terça-feira, 13 de maio de 2008

P.S. Eu Te Amo


Alguns filmes caem no gosto das pessoas e isso faz com que elas ignorem todos os seus defeitos. Não tem jeito. P.S. Eu Te Amo, que está chegando ao mercado de DVD, teve péssima recepção por parte da crítica e ótima perante o público.

Holly Kennedy é casada com o amor de sua vida: Gerry, um irlandês engraçado, intenso e impetuoso. Quando ele morre aos 35 anos, devido a um tumor cerebral, Holly mergulha numa forte depressão. Até que, no dia de seu aniversário de 30 anos, ela recebe um bolo acompanhado de uma fita que Gerry gravou antes de morrer. Nela, ele exige que ela saia para se divertir e adverte que enviará periodicamente cartas com instruções que ela deve seguir sem hesitar. A partir daí, Holly passa a receber cartas onde Gerry a incentiva a tomar novos rumos na vida, viver aventuras e se redescobrir. Em comum, o fato de todas as mensagens terminarem com “P.S. Eu Te Amo”.

Um filme com um título ridículo desses já é motivo para me deixar ressabiada - e nem adianta culpar os distribuidores, porque a tradução do original é literal. Mas tudo bem, às vezes as aparências enganam. Não foi o caso. P.S. Eu Te Amo é bastante problemático e confuso em suas intenções: tenta fazer graça e ser profundo emocionalmente e fracassa em ambos os caminhos. O roteiro parece um daqueles exercícios de curso de inglês, de “preencha as lacunas”, como se seguisse uma lista pré-determinada de situações que costumam acontecer em filmes românticos. Não há um desenvolvimento psicológico dos personagens. Num momento, Holly está arrasada, sem querer tomar banho nem falar com ninguém. Aí o marido morto diz numa fita que ela precisa se divertir no seu aniversário e dali a pouco ela já está bebendo todas e requebrando numa boate gay. Quem faria uma coisa dessas, considerando que seu desespero fosse genuíno?

Mas a pouca plausibilidade não é o único defeito do filme, que se alonga nas tais cartas que parecem nunca terminar de chegar. De novo, a sensação incômoda de que o roteiro está cumprindo etapas e seguindo fórmulas manjadíssimas. Enquanto isso, a protagonista vai fazendo tudo que o defunto manda: pagar mico no karaokê, viajar, comprar roupa nova. Peraí, é um filme ou uma gincana? Ao redor da viúva sonâmbula, completam o time os tipos mais estereotipados: a sogra que implica com o genro até depois de morto; a amiga que diz que gosta de usar os homens, mas está doida para casar; o cara atrapalhado e rude que, no fundo, é gente boa... e por aí vai.

Hilary Swank, grande atriz e dona de dois Oscars, tem que administrar melhor sua carreira. Não bastasse ter trabalhado em Colheita do Mal - um dos piores filmes do ano passado -, a atriz ainda completa a dose com este aqui que, se não chega a ser um desastre tão grande, obviamente está muito aquém do calibre de uma atriz talentosa como ela. Detalhe: o diretor Richard LaGravanese e Hilary haviam acabado de trabalhar juntos em Escritores da Liberdade – outro fiasco que saiu direto em DVD aqui no Brasil. Por que ela insiste nessa parceria? Gerard Butler, ainda colhendo os louros do rei Leônidas de 300, é outro que podia ter dispensado esse cachê, apesar do papel de irlandês falastrão e incrivelmente charmoso ter lhe caído como uma luva – Butler é, na verdade, escocês. Resumindo: atores bem escalados e belas paisagens irlandesas é o que podemos apontar de positivo em P.S. Eu Te Amo. E isso é muito pouco para que um filme funcione.

sábado, 10 de maio de 2008

Homem de Ferro



Confesso que demorei um pouco para assistir a Homem de Ferro porque antipatizei com o trailer. Me pareceu um filme barulhento e excessivamente pirotécnico, desses que mandam alguma coisa pelos ares a cada cinco minutos. Sem contar que essa massificação cinematográfica em torno dos personagens da Marvel me cansa um pouco. A má notícia é que o filme confirma essa minha primeira impressão. A boa é que, apesar disso, consegue ser um entretenimento bem agradável.

O milionário Tony Stark é o maior fornecedor de armas do governo americano e um gênio em termos de mecânica, robótica e invenções bélicas. Quando não está em seu laboratório, vive uma rotina de drinques, festas e belas mulheres das quais ele não lembra o nome no dia seguinte. Mas sua vida muda quando, durante uma viagem ao Afeganistão, ele é capturado por um grupo de extremistas. Com o corpo cheio de estilhaços de granada que se alojam perto de seu coração, Tony é salvo por um outro cativo que cria um engenhoso sistema que liga seu coração a uma bateria. Os terroristas querem obrigar Tony a construir uma poderosa arma, mas ele consegue enganá-los e usa seu conhecimento e o arsenal deles para criar uma armadura que permite que ele empreenda uma fuga espetacular. De volta aos Estados Unidos, ele aperfeiçoa a invenção e decide dar um novo rumo às indústrias Stark. Mas sua crise de consciência vai de encontro a poderosos interesses.

