sábado, 3 de maio de 2008

Eu Sou a Lenda



Já se encontra em pré-venda, com previsão de entrega para o dia 15, o DVD de Eu Sou a Lenda. Esta é a terceira adaptação para o cinema do livro de mesmo título de Richard Matheson, considerado um clássico do horror. A história original se passa em 1976 (tendo sido escrita em 1954) e, nela, pessoas infectadas por uma epidemia viram vampiros. O mesmo ocorre no primeiro filme feito a partir dela, Mortos que Matam (1964). Na segunda versão, A Última Esperança da Terra (1971), em vez de uma epidemia as mudanças genéticas são causadas por uma guerra nuclear e os afetados viram "mutantes albinos". A Warner comprou os direitos do livro de Matheson ainda na década de 70, mas o projeto demorou a sair do papel. Nos anos 90, esteve nas mãos de Ridley Scott e seria protagonizado por Arnold Schwarzenegger, mas acabou engavetado por conta de seu orçamento faraônico.

Esta nova versão se passa em 2012, tendo acontecido a contaminação em 2009. Uma vacina desenvolvida como uma revolucionária cura para o câncer revela-se um vírus mutante que infesta Nova Iorque e, de lá, dissemina-se por todo o planeta. Logo os infectados tornam-se predadores das poucas pessoas que não adoecem e, em três anos, a vida está praticamente extinta na Terra. Robert Neville, virologista militar, é imune à moléstia. Um sobrevivente que vaga solitário numa metrópole abandonada e tem como única companhia a cadela Samantha. Robert envia diariamente mensagens de rádio, na esperança de encontrar outras pessoas, e usa o próprio sangue para tentar descobrir um meio de reverter os efeitos do vírus. Embora tenha a Nova Iorque inteira e seus inesgotáveis suprimentos só para si, Robert tem que tomar a precaução de sempre se recolher à sua fortaleza antes do anoitecer, já que a única coisa que mantém os infectados longe dele é a luz do sol.

A proximidade com os dias de hoje e o fato de associar tal desgraça ao que parecia um avanço da medicina foi uma boa sacada do roteirista Akiva Goldsman. Também é uma opção interessante caracterizar as criaturas de um modo meio indefinido. Os vampiros do original viraram pessoas transformadas e violentas, mas não exatamente bebedores de sangue. A aparência delas é uma deformação da aparência dos humanos, mas não chegam a ser monstros.

Eu Sou a Lenda é bom filme, mesmo lembrando em demasia outras produções do gênero. Chama a atenção principalmente pelo fato de não ser mais um filme apoiado na ação desenfreada. O roteiro enfoca bem a solidão do protagonista e as reações e mecanismos de sobrevivência de um homem que se acostumou a não ter ninguém com quem contar. Daí o comportamento metódico e, ao mesmo tempo, livre de quaisquer convenções. Robert é uma espécie de Robinson Crusoé em plena Manhattan. Outro acerto é o cenário, já que a caracterização de Nova Iorque devastada foge do lugar comum dos filmes-catástrofe. O que vemos na tela é uma cidade abandonada e decaída, porém ainda conservando um certo charme. E também acrescida de animais selvagens, como se a Natureza estivesse pegando de volta o espaço que lhe foi tomado.

A interpretação de Will Smith é muito competente. Sua emoção contida, seu olhar de guerreiro cansado e, sobretudo, o modo como se apega à cadela, fazendo dela sua "Wilson" (lembram da bola de Náufrago?) dão credibilidade à trama. Um erro comum em filmes de terror ou ficção científica é considerar que uma boa interpretação é algo secundário, quando, na verdade, é isso que dá dimensão humana à catástrofe mostrada na tela. E eu só posso ficar imensamente grata à Warner pelo filme não ter sido feito nos tempos do Schwarzenegger.

Curiosamente, o filme decai um pouco quando Robert encontra companhia. Em sua parte final, o longa torna-se aquilo que vinha conseguindo evitar até então: um filme de ação como os outros. Com direito a um desfecho previsível e tudo. Que, aliás, não é igual ao do livro. Mas, ainda assim, é uma produção caprichada e que vai por uma abordagem diferente de outras similares. E que bota uma pulga atrás da orelha do espectador: num futuro não muito distante, seremos predadores de nós mesmos? Ou já somos e falta apenas chegar naquele grau de selvageria?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

As Idas e Vindas de DiCaprio

Leo com Martin Scorsese no set de Os Infiltrados

Leonardo DiCaprio despontou no começo dos anos 90 como grande promessa do cinema mundial. Logo em um de seus primeiros filmes, Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993), foi indicado ao Oscar de melhor coadjuvante. O ator tinha 19 anos e roubava a cena como um jovem deficiente mental de 14 que atormentava a vida do irmão mais velho, interpretado por Johnny Depp. Logo a seguir, escandalizou algumas mentes pudicas ao protagonizar um romance homossexual em Eclipse de Uma Paixão (1995). No ano seguinte, exibiu seu talento emergente num Romeu pós-moderno e psicodélico em Romeu + Julieta, papel que lhe valeu o prestigiado Urso de Prata no Festival de Berlim daquele ano. A julgar por esse ótimo começo, parecia que o jovem de cabelos louros e olhar enviesado estava destinado a ser o maior ator de sua geração.

