quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Carrie, a Estranha


Carrie é a personagem-título do primeiro romance escrito por Stephen King, publicado em 1974, eternizada de vez nas telas dois anos depois pelo filme homônimo de Brian De Palma – que aqui no Brasil ganhou o subtítulo “a estranha”. A trama é bem conhecida: Carrie White é uma adolescente com poderes telecinéticos criada sob a redoma de fanatismo religioso de uma mãe que enxerga pecado em tudo. Como toda pessoa “diferente”, Carrie sofre humilhações e é ridicularizada na escola. Uma das cenas mais emblemáticas do filme anterior e que é reproduzida neste mostra a traumática primeira menstruação, quando as colegas jogam absorventes nela. Até que um dia tudo parece mudar, mas sua tentativa derradeira de buscar a normalidade atrai ainda mais ódio e, ao ser forçada até o limite, Carrie explode em uma vingança desenfreada.

O cinema americano costuma abusar dos remakes, que, na maioria das vezes, são exatamente iguais aos originais – em alguns casos, quadro a quadro. No caso de filmes falados em outra língua que não o inglês isso ocorre pela preguiça congênita do americano médio em ler legendas; já os filmes um pouco mais antigos parecem sofrer a rejeição que o público jovem costuma ter por qualquer coisa rodada com um pouco menos de tecnologia. Entre o primeiro Carrie e este foram feitos, ainda, uma duvidosa sequência em 1999 e um telefilme da trama original em 2002. Portanto, o que esperar desta quarta variação sobre a mesma história?


A princípio, até dá para nutrir algumas esperanças quanto ao filme. Mesmo não apresentando nenhuma abordagem nova no que diz respeito à história, o longa vai se desenvolvendo com dignidade. Chloë Grace Moretz é uma menina talentosa e, verdade seja dita, tem mais carisma do que sua antecessora Sissy Spacek. No papel da mãe alucinada, a nova versão traz uma das grandes divas do cinema atual, Julianne Moore – não deixa de ser curioso que nesta sexta estreiem dois filmes com ela, este e Como Não Perder Essa Mulher. Além do mais, Julianne mescla a loucura de sua personagem com uma afetuosidade inesperada. Os simpáticos Gabriella Wilde e Ansel Egort são Sue Snell e Tommy Ross, o casal popular que resolve ajudar a garota enjeitada e acaba, sem querer, precipitando toda a tragédia.

O problema é que o filme pouco a pouco começa a implodir. A diretora Kimberly Peirce (do visceral Meninos Não Choram) começa a perder o tom e as estribeiras a partir do momento em que Carrie vai para o baile, rumo a seu destino. De repente, a menina paranormal se transforma em uma vingadora onipotente com poderes infinitos. Tudo isso em nome da pirotecnia, do exagero, da falta de bom senso que vai progressivamente dominando o filme, como se toda produção do gênero necessariamente precisasse sacrificar o desenvolvimento de sua história em nome de um show de fogos de artifício. O conceito do mundo da moda “menos é mais” se encaixa perfeitamente para descrever tudo o que saiu dos trilhos neste filme.


Esta nova versão de Carrie, embora não chegue a ser uma heresia completa – como foi, por exemplo, o remake de Psicose cometido por Gus Van Sant –, é um filme que simplesmente não precisava ter sido feito. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Azul é a Cor Mais Quente


Eis que o vencedor da última Palma de Ouro do Festival de Cannes chega aos nossos cinemas. Baseado em uma graphic novelfrancesa publicada em 2010 (Le Bleu est une Couleur Chaude, de Julie Maroh), o filme do tunisiano Abdellatif Kechiche chega aos cinemas precedido de grande polêmica não somente por causa das longas cenas de sexo explícito entre as atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux, mas também pelo fato de ambas (em especial esta última) terem reclamado de abusos físicos e emocionais durante as filmagens. Kechiche, por sua vez, acusou Léa e o jornal Le Monde de conspirar contra ele. Esperemos que nada disso se sobreponha ao filme em si, já que Azul é a Cor Mais Quente tem qualidades que vão muito além do escândalo.

A história acompanha o amadurecimento de Adèle, que no princípio da trama é uma menina de quinze anos que não entende muito bem porque não consegue compartilhar da enorme excitação que suas amigas sentem em relação aos garotos. As cenas iniciais são de uma naturalidade comovente, com a protagonista fazendo um esforço óbvio e inútil para se adequar a um universo adolescente que a enche de perplexidade. Adèle Exarchopoulos exala tanta juventude e inexperiência que deixa o expectador sempre em dúvida quanto aos limites entre ela e sua personagem homônima, dúvida alimentada ainda mais pelas já citadas denúncias.