Uma decisão que sempre me pareceu no mínimo temerária foi ter no comando do longa o ator de segundo escalão Jon Favreau, cuja experiência como diretor até então se resumia à aventura teen Zathura (2005) e alguns trabalhos esparsos para a TV. E vamos ser sinceros: nem analisando seu currículo como ator, alguém poderia prever algo. Afinal, o cara é sempre o amigo engraçadinho de alguém nos filmes. Mas Favreau conseguiu realizar um filme competente, bem acima da média – vide tosquices como Quarteto Fantástico.

Mas o grande diferencial de Homem de Ferro para seus similares não está na direção nem nos efeitos especiais e sim em seu protagonista, Robert Downey Jr. O ator finalmente deixou para trás aquela fase obscura em que aparecia mais no noticiário policial do que no cinematográfico e vem retomando uma carreira que era considerada brilhante até ele se afundar em drogas. Como Tony Stark, ele consegue equilibrar com charme e carisma as facetas de um herói imperfeito e egocêntrico.

Bem coadjuvado por Terrence Howard e um irreconhecível Jeff Bridges e tendo como interesse romântico uma Gwyneth Paltrow especialmente bonita, Downey faz barba, cabelo e bigode na tela. O filme é dele, do primeiro ao último fotograma. Que bom. A sétima arte agradece. Ainda mais considerando que nesse gênero de produção ter bons atores à frente do elenco costuma ser considerado supérfluo. Tudo bem que o nível de absurdo é imenso e, em certas passagens, Tony Stark faz o McGyver parecer um amador, mas a pirotecnia não chega a ultrapassar o apelo humano do personagem.

Homem de Ferro assumiu a liderança das bilheterias brasileiras em seu primeiro fim de semana em cartaz, ultrapassando um milhão de espectadores em dez dias. Além disso, o filme detém, até o momento, o posto de maior bilheteria em seu fim de semana estréia de 2008 (611 mil espectadores), desbancando Eu Sou a Lenda (525 mil).

Uma dica para os apressadinhos: aguardem o final dos créditos. A cena adicional é um petisco para os que esperam notícias sobre o aguardado filme dos Vingadores.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Across the Universe


Certas idéias são tão boas que a gente se pergunta porque ninguém as havia concretizado antes. As canções dos Beatles retratam de maneira muito direta - e, por isso mesmo, genial - o que era ser jovem nos anos 60. São perfeitas para pontuar uma história de amor passada nessa época de tantas revoluções. Mas, até então, os únicos filmes feitos com trilha exclusiva dos Beatles foram os que o próprio quarteto realizou. Um dos entraves certamente se deve à questão dos direitos das músicas (aquela velha disputa entre Michael Jackson e Paul McCartney). Enfim, é complicado. Mas Julie Taymor, responsável pela versão para a Broadway de O Rei Leão, conseguiu realizar essa façanha de criar um musical original utilizando somente músicas dos Beatles. Após uma passagem-relâmpago por nossos cinemas em dezembro do ano passado, chega às locadoras Across the Universe.

A trama é ambientada nos turbulentos anos 60. Jude, um jovem estivador de Liverpool, embarca para a América em busca de um pai que ele nunca conheceu. Chegando lá, faz amizade com o rico e rebelde Max, que o convence a acompanhá-lo a Nova Iorque, onde eles se deparam com o início dos protestos contra a guerra do Vietnã, ao mesmo tempo em que a contracultura e o rock fazem a cabeça da juventude engajada. Em meio ao caos, Jude se apaixona por Lucy, irmã de Max. Mas são tempos radicais e o envolvimento de Lucy com um grupo de ativistas começa a distanciá-la do pacato Jude.

Bom, só pelo nome dos protagonistas já dá para sacar duas das canções que serão usadas. Mas não é só na trilha sonora que o universo dos Beatles está presente. Sobram menções nos diálogos e nas imagens. Exemplos? O logotipo que Jude desenha para uma gravadora é um morango, numa dupla referência: à Apple (maçã, morango, é tudo fruta), gravadora do grupo, e também à canção Strawberry Fields Forever. Existe uma ótima cena em que os personagens cantam Don’t Let me Down no alto de um prédio que é uma referência explícita ao show-surpresa no telhado do prédio da Apple, que rolou até a polícia chegar e acabar com a festa – o U2 também já havia reverenciado o evento no clipe de Where the Streets Have no Name. E os Beatles não são os únicos homenageados: a cantora Sadie e o guitarrista Jo-Jo são praticamente clones de Janis Joplin e Jimmi Hendrix. E, diga-se de passagem, que presença e voz tem a atriz Dana Fuchs. Também é divertida a pequena participação de Bono Vox como um guru meio picareta que acaba de lançar um livro intitulado I am the Walrus.