Mas aí veio um tal Titanic (1997) e a carreira do moço quase foi a pique junto com o navio. Para o bem e para o mal, Leonardo virou febre mundial. De repente, seu rosto estampava dez entre dez revistas destinadas a adolescentes. Só se falava nele, um fenômeno de superexposição poucas vezes visto com tamanha intensidade. Daí para se tornar alguém que não era levado muito a sério - efeito que alguns definem como "maldição Titanic" - foi um pulo. Por aqui, a dicapriomania gerou mais uma das polêmicas de Caetano Veloso, que disse que "devoraria Leonardo DiCaprio, mas no sentido antropofágico". Piada ou não, a curiosa declaração ficou eternizada na canção Eu Te Devoro, de Djavan ("Noutro plano, te devoraria tal Caetano a Leonardo DiCaprio...").

Desesperado em salvar a reputação, DiCaprio investiu no independente A Praia (2000), de Danny Boyle. Sem trocadilho, foi mais um tiro na água. O filme – que acabou famoso tão-somente por ter sido rodado no arquipélago de Phuket, aquele devastado pela tsunami – foi péssimo de crítica e público, culminando numa indicação ao Framboesa de Ouro de pior ator. Honraria duvidosa com a qual Leo já havia sido agraciado dois anos antes, ao ser eleito a pior dupla pelos irmãos gêmeos de O Homem da Máscara de Ferro.

Em 2002, quando o todo-poderoso Martin Scorsese selecionou o ator como seu novo astro preferencial, parecia que finalmente sua carreira iria deslanchar. Mas que nada. Sua atuação em Gangues de Nova Iorque foi, no mínimo, burocrática. E a parceria seguia sem gerar frutos: embora tenha abiscoitado um Globo de Ouro e obtido uma indicação ao Oscar por O Aviador, DiCaprio ainda não convencia. Apesar de já ser homem feito, sempre parecia faltar-lhe uma certa maturidade dramática. Também seu aspecto físico contribuía para limitá-lo a papéis juvenis, tanto que sua melhor interpretação depois de adulto foi justamente como o estelionatário adolescente de Prenda-me Se For Capaz.

Mas nada como uma melhor de três. Na terceira parceria entre DiCaprio e Scorsese, Os Infiltrados, algo mudou. Leonardo DiCaprio finalmente virou homem. E não vai aí nenhum questionamento à sexualidade do rapaz e sim ao seu amadurecimento artístico. Na pele de Billy Costigan, irlandês esquentadinho que não pensa duas vezes antes de arrebentar as fuças de quem atravessar seu caminho, DiCaprio dá show. Sedutor, fortão, sarcástico e, principalmente, muito seguro de si. Somente aos 32 anos, o baby face cresceu e apareceu. A promessa que parecia frustrada se concretiza mais de uma década depois.

Certamente 2006 ficará marcado na vida de Leonardo como o ano em que ele recuperou o tempo perdido. Após arrasar em Os Infiltrados, também atuou incrivelmente bem em Diamante de Sangue. No filme – uma mistura de aventura com drama político – Leo é Danny Archer, um contrabandista de diamantes sul-africano que não mede esforços para pôr as mãos num enorme e raro diamante rosa. E o ator parece muito à vontade como um africâner cheio de disposição e malandragem, com direito a sotaque diferenciado e tudo. Leonardo acumulou duas indicações ao Globo de Ouro e acabou derrotado por si mesmo, ao dividir seus votos e abrir caminho para a vitória de Forest Whitaker com sua explosiva interpretação em O Último Rei da Escócia. No Oscar foi indicado por Diamante de Sangue, embora muita gente considerasse seu trabalho em Os Infiltrados superior, e tal divisão de opiniões acabou favorecendo Whitaker de novo.

Depois do destaque excepcional em 2006, o ator se recolheu. Só lá pelo final de 2008 poderemos vê-lo novamente nas telonas, e mais uma vez em dose dupla. Os novos projetos prometem: um é Revolutionary Road, onde retoma a parceria com Kate Winslet e é dirigido por Sam "Beleza Americana" Mendes; o outro é Body of Lies, novo longa de Ridley Scott com roteiro de William Monahan – o mesmo de Os Infiltrados.

Agora resta esperar para conferir se os anos pares realmente trazem sorte para Leonardo DiCaprio.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Zona do Crime


Volta e meia, filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite causam polêmica. Muitas pessoas não gostam de ver as mazelas sociais ampliadas na telona, numa típica atitude de empurrar para baixo do tapete a feiúra de nosso sistema social. Mas, a julgar pelo filme mexicano Zona do Crime, não estamos sozinhos. Não que isso sirva de consolo.