Troca de acusações à parte, o que se vê na tela é todo o processo de descobertas de uma personagem cativante e que se sente quase sempre deslocada, estranha, inadequada. Especialmente significativo é quando ela diz que tem a impressão de estar sempre representando. Quando Emma – a moça de cabelos azuis interpretada por Léa – entra em cena, o espectador finalmente vê Adèle desabrochar. As incertezas e passividade dão lugar a um despertar urgente e a menina se transforma em mulher. Por conta disso, as cenas fortes que vêm escandalizando tanta gente parecem ter uma função bem clara no contexto do filme: é justamente nos momentos de intimidade com Emma que Adèle surge como uma pessoa “inteira”, sem o olhar perdido que a acompanha no restante do filme.

Outro ponto interessante é que o longa enfoca outros aspectos da trajetória da protagonista que vão além da questão sexual. A trama reflete sobre a coragem necessária para assumir-se homossexual e o impacto que a decisão (ainda) pode ter sobre a vida de uma pessoa, mesmo na França dos dias atuais, porém evita o maniqueísmo óbvio de colocar o preconceito apenas de um dos lados da balança. É interessante ver como as pessoas bem-resolvidas sexualmente podem ter vários outros preconceitos, um exemplo disso é a insistência de Emma para que Adèle desenvolva uma atividade artística. Por que o fato dela ser “apenas” uma professora é motivo de constrangimento? O modo como Kechiche escancara a hipocrisia dos personagens descolados e desencanados dota o filme de nuances e evita uma abordagem “chapa branca”, enriquecendo-o ainda mais. A sensação que temos é de exaustão, como se Adèle precisasse se justificar o tempo todo.


É bem verdade que Azul é a Cor Mais Quente venceu uma Palma de Ouro que tinha como concorrentes diretos dois outros filmes excepcionais (O Passado e A Grande Beleza), mas não se pode dizer que não tenha sido uma premiação merecida. Também foi bacana a decisão inédita de conceder a Palma não somente ao realizador, mas também às duas atrizes, em um mais do que justo reconhecimento de que boa parte do mérito é devido à entrega total delas a seus personagens. Resta, ainda, louvar o altíssimo nível da seleção deste ano do Festival de Cannes. Por tudo isso, Azul é a Cor Mais Quente surge como um dos lançamentos mais importantes do ano. Imperdível. 

Clique aqui para ler sobre a HQ que inspirou o filme.

Como Não Perder Essa Mulher


Uma delícia esse primeiro longa-metragem dirigido pelo ator Joseph Gordon-Levitt, que também assina o roteiro e estrela o filme. Gordon-Levitt é Jon (conhecido entre os amigos como “Don Jon”), um bartender que faz um tremendo sucesso nas pistas de dança e sempre consegue terminar a noite levando uma gata para casa. Mas o sexo da vida real nunca lhe parece tão excitante quanto o virtual, por isso ele prefere a pornografia e passa muitas horas ao dia se masturbando diante do computador. Quando conhece a exigente Barbara, Jon resolve que é hora de tentar algo inédito em sua vida: um relacionamento.

A princípio parece que a trama descambará para ser mais uma previsível comédia romântica sobre um cara que “toma jeito” depois de se apaixonar, mas logo percebemos que o diferencial deste filme está em sua visão irreverente e debochada não apenas do amor, mas de uma série de ritos e conceitos que regem a sociedade contemporânea. Jon e Barbara não estão preocupados um com o outro, mas sim em satisfazer seus próprios desejos e ambições particulares. O filme tem um olhar bastante crítico sobre temas como família, religião, normalidade e consumismo e felizmente evitar fazer julgamentos morais sobre o protagonista.

Joseph Gordon-Levitt demonstra ser um diretor sensível e com um bom timing para comédia, além de conseguir evitar vários clichês de longas do gênero. Quem está acostumado a pensar no ator como o nerd fofinho de 500 Dias Com Ela vai se impressionar ao vê-lo transformado em um garanhão cheio de testosterona (aliás, em que momento ele ganhou aquele corpão?). O filme conta, ainda, com um elenco coadjuvante pra lá de interessante, com destaque para Tony Danza e Glenne Headly como os pais de Jon (atenção para a hilária sequência na qual Jon leva Barbara para conhecer a família). Também Julianne Moore surpreende com uma personagem que parece a princípio completamente descerebrada, mas ganha substância no decorrer da trama.