O roteiro vai além de usar canções dos Beatles para contar a história: a trama é que parece ter sido construída para se encaixar nas 33 canções que permeiam o filme. Pouco importa se a história de amor de Jude e Lucy é lugar-comum, mesmo porque é difícil olhar um musical por essa ótica racional. Os números são incríveis, dá vontade de cantar junto. O contexto em que algumas músicas são usadas também é criativo. Certamente Lennon e McCartney nunca imaginaram que a inocente I Wanna Hold Your Hand seria cantada por uma cheerleader lançando olhares de desejo para outra garota. O único senão da parte musical é que Evan Rachel Wood deixa um pouco a desejar como cantora. Em compensação, Jim Sturgess é muito bom. O ator tem um timbre parecido com o de Paul McCartney – talvez ele até tenha forçado a barra para isso, mas o resultado ficou ótimo – e um ar de garotão inglês que lembra Ewan McGregor em início de carreira. Outro aspecto interessante é o modo como o filme apresenta a diferença de culturas e classes sociais no início. Vemos Jude num típico bairro operário inglês e Lucy no universo do high school americano. Basta um olhar para reconhecer onde está cada um.

Across the Universe - assim como Hairspray - é daquele tipo de filme que conquista já na abertura. Numa praia deserta, Jude canta com melancolia os primeiros versos de Girl. Ele pensa em Lucy e a imagem da garota, misturada a cenas de protesto, ganha a telona ao mesmo tempo em que os acordes da sensacional Helter Skelter começam a tocar. É de arrepiar. Um dos melhores filmes do ano. Desafio o espectador a chegar em casa e resistir a ouvir um CD dos rapazes de Liverpool.

Speed Racer



Quem está em torno dos quarenta certamente se lembra de Speed Racer, a famosa animação criada pelo japonês Tatsuo Yoshida que narra as aventuras do garoto prodígio que arrasa ao volante do carrinho vermelho e branco batizado de Mach 5. Estréia nesta sexta a versão em carne e osso do desenho, que também marca o retorno à direção dos irmãos Wachowski. Apesar de terem produzido o excelente V de Vingança em 2005, Andy e Larry Wachowski estavam sem dirigir um filme desde o terceiro Matrix (2003). Então a chegada de Speed Racer vem de encontro às expectativas tanto dos fãs do desenho como da dupla de cineastas.

Filho de um projetista de carros de corrida e irmão de um corajoso piloto, Speed Racer é fascinado pelas corridas desde criança. Na escola, devaneia pensando em carros, adrenalina e velocidade. Logo em suas primeiras corridas, se destaca pelo talento e coragem. Mas tanto Speed como seus pais têm que lidar com as dolorosas memórias de Rex Racer, o irmão mais velho que morreu num trágico acidente na pista. Quando dispensa uma oferta substancial para se unir à poderosa escuderia Royalton, Speed enfurece um desonesto magnata que jura destruir sua carreira. Mas ele acredita que pode vencer as manipulações do esporte com puro talento e, com apoio da família e da namorada Trixie, Speed se lança no rally The Crucible – a perigosa competição através do deserto que tirou a vida de seu irmão.

Os efeitos especiais chamam a atenção, especialmente por seu uso psicodélico. A direção de arte, inspirada nos animes japoneses, é escandalosamente colorida e mescla a estética dos anos 50 com toques futuristas. As impressionantes seqüências de corridas foram criadas através de uma sobreposição de animação computadorizada às cenas gravadas. Aliás, as pistas de corrida mais parecem trilhos de uma montanha-russa. Outro destaque é o visual da fábrica do vilão, que lembra bastante alguns dos delírios criativos de Willy Wonka em A Fantástica Fábrica de Chocolate.

O elenco é bacana. Emile Hirsch, que personifica o arrojado protagonista, já mostrou em Na Natureza Selvagem que vem se desenvolvendo como ator e não apenas como astro. A ótima Christina Ricci comparece como Trixie, a esperta namoradinha, e ainda temos o auxílio luxuoso de Susan Sarandon e John Goodman como os pais. O garoto Paulie Litt diverte como Gorducho, o irmão inconveniente que se mete em todo tipo de confusão com o chimpanzé de estimação Zequinha. Também os fãs do seriado Lost devem gostar de ver o bonitinho Matthew Fox na pele do misterioso Corredor X. Enfim, fica difícil imaginar um elenco melhor e mais diversificado.

Os realizadores do longa fizeram uma escolha: direcioná-lo ao público infanto-juvenil. Embora tal opção possa decepcionar um pouco os fãs graúdos, é preciso respeitar a abordagem escolhida. Afinal de contas, fica bem claro para o espectador que o modo como o filme foi concebido foi uma opção deliberada e não ineficácia acidental. A pergunta que me fiz, terminada a projeção, foi: “o que eu acharia deste filme se tivesse 12 ou 13 anos?”. Provavelmente, adoraria. Go Speed Racer, go!