La Zona é mais que um luxuoso condomínio da Cidade do México: é uma espécie de universo paralelo, onde todos vivem uma utopia em comum. Cercados por muros altíssimos e vigiados por todos os ângulos, os moradores se sentem protegidos da violência que assola o chamado mundo exterior. Mas um incidente abala a autoconfiança desses privilegiados: três jovens delinqüentes conseguem penetrar no condomínio e, durante uma tentativa de assalto a uma das residências, uma moradora é morta. Alertados por uma empregada que consegue fugir do local, os seguranças exterminam dois dos três criminosos. O terceiro, um garoto de apenas dezesseis anos, foge. Como estão acostumados a fazer suas próprias leis dentro daqueles muros, uma assembléia de moradores decide omitir o acontecido da polícia e perseguir o terceiro assaltante por seus próprios meios.

Apesar de se passar na capital mexicana, a trama de Zona do Crime guarda diversas semelhanças com a realidade brasileira: descrédito das autoridades perante a população, levando à criação de milícias ou justiceiros particulares; corrupção e omissão do poder público; tendência dos ricos a se "fecharem" dentro de condomínios, etc. Tanto isso é verdade que algumas pré-estréias do longa, seguidas de debate, têm acendido discussões pra lá de acaloradas. Por um lado, os moradores de condomínio não gostam nem um pouco de se ver retratados como fascistas e insensíveis; por outro, a população de áreas carentes está cansada de ser sempre retratada como delinqüente no cinema.

O tema de um grupo de pessoas que pretende resolver seus medos simplesmente se afastando da civilização já foi mostrado, por outra abordagem, em A Vila. Mas enquanto o filme de M. Night Shyamalan tinha uma proposta mais simbólica, Zona do Crime transborda crueza e realidade. Também é significativo notar o quão frágil é a paz que os moradores do condomínio pensam ter. Porque basta que ocorra um único crime para que todo o sistema social do qual eles tanto se orgulham venha abaixo.

A votação em que uma assembléia de representantes eleitos decide fazer justiça com as próprias mãos é uma grande piada, já que apenas serve de pretexto para que eles identifiquem as pessoas que pensam de modo diferente - qualquer semelhança com regimes militares não é mera coincidência. Logo, percebe-se que o inimigo vai além do jovem ladrão. Inimigo é qualquer um que ouse se opor à voz da maioria. Também é revoltante como, na visão deles, a vida de um cidadão "de fora" não tem valor algum.

A filmografia anterior do diretor e roteirista mexicano Rodrigo Plá se resume a dois curtas. Neste seu primeiro longa, Rodrigo recebeu uma indicação ao Goya de melhor roteiro adaptado. Um reconhecimento merecido a um belo e corajoso trabalho. Vamos ficar de olhos nos próximos passos desse rapaz, porque tudo indica que acaba de surgir um novo talento na sétima arte.

A única ressalva que faço ao filme é quanto à inadequação do título em português que, em sua ânsia de manter algo do original, acaba soando como um filme no estilo Bruce Willis. Zona do Crime estréia hoje nos cinemas. Confiram!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Todas as Faces de Thelmo Fernandes

Quem freqüenta teatro no Rio, mesmo que não seja muito assíduo, já teve oportunidade de ver Thelmo Fernandes no palco. Com 41 anos de idade e 17 de carreira, o ator tem mais de 50 peças em seu extenso currículo, que inclui tipos tão variados como o divertido João Grilo de O Auto da Compadecida, o travesti Geni de A Ópera do Malandro e, atualmente, o truculento Creonte de Gota D’Água. Em 1986, Thelmo ingressou na faculdade de informática da UFRJ. Também entrou para um grupo de teatro amador e descobriu que levava jeito para representar. Já em um de seus primeiros trabalhos, Ah, Se Eu Fosse Rei, ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Teatro de São Matheus (ES) e o prêmio de ator-revelação no Festival de Teatro do Liceu do Rio. Seguiu com a faculdade, embora admita, entre risos, que tenha "começado a tirar notas péssimas". A profissionalização como ator ocorreu em 1991, através do curso da Escola de Teatro Martins Pena. Em 1995, conheceu Tanah Corrêa, que trabalhava com Antônio Abujamra na companhia Os Fodidos Privilegiados e o convidou para fazer parte da irreverente trupe, fundada quatro anos antes:

- "Foi aí que eu entrei na companhia e comecei a trabalhar com aquela pessoa louca e genial que era o Abujamra. (...) Ele dava material para as pessoas, elas dirigiam uma cena e, quando ele achava legal, incorporava ao espetáculo. Aí o João Fonseca fez uma cena do romance O Casamento, de Nelson Rodrigues, e mostrou para o Abujamra. Ele disse que estava tão legal que a gente podia fazer um espetáculo."