Resumindo, Don Jon (que antes se chamava Don Jon’s Addiction, ou sejaO Vício de Don Jon) é um belo début. Só não merecia esse título em português genérico e reducionista, ainda mais porque o foco do filme não é exatamente esse.

American Hustle sai na frente da temporada de prêmios

A também premiada Jennifer Lawrence (à direita) em cena de American Hustle

Foram divulgados ontem os vencedores do NYFCC (New York Film Critics Circle). Subvertendo um pouco as expectativas, nada de 12 Anos de Escravidão ou Gravidade. O melhor filme de 2013, segundo os críticos nova-iorquinos, foi American Hustle – que aqui no Brasil se chamará A Trapaça. Outra surpresa foi a premiação de Robert Redford no lugar do até então favorito Matthew McConaughey. Já Cate Blanchett segue inabalável como a maior certeza de uma temporada cheia de dúvidas. É bem verdade que, a partir de agora, serão muitos degraus até o prêmio mais desejado da indústria no cinema: o Oscar, mas vale conferir os ganhadores deste primeiro round:

Filme: American Hustle
Ator: Robert Redford (All is Lost)
Atriz: Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Diretor: Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)
Atriz Coadjuvante: Jennifer Lawrence (American Hustle)
Ator Coadjuvante: Jared Leto (Dallas Buyers Club)
Melhor Animação: The Wind Rises
Melhor Roteiro: American Hustle
Filme em Língua Estrangeira: Azul é a Cor Mais Quente
Fotografia: Inside Llewyn Davis
Documentário: Histórias Que Contamos
Melhor Primeiro Filme: Fruitvale Station

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Um Time Show de Bola


Os filmes de animação muitas vezes são vistos como algo menor em termos de cinema ou exclusivamente destinado ao público infantil, o que é um tremendo preconceito. Um Time Show de Bola é coisa de gente grande e merece lugar de honra na programação de qualquer cinéfilo.

Amadeu é um romântico, apaixonado por Laura e por futebol. Apesar de ser um craque no pebolim, tem pouco foco para as questões práticas da vida. Sua vidinha pacata sofrerá um baque quando Colosso, antigo desafeto da infância que se tornou o jogador de futebol mais famoso e rico do mundo, retorna à cidadezinha onde foram criados disposto a se vingar de tudo e todos por causa da única derrota que sofreu na vida: uma partida de pebolim. O que Colosso não sabe é que Amadeo contará com o reforço dos craques de metal, que ganham vida para ajudá-lo a salvar a cidade e ganhar de vez o coração de Laura.

Como não se divertir com os bonecos de pebolim que ganham não somente vida, mas um tremendo ego, e reproduzem os cacoetes que vemos em atletas de carne e osso? Desde o jogador vaidoso que fala de si mesmo na terceira pessoa até o que se acha filósofo e dispara frases de efeito o tempo todo, o roteiro entrega diálogos deliciosos, que, além de engraçados, ainda têm um refinado senso crítico que não poupa ninguém e ironiza patrocinadores, grandes corporações e interesses escusos que, muitas vezes, se sobrepõem ao chamado espírito esportivo.


Com um traço charmoso e que prima por pequenos detalhes, o longa traduz em imagens muito do espírito portenho e ainda remete um pouco à estética das animações francesas – como A Pequena Loja dos Suicídios, para ficar em um exemplo recente. O filme apresenta um 3D bacana, mas nem precisava. O grande atrativo de Um Time Show de Bola está mais no modo como a história nos faz torcer por aquele adorável grupo de pernas-de-pau, ao mesclar com maestria a paixão e o arrebatamento causados pelo futebol (algo que nós compartilhamos com os argentinos) a uma clássica história de Davi contra Golias.

Também é um alívio ver que o diretor Juan José Campanella não perdeu a cabeça depois de ganhar um Oscar (por O Segredo dos Seus Olhos, em 2010). O A&S teve oportunidade de entrevistá-lo no Festival do Rio de 2009 (leiam aqui) e, na ocasião, Campanella pareceu uma pessoa sensata e tranquila. Impressão que se confirma agora, ao vê-lo colocar toda a alma nesse singelo projeto. Os que acompanham sua filmografia poderão inclusive perceber algumas referências, como uma visão do estádio parecida com a sequência de O Segredo dos Seus Olhos ou a semelhança entre o afeto e nostalgia que os moradores sentem pelo bar ao demonstrado pelos personagens de O Clube da Lua.