Coringa em Casa

Dentro do melhor estilo “negócios à parte”, a Mattel não perdeu tempo e lançou o boneco do Coringa. Baseado na caracterização de Heath Ledger no ainda inédito O Cavaleiro das Trevas, o brinquedo mal chegou nas lojas dos Estados Unidos e já se encontra esgotado. O boneco vem em duas versões – que custam U$ 7,99 e U$ 10,99 – e ambas incluem uma faca de brinquedo.

A família do ator se apressou em divulgar uma nota, declarando que “Heath estava muito orgulhoso de seu trabalho neste filme, e sua família incentiva toda e qualquer divulgação a respeito dele”.

Obviamente, essa estratégia de marketing em torno de um novo Batman – ainda mais depois do êxito de Batman Begins – já seria de se esperar. Mas não se pode negar que o fato do sinistro personagem ter sido o último trabalho do jovem e talentoso ator reveste o filme de uma atmosfera dark que será extremamente benéfica em termos comerciais.

Acredita-se que algumas pessoas estejam comprando o boneco do Coringa para revender depois, já prevendo uma dificuldade de encontrá-lo nas lojas num futuro próximo. O brinquedo ainda não está à venda aqui no Brasil, mas pode ser adquirido em sites americanos, como o E-bay ou o Amazon. Os preços, é claro, sofrem alterações por conta das taxas de importação e frete.

O Cavaleiro das Trevas tem lançamento mundial no dia 18 de julho. Pelo que eu vi no trailer, a performance de Heath promete ser inesquecível. Jack Nicholson que me perdoe, mas tudo indica que este será o Coringa definitivo.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Maria Antonieta


“Se o povo não tem pão, que coma brioches”. A frase, atribuída a Maria Antonieta, entrou para a história como um dos mais notórios símbolos de despotismo e indiferença de um governante para com seu povo. No entanto, pesquisas históricas mostram que muito do que ouvimos falar sobre a princesa austríaca que se tornou rainha da França aos 18 anos e foi decapitada pela Revolução Francesa aos 37 não passa de lenda urbana. Incluindo aí a tão famosa frase, que já havia sido atribuída a outros membros da nobreza pelo menos cem anos antes do reinado de Luís XVI e Maria Antonieta.

Acabei de ler há pouco Maria Antonieta, biografia escrita pela inglesa Antonia Fraser que serviu de base para o filme de Sofia Coppola. A autora realizou uma meticulosa pesquisa, que culminou numa visão completamente diferente e humanizada da personagem. No lugar da vilã absolutista, uma adolescente que, aos catorze anos, é empurrada para um casamento arranjado com um príncipe estrangeiro. Uma mera engrenagem num acordo de boa convivência entre a França e a Áustria. Antonieta sempre foi vista com desconfiança na corte de Versalhes pelo simples fato de ser estrangeira e era chamada desdenhosamente de “a austríaca” pelas costas. Acredita-se, inclusive, que o principal fator para que o tímido Luís XVI tenha levado anos até consumar o casamento tenho sido o pavor que sempre lhe fora incutido a respeito dos “ardilosos” e “malignos” austríacos. Um belo dia, seu avô resolve fazer aliança com os antigos desafetos e, de quebra, lhe arruma uma noiva da dinastia até então odiada. Dá para entender a demora para rolar “um clima” entre o casal.

Inadaptada ao ambiente de intrigas e fofocas e entediada com as rígidas normas cerimoniais, Maria Antonieta realmente tinha como principal passatempo gastar dinheiro e fez do desbunde sua marca registrada. Roupas, festas, caprichos, enfim, o sonho da maioria das adolescentes tornado realidade numa escala descomunal. Mas suas extravagâncias apenas seguiam o ritmo de uma corte exuberante, que não só incentivava como exigia uma rainha resplandecente. Mesmo porque como rainha consorte – e não de direito – sua autonomia era muito reduzida.

Com os ventos da Revolução Francesa soprando cada vez mais fortes, Antonieta passa a simbolizar tudo que o povo odiava na nobreza como um todo. Mais uma vez, sua origem torna mais fácil vilanizá-la. Como a adoração pela monarquia ainda estava muito enraizada nos corações franceses, os cidadãos menos radicais ainda tinham resquícios de afeto e respeito pelo rei. Era mais confortável, então, transformar “a austríaca” numa manipuladora que desvirtuava um rei bem-intencionado. A figura altiva e elegante de Maria Antonieta, em contraste com o gorducho e desajeitado Luís XVI, também ajudava a cristalizar essa imagem. Não que isso tenha ajudado muito o infeliz monarca, que, no final das contas, acabou decapitado antes de sua odiada rainha.