O Casamento foi aceito no Festival de Teatro de Curitiba, onde foi um grande sucesso, e ganhou os prêmios Shell de direção e figurino. Depois vieram O Auto da Compadecida, A Resistível Ascensão de Arturo Ui e Tudo no Timing, que ficou anos em cartaz e lhe deu uma indicação ao Prêmio IBEU de melhor ator. Mas estar há doze anos na companhia – hoje dirigida por João Fonseca – não impede que Thelmo trabalhe com outros diretores. Em 2001, retornou ao universo rodrigueano dirigido por Marcus Alvisi em O Beijo no Asfalto. Em 2003, quis o destino que o ator tivesse a oportunidade de conquistar um dos grandes papéis da festejada montagem de A Ópera do Malandro:

- "Eles me chamaram para fazer um dos malandros, o Philip Morris. Eu comecei a ensaiar, mas aí pintou um convite para fazer uma peça com o Luís Fernando Guimarães, e era uma proposta muito boa. Como a gente só tinha ensaiado uma semana, eu conversei com o Charles (Charles Möeller, um dos diretores) e ele entendeu que era uma oportunidade muito bacana. Só que já tinha um esquema de prováveis substitutos e tinham me escalado para a Geni. Mas eu não tinha ensaiado, nem lido o texto. Aí eu fui, mas a peça do Luís Fernando atrasou e na terça-feira da semana da estréia da Ópera me ligaram, dizendo que o Sandro Christopher teve um problema de saúde e que precisariam de mim para estrear como a Geni dentro de dois dias. Aí eu fiquei mudo! Depois falei tá bom, mas falei porque não dava para dispensar uma oportunidade dessas."

O pânico inicial deu lugar a uma performance tão segura que, restabelecido o titular do papel, foram mantidos os dois atores em dias alternados. Thelmo também participou das duas turnês portuguesas da peça (2005 e 2006). Outros destaques em sua carreira foram O Que Diz Molero e Édipo Unplugged – onde fez o papel do próprio. A coroação dessa trajetória impressionante veio ano passado, com a merecida indicação ao Prêmio Shell de melhor ator por sua performance arrebatadora como o Creonte do musical Gota D’Água. Dirigido por João Fonseca e de volta a um musical de Chico Buarque, dois fatores significativos em sua carreira:

- "Quanto ao processo do Creonte, foi muito especial. Foi um claro amadurecimento na minha relação de trabalho junto ao João Fonseca, o diretor. Nós trabalhamos juntos desde 1996 e desta vez foi um processo absolutamente objetivo e sem ansiedade. Creio que foi por isso que consegui chegar a este resultado do qual me orgulho muito."


Depois de lotar o Teatro Glória por vários meses, a peça reestreou no Carlos Gomes no princípio deste mês. Mas não é só. Thelmo já tem um novo desafio, dessa vez na direção:

- "Estou dirigindo um infantil chamado Um Amor de Espantalho, texto de Elbe de Holanda, junto ao GATIG (Grupo de Artes e Teatro da Ilha do Governador), grupo no qual eu comecei como amador. Recebi um convite deles após terem sido contemplados pelo FATE (Fundo de Apoio ao Teatro). Fiquei muito orgulhoso e feliz e com muito friozinho na barriga, mas está sendo ótimo. Estamos estreando dia 7 de junho na Casa de Cultura Elbe de Holanda na Ilha e em agosto estaremos no Planetário."

Quem não conferiu, ainda está em tempo. Gota D’Água (espetáculo já analisado aqui em 3 de abril) fica em cartaz no Teatro Carlos Gomes até 25 de maio. Quintas e domingos, às 19h; sextas e sábados às 20h.

Os Indomáveis


O mercado de DVD está cada vez mais rápido em seus lançamentos. Menos de três meses após sua passagem pelos cinemas, está chegando às locadoras Os Indomáveis. Ao contrário de Onde os Fracos Não Têm Vez – que reinventa o western usando seus elementos numa trama contemporânea –, Os Indomáveis trilha um caminho contrário: é um western clássico, que segue à risca todas as regras do mais americano dos gêneros. Pistoleiros habilidosos em conflito, um homem bom e corajoso explorado pelos donos da terra, ladrões de trem espertíssimos, xerifes nem tanto, códigos de honra e, é claro, seqüências inverossímeis porém espetaculares.

A história é centrada no embate de vontades entre o fazendeiro Dan Evans e o notório assaltante Ben Wade. Capturado graças a seu incontrolável impulso de Don Juan, Wade não pretende ficar muito tempo nas garras da justiça e sabe que logo seu bando virá libertá-lo. Afundado em dívidas e fracasso, Evans vê no dinheiro oferecido para fazer parte da escolta que porá Wade no tal trem das 3:10 do título original a oportunidade de virar o jogo a seu favor e, de quebra, provar seu valor ao filho adolescente.

