio de Frodo. No longa anterior, vimos como Gandalf convence o pacato Bilbo a partir em uma aventura e integrar a comitiva de Thorin Escudo de Carvalho, rei dos anões que pretende recuperar seu reino sob a montanha. Algumas gerações antes, eles haviam sido expulsos do reino depois que sua riqueza e excessiva ostentação atraíram a cobiça do dragão Smaug. Neste segundo segmento, retomamos a busca pela pedra sagrada em poder de Smaug que possibilitaria que Thorin voltasse a reinar. Para tanto, eles contam com as habilidades do pequeno e furtivo Bilbo.

O maior entrave para a fluência não apenas deste filme, mas de toda a trilogia, se resume a isso: Peter Jackson pegou mania de fazer filmes com três horas de duração até quando não há necessidade nenhuma disso. Enquanto os três episódios de O Senhor dos Anéis eram uma sensata adaptação de uma saga literária que se estendia ao longo de mais de mil páginas, a trilogia da qual este filme é o segmento central tem como ponto de partida um único livro – é bem verdade que ultimamente também as editoras andam fazendo edições de luxo e desmembrando o livrinho, mas na origem ele era bem fino. Mas voltemos a Peter Jackson, que resolveu transformar esta introdução à saga dos anéis em outra franquia milionária. Resultado: além de cenas esticadas além do necessário, há sequências inteiras que estão ali somente para engordar a metragem do filme. Ainda que Jackson realize tudo isso com competência e esmero visual, é difícil não perceber que a trama não possui recheio para tanto.


Porém sejamos justos: para um filme com tão pouco a narrar, O Hobbit é bem sucedido em impor um ritmo bacana à sua longa projeção. O espectador não terá nenhuma dificuldade em passar duas horas e quarenta minutos entretido pelo visual estonteante (que se torna ainda mais caprichado pelo bom uso do 3D) e pela adrenalina que permeia as cenas de batalha. Também o elenco segura a onda do filme e a atenção do espectador. O grande acerto sem dúvida foi a escalação do britânico Martin Freeman para o papel de Bilbo, ator versátil e que vinha sendo muito elogiado como o Watson da minissérie da BBC Sherlock. Também Richard Armitage faz bonito como Thorin, o rei dos anões, enquanto ter Sir Ian McKellen como Gandalf é um luxo que dispensa explicações. Os demais atores do elenco cumprem bem seus papéis ou, pelo menos, não atrapalham.

Resumindo, não deixa de ser curioso perceber que a grande deficiência do filme vem de algo que, na verdade, não vemos na tela: a falta de bom senso de Peter Jackson na fase de concepção do projeto. Em todo caso, considerando-o como entretenimento ou espetáculo visual, o filme vale o ingresso.


Saem indicações ao Globo de Ouro 2014

Está uma beleza a lista de indicados ao Globo de Ouro! Na liderança das categorias cinematográficas, 12 Anos de Escravidão, Gravidade e American Hustle. Já o segmento televisivo segue dominado por Breaking Bad e Downton Abbey. No mais, as poucas surpresas foram positivas, como a lembrança das atrizes Greta Gerwig e Julie Delpy. Está certo que ter Frances Ha e Antes da Meia-Noite inscritos como comédia é forçar a barra, mas pelo menos elas conseguiram suas indicações – o que dificilmente ocorreria se as atrizes estivessem na “briga de cachorro grande” da categoria drama. O mesmo se pode dizer de Daniel Brühl, protagonista rebaixado a coadjuvante para cavar uma (merecida) indicação. No mais, é sempre bom ver que o excelente Nebraska vem ganhando força nas premiações e que a categoria filme em língua estrangeira está primando pela excelência do cinema internacional.

A cerimônia, que acontecerá no dia 12 de janeiro, será apresentada pelas comediantes Tina Fey e Amy Poehler. Já o prêmio Cecil B. de Mille (que homenageia a carreira e contribuição ao cinema) desta vez vai para Woody Allen – resta saber se ele comparecerá para recebê-lo.

Confiram os indicados:

Cinema

O favorito Chiwetel Ejiofor em cena de 12 Anos de Escravidão

Filme – Drama
12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips
Gravidade
Philomena
Rush: No Limite da Emoção

Filme – Musical ou Comédia
American Hustle
Ela
Inside Llewyn Davis
Nebraska
O Lobo de Wall Street

Ator – Drama
Chiwetel Ejiofor, por  12 Anos de Escravidão
Idris Elba, por Mandela: Long Walk To Freedom
Tom Hanks, por Capitão Phillips
Matthew McConaughey, por Dallas Buyers Club
Robert Redford, por All Is Lost

Ator – Musical ou Comédia
Christian Bale, por American Hustle
Bruce Dern, por Nebraska
Leonardo DiCaprio, por O Lobo de Wall Street
Oscar Isaac, por Inside Llewyn Davis
Joaquin Phoenix, por Ela