O que as pesquisas de Fraser mostram simplesmente é que ambos eram dois jovens despreparados que tiveram o azar de reinar numa época em que a revolta do povo estava num nível onde a explosão seria inevitável. Bodes expiatórios de um sistema prestes a ruir, apenas as pessoas erradas no momento errado. No livro, um contemporâneo da Revolução ilustra bem o clima da época ao declarar seu espanto com o fato de justamente o rei mais pacífico e bonachão que a França já teve acabar na guilhotina. Vale lembrar que seus antecessores, o absolutista Luís XIV (aquele do “O Estado sou eu”) e o devasso Luís XV, tiveram reinados longos e inquestionados.

Um livro revelador e impactante, com uma linguagem bastante simplificada, que certamente mudará a visão sobre o tema dos que o lerem. E o mais curioso é perceber que a maior parte das intrigas, traições e hipocrisias descritas em Maria Antonieta não são exclusividade da Corte de Versalhes e nem do século dezoito.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Buda e o Budismo


A história do budismo se confunde com a saga de Siddharta Gautama - o Buda. Nascido por volta de 621 a.C. numa região onde hoje encontra-se o Nepal, era filho único do rei da nação Sakya, Suddodana, e da rainha Maya. Logo que o príncipe nasceu, o rei recebeu a visita de um velho sábio que profetizou que seu filho libertaria a humanidade do sofrimento. Mas o rei desejava que seu herdeiro o sucedesse no trono e, assustado com a profecia, fez com que qualquer vestígio de decadência ou dor fossem sempre mantidos longe de Siddharta. Assim, ele cresceu saudável e feliz, ignorando os males da vida. Passava os dias nos palácios de seu pai e desconhecia tudo o que não estivesse ali inserido. Casou-se aos 16 anos com a bela Yasoddhara, e tinha uma vida perfeita. Apesar disso, algo lhe inquietava, e Siddharta desconhecia o porquê de sua insatisfação. Aos 29 anos, um pequeno incidente desencadeou a descoberta de sua vida: ouviu uma canção linda e triste num idioma que desconhecia. Perguntou à Yasoddhara de que se tratava e esta respondeu que falava de terras distantes. Intrigado, indagou se existiam lugares tão belos como ali. Preocupada com a curiosidade do marido, a princesa disse que fora daqueles muros só havia sofrimento. Mas o príncipe não sabia o que era sofrimento e Yasoddhara logo percebeu seu erro, mas já era tarde. Siddharta decidiu que precisava ver o mundo.

O rei havia previsto esse dia e estava preparado: mandou recolher todos os velhos, doentes e pobres para que o filho saísse num luxuoso cortejo. Assim, Siddharta vislumbrava o mundo maquiado por seu pai e estava quase convencido de que sua angústia não tinha razão de ser, quando avistou na multidão dois monstros - pareciam humanos, mas eram tortos e suas peles, enrugadas. O príncipe interrogou seu criado quanto às causas daquela aberração. Channa sabia que não devia responder, mas não se conteve: “São homens, meu senhor. A idade destrói a memória, a beleza e a força.” Ao saber que aquele era o destino de todos, Siddharta abandona o cortejo e sai pelas ruas vendo tudo que lhe fora vedado por toda sua vida. Miséria, doença e, para culminar, um cortejo fúnebre. Tomado por uma dor até então inédita, o príncipe percebe que não poderá ser feliz enquanto não descobrir uma maneira de quebrar aquele ciclo - nascimento, velhice, morte. Ali mesmo, tira suas jóias e pede a Channa que troque de manto com ele. O príncipe dos Sakyas abandona o palácio e sua família e parte em busca de respostas.

O primeiro passo de Siddharta foi se juntar aos ascetas - sábios que acreditavam que a iluminação era resultado de uma severa mortificação do corpo. Ficavam imóveis, não tomavam banho, comiam insetos e bebiam a água da chuva. Siddharta experimentou tais provações, mas compreendeu que aquele não poderia ser o caminho. Um dia, escutou um professor de violino, que dizia a seu aluno: “Se esticar demais ela arrebenta. Se ficar frouxa, você não consegue tocar.” A referência era à corda do instrumento, mas Siddharta compreendeu que era válido para a vida humana também e daí surgiu uma das bases da filosofia budista, o “Caminho do Meio”, ou seja, do mesmo modo que uma vida de excessos é destrutiva, também a mortificação não leva a nada. “Aprender é mudar”, concluiu.

Após seis anos de busca incansável, Siddharta já havia experimentado de todas as religiões e não se satisfazia com nenhuma. Conta a lenda que foi então que sentou-se sob uma figueira, determinado a só se levantar dali quando obtivesse suas respostas. Mara, o deus dos infernos, sabendo que o príncipe estava vivendo sua última encarnação, fez uma última tentativa de afastá-lo do Nirvana e enviou suas cinco filhas para tentá-lo: eram os demônios do orgulho, avareza, medo, ignorância e desejo. Mas nenhuma das inúmeras formas de sedução que usaram fez sequer com que ele abrisse os olhos. Mara então enviou as forças dos elementos - relâmpagos, tempestades, trovões. O príncipe mantinha-se sereno e refugiado na armadura da meditação. Finalmente, o ardiloso Mara tentou confundi-lo com seu reflexo, representando seu ego. Em vão, pois Siddharta acabara de descobrir as Quatro Nobres Verdades. Foi então que, aos 35 anos, tornou-se Buda (o Desperto).