Os Indomáveis não é um filme que se propõe a inovar, mas que realiza com eficiência tudo que esperamos de um longa do gênero, dando ao espectador a gostosa sensação de estar voltando às matinês de sua infância. O longa, aliás, é a refilmagem de Galante e Sanguinário (também 3:10 to Yuma no original), filme de 1957 que trazia Glenn Ford no papel de Ben Wade.

Porém há um grande diferencial deste para os filmes de antigamente: o melhor duelo do longa não está na rapidez dos revólveres e sim no jogo de cena impecável entre Russell Crowe e Christian Bale. Crowe está interpretando, e muito bem, seu tipo favorito: o do homem rude porém charmoso, machão até debaixo d’água. Ao contrário da impressão que ele passa em O Gângster (a de estar pouco à vontade no papel), aqui Crowe mostra que nasceu para esse tipo de personagem. Com Christian Bale a história é um pouquinho diferente: versátil em qualquer tipo de papel, Bale não se deixa intimidar pelo personagem menos glamouroso; pelo contrário, transforma seu Dan Evans no herói humano - nobre, porém cheio de falhas - com o qual nos identificamos. Impressionante seu olhar cansado e, ao mesmo tempo, determinado.

Outra coisa que chama a atenção é a ainda curta porém diversificada filmografia do diretor James Mangold. Num período de dez anos, o cara dirigiu - e com competência - coisas totalmente antagônicas, como o policial Cop Land, o drama Garota, Interrompida, a comédia romântica Kate & Leopold, o thriller Identidade e a biografia Johnny & June, além do piloto do seriado televisivo Men in Trees. E, agora, um western. É de tirar o chapéu.

A carreira de Os Indomáveis na telona foi um pouco prejudicada pelo fato do filme ter estreado aqui em fevereiro; ou seja, em meio aos principais candidatos ao Oscar – ao qual concorreu nas categorias som e trilha sonora -, mas o cinéfilo que prestigiar na telinha esse filme novo com jeitão antigo dificilmente se decepcionará. Ainda mais se for numa tarde de domingo e não esquecer a pipoca.

domingo, 27 de abril de 2008

Fôlego


O coreano Kim Ki-Duk tem um estilo bem particular. Seus personagens são sempre pessoas comuns que, motivadas por sentimentos avassaladores, se lançam em atitudes nada convencionais. Foi assim como o belo Casa Vazia e o confuso Time. Fôlego, seu novo trabalho, talvez seja o mais bem-resolvido dos três, por ter a poesia do primeiro e a ousadia estética do segundo. O filme é de um lirismo e criatividade que encantam, mesmo nas passagens em que a história poderia soar incoerente. É um filme para absorver com o espírito, já que decompô-lo com o intelecto poderia fazer com que a trama soasse inverossímil.

Yeon é uma imaginativa e sensível escultora que se sente anestesiada por sua vida aparentemente perfeita. Embora cercada de conforto e beleza, seus dias se resumem a cuidar da casa e da filha. Seu marido é infiel e a trata com tanta indiferença que não consegue perceber nem sua mudança de comportamento ao descobrir a traição. Quando vê no noticiário a história de Jin, um condenado à morte que tentou o suicídio repetidas vezes, Yeon, seguindo um impulso incontrolável, decide visitá-lo. A partir dessa iniciativa, os dois principiam um estranho e cada vez mais sólido relacionamento.

O encontro da jovem desiludida com o assassino e a força do sentimento desesperado que nasce entre esses dois condenados é de uma beleza comovente. O modo como Yeon se empenha em tornar os últimos dias de Jin um resumo de tudo que ela poderia lhe oferecer se a vida os tivesse reunido em condições mais favoráveis é algo que traz a salvação dela também, pois encontrou alguém que aprecia e precisa da sua imaginação que até então estava estagnada.

Yeon transforma a penitenciária e os poucos minutos de visitação num universo mágico, a ponto de recriar as estações do ano e suas sensações. Aquele espaço é apenas deles e ninguém pode penetrá-lo: nem as autoridades, nem o marido relapso, nem as leis da sociedade e muito menos a sentença de morte que irá separá-los definitivamente. É um relacionamento onde ambos vivem o momento, já que estão cientes de não haver futuro. E, quando se perde toda esperança, cada instante de realização conta.

Outro personagem muito interessante e que tem um papel fundamental para que a trama se desenvolva é o funcionário do presídio que deixa que Yeon visite Jin. Quando ela se apresenta como uma antiga namorada, ele sabe que a moça está mentindo. Mas sua curiosidade e – quem sabe? – seu tédio com o trabalho permitem que toda a trama aconteça. Sem contar que controlar os poucos momentos daquelas duas pessoas lhe dá uma inebriante sensação de poder. No final das contas, ele não é muito diferente das pessoas que acompanham avidamente a vida alheia através dos reality shows e se sentem importantes ao votar nos chamados “paredões”.