Só é uma pena que as cópias que serão exibidas em nossos cinemas sejam todas dubladas em português, ainda mais considerando que o próprio Campanella empresta sua voz a alguns personagens. Mesmo devendo o som original, Um Time Show de Bola é um dos filmes mais simpáticos do ano.

Trem Noturno para Lisboa


Ao contrário do que se pensa, adaptar uma obra já existente para a linguagem cinematográfica geralmente é muito mais complicado e desafiador do que escrever um roteiro original. Sem contar que automaticamente surgem as comparações, muitas vezes injustas e sem levar em conta as necessidades próprias da sétima arte. Trem Noturno em Lisboa é adaptado do romance do suíço Pascal Mercier que já vendeu dois milhões e meio de exemplares e foi traduzido para mais de trinta idiomas desde que foi publicado na Alemanha em 2004.

Na versão para a telona, Jeremy Irons dá vida ao professor de línguas antigas Raimund Gregorius, um homem metódico e respeitado por seu intelecto, mas, por outro lado, considerado previsível e entediante. Em uma manhã como outra qualquer, sua vida é transformada pelo encontro com uma jovem portuguesa que está prestes a saltar da ponte que ele atravessa diariamente para chegar ao trabalho. Ele consegue impedir o suicídio, mas a moça desaparece e deixa para trás o sobretudo. No bolso, um livro escrito por um médico português e, dentro dele, uma passagem de trem para Lisboa. As palavras contidas no livro tocam profundamente Gregorius e, movido por um impulso incontrolável, ele utiliza a passagem e parte em busca de mais informações sobre Amadeu de Prado, o autor que mudou sua vida.

Embora o protagonista seja impulsionado a realizar uma viagem, o verdadeiro foco do livro é um mergulho muito pessoal em questões íntimas como a sua suposta incomunicabilidade, as escolhas feitas ao longo da vida e a implacabilidade do tempo. O filme dirigido pelo dinamarquês Bille August (o mesmo de A Casa dos Espíritos) é um belo exemplo de adaptação feliz, já que ressalta ou cria situações que tornam a trama mais adequada para o cinema e, ao mesmo tempo, consegue manter intacto o espírito contemplativo e filosófico do livro. Claro que muita coisa é deixada de fora nessa transposição, mas August e os roteiristas Greg Latter e Ulrich Herrmann realizam a tarefa com muito bom senso.


Quantas vezes ouvimos alguém dizer que determinado livro (ou filme) mudou sua vida? Evidente que quando isso ocorre a mudança tem mais a ver com o momento pelo qual passa o indivíduo do que com a obra em si, mas, de todo modo, não se pode menosprezar o poder transformador de ler ou ouvir as palavras certas no momento oportuno. O protagonista apenas vai mais longe, ao realizar o mergulho dentro de si mesmo através de uma atitude externa. Porém abandonar o trabalho e empreender uma viagem intempestiva e sem sentido aparente parece também uma forma de provar ao mundo que ele não é tão previsível assim.

Esse é um dos ângulos do filme. O outro é a história que surge, pouco a pouco, quase brotando das ruas de Lisboa. Amadeu de Prado, o dedicado médico e profundo questionador que tanto encantou Gregorius também foi parte atuante na resistência à ditadura imposta por Salazar. Um homem admirável, mas que carregava culpas e contradições. Uma figura capaz de, tanto tempo depois, ainda inspirar e promover uma revolução pessoal em um professor de meia-idade.


O elenco internacional tem como grande destaque um inspirado Jeremy Irons no papel principal, mas também conta com outras atuações interessantes, como a do inglês Jack Huston (da minissérie Boardwalk Empire) como Amadeu de Prado e ainda Christopher Lee, Charlotte Rampling, Mélanie Laurent, Martina Gedeck, August Diehl, Bruno Ganz e Lena Olin.

É bem verdade que o fato do filme ser todo falado em inglês quebra um pouco do seu encanto. Nem tanto por grande parte da trama ser ambientada em Lisboa, mas principalmente pelo papel fundamental que as palavras em língua portuguesa desempenham na trama. É estranho quando o protagonista abre o livro – que sabemos ser escrito em português – e cita diretamente uma passagem, mas falando em inglês com personagens que são portugueses. OK. É uma produção internacional, com atores das mais diversas nacionalidades, tudo isso é compreensível, mas não deixa de ser um pouco frustrante.