Buda viveu até os 80 anos, dedicado a disseminar sua doutrina por toda a Ásia. Era uma alma errante e seus únicos bens eram seu manto e uma tigela para receber comida. Hoje, passados 2.500 anos, o budismo está presente em todo o Oriente e a cada dia conquista novos adeptos no Ocidente. Em cada país, desenvolveu-se uma nova vertente: Zen (Japão), Tibetano, Ortodoxo (Tailândia), etc.

As Quatro Nobres Verdades

1- A existência do sofrimento. Perder o que amamos, não alcançar o que desejamos, velhice, doença, morte. Não se sofre como punição por algo e sim, porque é condição natural do ser humano;

2- O homem sofre porque deseja e se apega a esses desejos. Seja por não alcançar o objeto de sua cobiça, seja por possuí-lo e ter medo de perder. Não aceita que as coisas vêm e vão e quer retê-las eternamente;

3- O único modo de libertar-se dessa incessante roda de desejos e frustrações é praticar o desapego. Não há nada de errado em desfrutar das coisas boas da vida, desde que se compreenda que elas são impermanentes;

4- A quarta verdade é a própria filosofia budista, o caminho para transcender as correntes do eterno renascimento, cuja conduta se divide em oito de ações que devem ser feitas de modo correto: percepção, pensamento, fala, comportamento, meio de vida, esforço, atenção e concentração.

A Impermanência

O homem está em constante mutação e, ainda assim, tem a ilusão de um “eu”. Constrói uma imagem de si próprio e se agarra a ela. Não existe um “eu” permanente, pois hoje não somos os mesmos que éramos ontem. Vivemos novas experiências, evoluímos, mudamos de opinião. Mas fazemos um esforço enorme para continuar correspondendo ao modelo que escolhemos para nossa vida. Planejamos obsessivamente o amanhã ou nos agarramos ao passado, quando é o presente que mais importa.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A Maldição da Flor Dourada


Outro filme que está chegando às locadoras neste dia 15 é A Maldição da Flor Dourada, nova incursão de Zhang Yimou às artes marciais espetaculares. O cineasta chinês ficou famoso no começo dos anos 90 por seus filmes engajados, sempre a lançar um olhar crítico sobre a condição subserviente da mulher na tradição cultural de seu país. Yimou dirigiu o tocante Lanternas Vermelhas – que narra as desventuras de uma jovem vendida a um homem rico como sua quarta concubina – e também o singelo Nenhum a Menos, mordaz retrato do sistema educacional chinês. Portanto, ainda é com certa estranheza que se vê o fato de Yimou ter realizado não apenas um, mas três filmes seguidos de artes marciais. Os dois primeiros, Herói e O Clã das Adagas Voadoras, estrearam aqui quase simultaneamente em 2005, embora tenham sido rodados com uma diferença de dois anos (2002 e 2004, respectivamente).

Mesmo os que admiram o cinema oriental costumam fazer a ressalva de que, muitas vezes, o brilhantismo estético mascara roteiros pouco eficazes. Por outro lado, um cinema que tem como base a fluidez costuma causar estranheza nas mentes ocidentais. Não é o caso de Herói, cujo incrível visual está entrelaçado com um roteiro inteligente que tem como questão central a subjetividade da verdade. Já O Clã das Adagas Voadoras parte de uma premissa mais simples, o triângulo amoroso, para contar uma história de paixão, traição e juramentos quebrados. Embora inferior a Herói, ainda assim é um belo filme. Mas aí Yimou fez um terceiro e demonstrou que focar sua carreira em longas épicos e grandiosos foi uma decisão com prazo de validade. A Maldição da Flor Dourada é certamente o mais fraco da produção recente do cineasta.

A história se passa na China imperial. Estamos às vésperas do Festival do Crisântemo, ocasião especial em que o Imperador celebra a união familiar. Mas a família real está longe de ser um modelo. A imperatriz mantém há três anos um romance com seu enteado, o príncipe herdeiro, que, por sua vez, corteja em segredo a filha do médico da Corte. Mas o imperador traído não é nenhum inocente e também ele articula planos de vingança malignos. Toda essa batalha de vontades explodirá em tragédia no dia do festival.

A trama confusa e de ares hamletianos deixa muito a desejar e o visual não chega a ser fascinante a ponto de entorpecer o espectador e fazer com que este ignore a fragilidade dramatúrgica do filme. O visual barroco ainda é belo sim, mas em muitos momentos ultrapassa a linha que separa o luxo da breguice. O filme é um similar inferior do eficiente Inimigos do Império - esse sim uma versão de Hamlet assumida. O que A Maldição da Flor Dourada deixa bem claro é que já está na hora de Zhang Yimou abandonar esse estilo, já que podemos notar uma escala descendente em suas três últimas realizações.