Fôlego, que fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes 2007, é um filme cheio de simbolismo e delicadeza, marcado por uma comunicação mais sensorial do que verbal entre os dois personagens centrais. Também o título é bastante apropriado, já que a respiração está sempre em destaque: ofegante, prazerosa, assustada, enfim, como um termômetro do estado espírito de seus protagonistas. Curiosamente, o filme foi exibido no último Festival do Rio como “Sem Fôlego”. É. Até que também faz sentido, já que o fôlego - ou a falta dele - é assunto para uma das mais belas cenas que ocorrem entre o inusitado casal.

sábado, 26 de abril de 2008

Patrick Dempsey, a Nova Fênix da TV

Embora hoje em dia acumule os predicados de astro da conceituada série Grey’s Anatomy e mais novo queridinho das mulheres, o quarentão Patrick Dempsey teve uma trajetória longa e acidentada até chegar a esse confortável ponto em sua carreira. Talvez muita gente não se lembre, mas no final dos anos 80 Dempsey era figurinha fácil em comédias adolescentes. Na mais infame delas, Loverboy - Garoto de Programa, nosso caro amigo era entregador de pizzas e amante ocasional. Pois é. Assim era a nada respeitável carreira de Dempsey no cinema. E olha que esse foi o ponto alto dela.

Nascido em Lewiston, no estado do Maine, Dempsey começou no teatro e logo migrou para a telona. Após alguns papéis de pouca expressão, sua grande chance surgiu em 1987, quando estrelou a comédia adolescente Namorada de Aluguel. O ator tinha 21 anos e, apesar de não ter o biotipo de ídolo teen - era um garoto narigudo e bem esquisito -, caiu no gosto das meninas. Dois anos depois, protagonizou o tal Loverboy. Elas continuaram adorando. Vai entender.

Na década de noventa, o fôlego de sua carreira parecia esgotado. Em 1991, tentou uma virada de rumo com o filme de gângsters Mobsters - Império do Crime. Não deu certo. Tentou, então, uma volta às origens na comédia romântica Com Mérito, embora há muito tivesse deixado de ser adolescente. Depois disso, ficou limitado a papéis irrelevantes em filmes como Epidemia, Pânico 3 e O Clube do Imperador. O caro leitor não se lembra dele nesses filmes? Não era mesmo para lembrar. Enfim, a coisa mais expressiva que o ator fez nos últimos anos foi servir de escada para Reese Witherspoon em Doce Lar (2002). Parecia que o resto de sua carreira estava destinada ao limbo quando o destino voltou a sorrir para Dempsey. Sua boa sorte tinha nome, sobrenome e profissão: Dr. Derek Shepherd.

Em Grey’s Anatomy, série-sensação do momento, Dempsey voltou à posição de astro e, de quebra, ainda se tornou um dos homens mais desejados de Hollywood. Assim como havia acontecido anteriormente com Kiefer Sutherland em 24 Horas e Sarah Jessica Parker em Sex & the City, Grey’s Anatomy representou uma segunda chance para uma carreira que parecia enterrada ou, no mínimo, fadada à mediocridade. E o inesperado destaque na TV ainda serviu para levá-lo de volta ao cinema – só em 2007, ele atuou em Escritores da Liberdade e Encantada.

Grey’s Anatomy enfoca os conflitos de cinco médicos recém-formados. Internos do Hospital Seattle Grace, Meredith, Cristina, Izzie, George e Alex tentam conciliar os altos e baixos de suas vidas pessoais com o estresse e o clima de competitividade do ambiente de trabalho. Nesse cenário, o Dr. Derek Shepherd, personagem de Dempsey, é um cirurgião competente e muito sedutor que tenta administrar sua evidente atração por Meredith. A série está em sua quarta temporada e pode ser vista no Canal Sony toda segunda-feira, às 22h, com reprises na terça (2h e 15h) e domingo (12h e 21h).

Subversão, Caos e Sabonete: O Clube da Luta


Eu confesso. Tirei o nome do blog do cartaz de Clube da Luta, um filme que, quanto mais eu revejo, mais eu aprecio. Não é que tenha desgostado na primeira vez, mas foi tanto estardalhaço por conta do maluco paulista que entrou num cinema e abriu fogo contra os espectadores que isso acabou prejudicando uma análise mais objetiva do filme em si. Acho que certos filmes simplesmente envelhecem melhor do que outros. Enquanto alguns que você adora ao assistir perdem o encanto já na segunda conferida, outros se tornam cada vez mais fascinantes.

Clube da Luta, que eu considero o melhor filme de David Fincher, é uma das produções mais originais e subversivas de todos os tempos. Não apenas na trama, mas também em seu formato externo. O personagem Tyler, que tem o hábito de inserir imagens pornográficas em filmes "família", faz suas inserções também no filme como se fosse uma pessoa real. E o que dizer da hilária advertência assinada por Tyler que aparece na tela logo após a lengalenga padrão do uso permitido do DVD?