Atriz – Drama
Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Sandra Bullock, por Gravidade
Judi Dench, por Philomena
Emma Thompson, por Saving Mr. Banks
Kate Winslet, por Labor Day

As indicadas Cate Blanchett e Sally Hawkins em cena de Blue Jasmine: Cate leva o prêmio; Sally dificilmente

Atriz – Musical ou Comédia
Amy Adams, por American Hustle
Julie Delpy, por Antes da Meia-Noite
Greta Gerwig, por Frances Ha
Julia Louis-Dreyfus, por À Procura do Amor
Meryl Streep, por Álbum de Família

Ator Coadjuvante
Barkhad Abdi, por Capitão Phillips
Daniel Brühl, por Rush: No Limite da Emoção
Bradley Cooper, por American Hustle
Michael Fassbender, por 12 Anos de Escravidão
Jared Leto, por Dallas Buyers Club

Atriz Coadjuvante
Sally Hawkins, por Blue Jasmine
Jennifer Lawrence, por American Hustle
Lupita Nyong'o, por 12 Anos de Escravidão
Julia Roberts, por Álbum de Família
June Squibb, por Nebraska

Direção
Alfonso Cuarón, por Gravidade
Paul Greengrass, por Capitão Phillips
Steve McQueen, por 12 Anos de Escravidão
Alexander Payne, por Nebraska
David O. Russell, por American Hustle

Roteiro
Spike Jonze, por Ela
Bob Nelson, por Nebraska
Jeff Pope and Steve Coogan, por Philomena
John Ridley, por 12 Anos de Escravidão
Eric Warren Singer and David O. Russell, por American Hustle

Trilha Sonora
All Is Lost
Mandela: Long Walk to Freedom
Gravidade
The Book Thief
12 Anos de Escravidão

Canção Original
Atlas, Coldplay (por Jogos Vorazes: Em Chamas)
Let It Go, Idina Menzel (por Frozen)
Ordinary Love, U2 (por Mandela: Long Walk to Freedom)
Please Mr. Kennedy, Oscar Isaac, Justin Timberlake and Adam Driver (por Inside Llewyn Davis)
Sweet Than Fiction, Taylor Swift (por One Chance)


Toni Servillo em cena de A Grande Beleza: a concorrência é forte, mas o longa italiano deve vencer

Filme em Língua Estrangeira
Azul é a Cor Mais Quente (França)
A Grande Beleza (Itália)
A Caça (Dinamarca)
O Passado (Irã)
Vidas ao Vento (Japão)

Melhor Animação
Os Croods
Meu Malvado Favorito 2
Frozen

TV

Bryan Cranston e Breaking Bad: favoritos

Série – Drama
Breaking Bad
Downton Abbey
The Good Wife
House of Cards
Masters of Sex

Série – Comédia
The Big Bang Theory
Brooklyn 99
Girls
Modern Family
Parks and Recreation

Ator em Série – Drama
Bryan Cranston, por Breaking Bad
Liev Schreiber, por Ray Donovan
Michael Sheen, por Masters of Sex
Kevin Spacey, por House of Cards
James Spader, por The Black List

Atriz em Série – Drama
Julianna Margulies, por The Good Wife
Tatiana Maslany, por Orphan Black
Taylor Schilling, por Orange is the New Black
Kerry Washington, por Scandal
Robin Wright, por House of Cards

Ator em Série – Comédia
Jason Bateman, por Arrested Development
Don Cheadle, por House of Lies
Michael J. Fox, por The Michael J. Fox Show
Jim Parsons, por The Big Bang Theory
Andy Samberg, por Brooklyn 99

Atriz em Série – Comédia
Zooey Deschanel, por New Girl
Lena Dunham, por Girls
Edie Falco, por Nurse Jackie
Julia Louis-Dreyfus, por Veep
Amy Poehler, por Parks and Recreation

Minissérie ou Telefilme
American Horror Story: Coven
Behind the Candelabra
Dancing on the Edge
Top of the Lake
White Queen

Ator em Minissérie ou Telefilme
Matt Damon, por Behind the Candelabra
Michael Douglas, por Behind the Candelabra
Chiwetel Ejiofor, por Dancing on the Edge
Idris Elba, por Luther
Al Pacino, por Phil Spector

Atriz em Minissérie ou Telefilme
Helena Bonham Carter, por Burton and Taylor
Rebecca Ferguson, por The White Queen
Jessica Lange, por American Horror Story: Coven
Helen Mirren, por Phil Spector
Elisabeth Moss, por Top of the Lake

Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme
Josh Charles, por The Good Wife
Rob Lowe, por Behind the Candelabra
Aaron Paul, por Breaking Bad
Corey Stoll, por House of Cards
Jon Voight, por Ray Donovan

Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme
Jacqueline Bisset, por Dancing on the Edge
Janet McTeer, por White Queen
Hayden Panettiere, por Nashville
Monica Potter, por Parenthood
Sofia Vergara, por Modern Family