Em tempo: acho que vale explicar que o que eu denominei aqui popularmente como "artes marciais" na verdade é uma tradição oriental chamada Wu-Xia, ou seja, histórias épicas onde os lutadores voam, rodopiam no ar, etc.

sábado, 3 de maio de 2008

Eu Sou a Lenda



Já se encontra em pré-venda, com previsão de entrega para o dia 15, o DVD de Eu Sou a Lenda. Esta é a terceira adaptação para o cinema do livro de mesmo título de Richard Matheson, considerado um clássico do horror. A história original se passa em 1976 (tendo sido escrita em 1954) e, nela, pessoas infectadas por uma epidemia viram vampiros. O mesmo ocorre no primeiro filme feito a partir dela, Mortos que Matam (1964). Na segunda versão, A Última Esperança da Terra (1971), em vez de uma epidemia as mudanças genéticas são causadas por uma guerra nuclear e os afetados viram "mutantes albinos". A Warner comprou os direitos do livro de Matheson ainda na década de 70, mas o projeto demorou a sair do papel. Nos anos 90, esteve nas mãos de Ridley Scott e seria protagonizado por Arnold Schwarzenegger, mas acabou engavetado por conta de seu orçamento faraônico.

Esta nova versão se passa em 2012, tendo acontecido a contaminação em 2009. Uma vacina desenvolvida como uma revolucionária cura para o câncer revela-se um vírus mutante que infesta Nova Iorque e, de lá, dissemina-se por todo o planeta. Logo os infectados tornam-se predadores das poucas pessoas que não adoecem e, em três anos, a vida está praticamente extinta na Terra. Robert Neville, virologista militar, é imune à moléstia. Um sobrevivente que vaga solitário numa metrópole abandonada e tem como única companhia a cadela Samantha. Robert envia diariamente mensagens de rádio, na esperança de encontrar outras pessoas, e usa o próprio sangue para tentar descobrir um meio de reverter os efeitos do vírus. Embora tenha a Nova Iorque inteira e seus inesgotáveis suprimentos só para si, Robert tem que tomar a precaução de sempre se recolher à sua fortaleza antes do anoitecer, já que a única coisa que mantém os infectados longe dele é a luz do sol.

A proximidade com os dias de hoje e o fato de associar tal desgraça ao que parecia um avanço da medicina foi uma boa sacada do roteirista Akiva Goldsman. Também é uma opção interessante caracterizar as criaturas de um modo meio indefinido. Os vampiros do original viraram pessoas transformadas e violentas, mas não exatamente bebedores de sangue. A aparência delas é uma deformação da aparência dos humanos, mas não chegam a ser monstros.

Eu Sou a Lenda é bom filme, mesmo lembrando em demasia outras produções do gênero. Chama a atenção principalmente pelo fato de não ser mais um filme apoiado na ação desenfreada. O roteiro enfoca bem a solidão do protagonista e as reações e mecanismos de sobrevivência de um homem que se acostumou a não ter ninguém com quem contar. Daí o comportamento metódico e, ao mesmo tempo, livre de quaisquer convenções. Robert é uma espécie de Robinson Crusoé em plena Manhattan. Outro acerto é o cenário, já que a caracterização de Nova Iorque devastada foge do lugar comum dos filmes-catástrofe. O que vemos na tela é uma cidade abandonada e decaída, porém ainda conservando um certo charme. E também acrescida de animais selvagens, como se a Natureza estivesse pegando de volta o espaço que lhe foi tomado.

A interpretação de Will Smith é muito competente. Sua emoção contida, seu olhar de guerreiro cansado e, sobretudo, o modo como se apega à cadela, fazendo dela sua "Wilson" (lembram da bola de Náufrago?) dão credibilidade à trama. Um erro comum em filmes de terror ou ficção científica é considerar que uma boa interpretação é algo secundário, quando, na verdade, é isso que dá dimensão humana à catástrofe mostrada na tela. E eu só posso ficar imensamente grata à Warner pelo filme não ter sido feito nos tempos do Schwarzenegger.

Curiosamente, o filme decai um pouco quando Robert encontra companhia. Em sua parte final, o longa torna-se aquilo que vinha conseguindo evitar até então: um filme de ação como os outros. Com direito a um desfecho previsível e tudo. Que, aliás, não é igual ao do livro. Mas, ainda assim, é uma produção caprichada e que vai por uma abordagem diferente de outras similares. E que bota uma pulga atrás da orelha do espectador: num futuro não muito distante, seremos predadores de nós mesmos? Ou já somos e falta apenas chegar naquele grau de selvageria?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

As Idas e Vindas de DiCaprio

Leo com Martin Scorsese no set de Os Infiltrados

Leonardo DiCaprio despontou no começo dos anos 90 como grande promessa do cinema mundial. Logo em um de seus primeiros filmes, Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993), foi indicado ao Oscar de melhor coadjuvante. O ator tinha 19 anos e roubava a cena como um jovem deficiente mental de 14 que atormentava a vida do irmão mais velho, interpretado por Johnny Depp. Logo a seguir, escandalizou algumas mentes pudicas ao protagonizar um romance homossexual em Eclipse de Uma Paixão (1995). No ano seguinte, exibiu seu talento emergente num Romeu pós-moderno e psicodélico em Romeu + Julieta, papel que lhe valeu o prestigiado Urso de Prata no Festival de Berlim daquele ano. A julgar por esse ótimo começo, parecia que o jovem de cabelos louros e olhar enviesado estava destinado a ser o maior ator de sua geração.