Para quem não viu ou não se lembra, a história defende a tese de que a sociedade consumista leva as pessoas ao entorpecimento dos sentidos e, num estágio mais avançado, à loucura. Edward Norton interpreta um sujeito que vive para "ter coisas". Seu passatempo preferido é fazer compras por telefone, adquirindo bens inúteis como quem toma drogas.

"Eu folheava os catálogos e me perguntava ‘que tipo de porcelana me define como pessoa'?".

A insônia o atormenta e ele não sabe a razão de sua infelicidade constante. Até que passa a freqüentar grupos de auto-ajuda para moribundos e/ou desenganados e descobre que cercar-se de pessoas realmente infelizes lhe restitui a paz de espírito. Talvez passasse o resto da vida nesse novo vício se não conhecesse, numa viagem de trabalho, Tyler Durden. Descolado, sexy, rebelde, enfim, tudo que ele gostaria de ser. Tyler lhe apresenta um novo prazer: lutar. Simples assim. Dois homens quebrando a cara um do outro. Não demora para surgir o Clube da Luta, uma instituição cuja primeira regra é "você não fala sobre ele".

Se fosse apenas isso, já seria original. Mas a trama não fica por aí. Um clube como esse está fadado a reunir pessoas que estão no limite de sua paciência e, portanto, ansiosas para detonar as instituições. Rebeldia, sede de liberdade ou puro terrorismo? No desfecho, quando a verdade sobre os personagens é revelada, fica claro que a trama não é uma apologia do terrorismo. Mas, ainda assim, resta em nossas mentes a incômoda certeza de que a sociedade moderna produz seus próprios monstros. Como diz o personagem sem nome de Ed Norton ao patrão numa cena "um maluco pode sair por aí com uma arma semi-automática atirando nos colegas de trabalho. Pode ser alguém que você conhece há anos."

Edward Norton, aliás, é a alma do filme. Apesar de sua ainda curta filmografia, iniciada em 1996, Norton é um dos atores mais versáteis e geniais de sua geração. Não foi à toa que já em seu primeiro filme, As Duas Faces de um Crime, ele foi indicado ao Oscar de melhor coadjuvante. Ed já foi skinhead (A Outra História Americana, que lhe rendeu a segunda indicação), policial federal (Dragão Vermelho), padre (Tenha Fé, sua estréia na direção), nerd apaixonado (Todos Dizem Eu Te Amo), ladrão (A Cartada Final e Uma Saída de Mestre) e até um rei medieval (Cruzada). Recentemente, filmou Hulk 2 numa favela aqui no Rio. Em Clube da Luta, ele tem uma de suas melhores e menos elogiadas performances. Também Helena Bonham Carter arrasa como a sexy e auto-destrutiva Marla Singer, personagem responsável por uma das mais curiosas falas do longa:

"A camisinha é o sapatinho de cristal da nossa geração. Você veste, dança com um estranho a noite inteira e depois joga fora. A camisinha, não o estranho."

Creio que Clube da Luta foi um filme bastante injustiçado. Muitas pessoas que o assistiram se detiveram na questão da porradaria e o consideram um similar das fitas do Van Damme. E o filme definitivamente não é sobre um grupo de caras sem camisa se batendo (embora essas cenas também sejam interessantes). É sobre várias coisas, mas não sobre isso. É sobre subversão, caos e sabonete. E muito mais.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Penélope de Volta


Outro dia, revendo o ótimo Volver, de Pedro Almodóvar, ficou ainda mais evidente para mim o quanto Penélope Cruz é outra em sua terra natal. Por algum motivo, a atriz espanhola não consegue interpretar em inglês. A primeira vez que vi Penélope foi numa pequena participação em Carne Trêmula; a segunda, foi novamente num filme de Almodóvar: Tudo Sobre Minha Mãe. Desta vez com maior destaque, me pareceu uma boa atriz. Mas aí a moça migrou para Hollywood, virou símbolo sexual, namorou Tom Cruise e, aparentemente, mandou a carreira para o ralo.

Dava pena de ver suas tentativas de virar estrela internacional naufragarem espetacularmente. Porque ela realmente se esforçava! Mas mesmo quando escolhia roteiros razoáveis, como Vanilla Sky, sua interpretação era artificial e forçada. E o que dizer de produções como Capitão Corelli, Sahara e Bandidas? E não nos esqueçamos da sua maior trapalhada: o inacreditável Sabor da Paixão, onde interpretava uma cozinheira baiana (!) que vira sucesso na TV americana com suas receitas tropicais e ainda vive um romance estranhíssimo com o Murilo Benício atacando de malandro do Pelourinho.