Mas aí veio um tal Titanic (1997) e a carreira do moço quase foi a pique junto com o navio. Para o bem e para o mal, Leonardo virou febre mundial. De repente, seu rosto estampava dez entre dez revistas destinadas a adolescentes. Só se falava nele, um fenômeno de superexposição poucas vezes visto com tamanha intensidade. Daí para se tornar alguém que não era levado muito a sério - efeito que alguns definem como "maldição Titanic" - foi um pulo. Por aqui, a dicapriomania gerou mais uma das polêmicas de Caetano Veloso, que disse que "devoraria Leonardo DiCaprio, mas no sentido antropofágico". Piada ou não, a curiosa declaração ficou eternizada na canção Eu Te Devoro, de Djavan ("Noutro plano, te devoraria tal Caetano a Leonardo DiCaprio...").

Desesperado em salvar a reputação, DiCaprio investiu no independente A Praia (2000), de Danny Boyle. Sem trocadilho, foi mais um tiro na água. O filme – que acabou famoso tão-somente por ter sido rodado no arquipélago de Phuket, aquele devastado pela tsunami – foi péssimo de crítica e público, culminando numa indicação ao Framboesa de Ouro de pior ator. Honraria duvidosa com a qual Leo já havia sido agraciado dois anos antes, ao ser eleito a pior dupla pelos irmãos gêmeos de O Homem da Máscara de Ferro.

Em 2002, quando o todo-poderoso Martin Scorsese selecionou o ator como seu novo astro preferencial, parecia que finalmente sua carreira iria deslanchar. Mas que nada. Sua atuação em Gangues de Nova Iorque foi, no mínimo, burocrática. E a parceria seguia sem gerar frutos: embora tenha abiscoitado um Globo de Ouro e obtido uma indicação ao Oscar por O Aviador, DiCaprio ainda não convencia. Apesar de já ser homem feito, sempre parecia faltar-lhe uma certa maturidade dramática. Também seu aspecto físico contribuía para limitá-lo a papéis juvenis, tanto que sua melhor interpretação depois de adulto foi justamente como o estelionatário adolescente de Prenda-me Se For Capaz.

Mas nada como uma melhor de três. Na terceira parceria entre DiCaprio e Scorsese, Os Infiltrados, algo mudou. Leonardo DiCaprio finalmente virou homem. E não vai aí nenhum questionamento à sexualidade do rapaz e sim ao seu amadurecimento artístico. Na pele de Billy Costigan, irlandês esquentadinho que não pensa duas vezes antes de arrebentar as fuças de quem atravessar seu caminho, DiCaprio dá show. Sedutor, fortão, sarcástico e, principalmente, muito seguro de si. Somente aos 32 anos, o baby face cresceu e apareceu. A promessa que parecia frustrada se concretiza mais de uma década depois.

Certamente 2006 ficará marcado na vida de Leonardo como o ano em que ele recuperou o tempo perdido. Após arrasar em Os Infiltrados, também atuou incrivelmente bem em Diamante de Sangue. No filme – uma mistura de aventura com drama político – Leo é Danny Archer, um contrabandista de diamantes sul-africano que não mede esforços para pôr as mãos num enorme e raro diamante rosa. E o ator parece muito à vontade como um africâner cheio de disposição e malandragem, com direito a sotaque diferenciado e tudo. Leonardo acumulou duas indicações ao Globo de Ouro e acabou derrotado por si mesmo, ao dividir seus votos e abrir caminho para a vitória de Forest Whitaker com sua explosiva interpretação em O Último Rei da Escócia. No Oscar foi indicado por Diamante de Sangue, embora muita gente considerasse seu trabalho em Os Infiltrados superior, e tal divisão de opiniões acabou favorecendo Whitaker de novo.

Depois do destaque excepcional em 2006, o ator se recolheu. Só lá pelo final de 2008 poderemos vê-lo novamente nas telonas, e mais uma vez em dose dupla. Os novos projetos prometem: um é Revolutionary Road, onde retoma a parceria com Kate Winslet e é dirigido por Sam "Beleza Americana" Mendes; o outro é Body of Lies, novo longa de Ridley Scott com roteiro de William Monahan – o mesmo de Os Infiltrados.

Agora resta esperar para conferir se os anos pares realmente trazem sorte para Leonardo DiCaprio.