Foi então que, a exemplo do título do filme, Penélope resolveu volver às suas origens. De volta à Espanha e sendo dirigida pelo cineasta que a havia descoberto, a atriz dá um verdadeiro show de interpretação em Volver. Com uma caracterização mais madura e realista, renasce para o espectador uma nova Penélope Cruz. Mais forte, mais intensa e bem mais bonita do que a Barbie na qual estava se transformando. Inesquecível a cena em que a atriz canta o bolerão que dá título ao filme. A grande ironia nisso tudo é o fato desse retorno à Espanha ter lhe proporcionado o que certamente não conseguiria se tivesse insistido apenas numa carreira americana: uma indicação ao Oscar.

Penélope Cruz já rodou quatro filmes depois de Volver. The Good Night (filme pequeno, que chegou aqui direto em DVD), Manolete (produção espanhola) e Elegy (filme americano da espanhola Isabel Coixet) já estão finalizados. Vicky Cristina Barcelona (novo do Woody Allen, filmado na Espanha) deve estrear ainda esse ano. Além destes, Penélope também estará em Los Abrazos Rotos (novo trabalho de Almodóvar) e Nine (um musical inspirado no 8 ½ do Fellini), filmes que ainda se encontram em pré-produção. Agora, é aguardar para conferir. Mas, pelo pedigree de seus novos projetos, parece que a bela finalmente entendeu que o estrelato é conseqüência de uma boa carreira e não a razão dela.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Grandes Cenas

Scarlett O’Hara, depois de muito esnobar Rhett Butler, entende que o ama. Mas é tarde demais. Ela corre atrás dele e pergunta o que vai ser dela, se ele a deixar. Butler - ou melhor, Clark Gable - dispara o petardo: "Francamente, minha querida, eu não ligo a mínima". Osgood, milionário mulherengo, não mede esforços para fazer de Daphne sua enésima esposa. Mas Daphne é Jerry que, após muitas trapalhadas, arranca o disfarce e mostra ao insistente conquistador porque não pode se casar com ele. Sereno, Osgood sentencia: "Ninguém é perfeito". Rick e Ilsa vão se separar mais uma vez e provavelmente nunca voltarão a se ver. Na neblina do aeroporto, ele tenta convencê-la de que o amor deles não tem futuro com a marcante: "Se você não entrar naquele avião, se arrependerá. Talvez não hoje, nem amanhã, mas logo e pelo resto da sua vida."

As cenas citadas acima são, respectivamente, de E o Vento Levou, Quanto Mais Quente Melhor e Casablanca. Qual a correlação entre elas? São cenas inesquecíveis, que já têm lugar cativo no imaginário coletivo e há muito extrapolaram os limites do filme de origem. A famosa seqüência de Gene Kelly sapateando sob a chuva, embora seja uma das mais empolgantes de todos os tempos, nem faz lá muita diferença para a trama de Cantando na Chuva. Mas é adorada por pessoas que nunca viram o filme e não têm a mínima idéia de seu enredo. Que, diga-se de passagem, é uma verdadeira aula sobre a história da sétima arte, já que detalha todo o processo da transição do cinema mudo para o falado.

O cinema atual também produz todos os dias seqüências memoráveis, embora seja necessário o crivo do tempo para determinar o que vai entrar para a posteridade. Mas existem alguns exemplos recentes que já se tornaram clássicos indiscutíveis. Destaco três – bem diferentes entre si – que já entraram para a história da sétima arte:


Em Cidade de Deus, o personagem Buscapé entende o significado exato do ditado "se ficar o bicho pega, se correr o bicho come" no instante em que, armado apenas com sua máquina fotográfica, fica exatamente no meio da batalha iminente entre o bando de Zé Pequeno e a polícia. A câmera faz um giro completo e vertiginoso, numa das tomadas mais famosas (e copiadas) dos últimos anos.


I see dead people. A força da confissão sussurrada do pequeno Haley Joel Osment em O Sexto Sentido é tão poderosa que a frase chega a dispensar a tradução "eu vejo gente morta", sendo prontamente entendida até por quem não fala uma palavra de inglês. Apavorado, exalando fragilidade sob um cobertor, o menino revela o que já sabíamos mas, ainda assim, não queríamos ouvir. O espectador ainda está sob impacto da fala anterior quando vem seu complemento. Com que freqüência isso acontece? All the time (o tempo todo).


Pulp Fiction é um filme repleto de cenas célebres. Mas nenhuma supera John Travolta e Uma Thurman dançando um estranhíssimo twist (ou seja lá o que for aquilo) numa ainda mais estranha lanchonete. Ele, meio balofo e desconjuntado, começa tímido e depois se solta pra valer ao som de You Never Can Tell. Ela, super feminina de terno, esbanja graça e elegância. O gesto do casal de fazer um V com os dedos médio e indicador e passá-los na frente dos olhos é copiado em pistas de dança até hoje.