Descompasso que não apaga o brilho de uma produção de delicadeza e beleza raras, com uma fotografia que valoriza o charme clássico de Lisboa, com seus bondes e ladeiras estreitas. Bille August, que há muitos anos não dirigia um filme de peso, realiza este filme sensível e que dribla sem demais dificuldades o desafio de condensar na projeção quase quinhentas páginas de um livro denso e profundo. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Álbum de Família - trailer


Álbum de Família é o título nacional para o aguardado August: Osage County, filme baseado na peça homônima da vencedora do Prêmio Pulitzer Tracy Letts que tem previsão de estreia aqui no Brasil para o dia 27 de dezembro. O filme chega às salas brasileiras apenas dois dias depois de sua estreia no circuito americano – comemoremos, não é sempre que isso acontece com filmes mais, digamos, artísticos. O filme recebeu dois prêmios no Hollywood Film Festival (melhor atriz coadjuvante para Julia Roberts e melhor elenco) e seus atores, em especial Meryl Streep e Julia Roberts, já estão bem cotados nas apostas para indicações ao Oscar 2014. O elenco luxuoso conta ainda com Bendict Cumberbatch, Ewan McGregor, Chris Cooper, Abigail Breslin, Juliette Lewis, Dermot Mulroney, e Sam Shepard. A direção é de John Wells e a produção leva o toque de Midas de George Clooney. Confiram abaixo o trailer legendado e um dos cartazes nacionais:




domingo, 24 de novembro de 2013

Prof! Profa!


O público carioca tem mais quatro semanas para conferir a talentosa Jandira Martini neste provocador monólogo que estreou na noite de ontem sob os mais calorosos aplausos. A peça, que vem de uma festejada temporada em São Paulo, agora faz uma curta passagem pelo CCBB do Rio. Nela, Jandira é uma ex-professora de literatura que cometeu um crime terrível e sua pena, além da prisão, é subir no palco e reviver sua história diante dos espectadores, dessa forma transformando as pessoas na plateia em confidentes. O texto original é do dramaturgo belga Jean-Pierre Dopagne, que foi por muitos anos professor da Universidade de Bruxelas e, portanto, também traz sua experiência como docente para a história.

O texto retrata com muito sarcasmo e acidez o inferno diário vivido pelos educadores que realmente tentam passar adiante seu conhecimento, em contraste com aqueles que simplesmente cumprem seu horário e deixam os alunos em “ponto morto”. Mas será que vale a pena travar uma batalha perdida contra jovens que não estão interessados em adquirir tal conhecimento? E qual é o custo emocional disso? Temas como choque de gerações e um sistema educacional em crescente empobrecimento são apenas algumas das questões apontadas.

Outra correlação interessante e bastante oportuna é a que se faz entre a sala de aula e o teatro. Ao colocar o espectador presente no espaço no mesmo lugar do aluno passivo, o texto arranca o tema do universo escolar e o leva não somente para o campo da arte, mas para a chamada vida adulta de um modo geral. Com falas provocadoras como “as pessoas que vêm ao teatro pagam para ouvir e ficar caladas”, a discussão se amplia para a tendência do ser humano ao comodismo e à resignação.


A encenação proposta por Dopagne e executada por Celso Nunes é bastante despojada: a atriz se apresenta em um palco quase nu – com exceção de uma mesa, uma cadeira e um cabideiro – e totalmente vestida de preto, tendo uma maleta como único adereço cênico. Uma concepção que faz eco ao conceito de “teatro pobre” proposto por Grotowski, mas também remete à essencialidade da clausura – seja religiosa ou penitenciária. Toda a atenção, portanto, se concentra no texto e na excelente interpretação de Jandira, que domina completamente o palco e tem os espectadores cativos durante os 60 minutos de duração do espetáculo. Talvez justamente por isso pareçam desnecessárias as intervenções que ocorrem através de vozes gravadas. Teria sido mais condizente com a proposta cênica que havia sido adotada até então que a própria Jandira se encarregasse destas passagens, mesmo porque a atriz já havia estabelecido intimidade com a plateia e assumido o papel de narrador brechtiano.

De todo modo, Prof! Profa! é um monólogo extremamente pertinente e que resgata o melhor do jogo de cena e da catarse que são próprias do universo teatral, além do atrativo extra de contar com uma atriz que domina perfeitamente seu ofício. Jandira pode até não ter se tornado professora (ou melhor, profa), mas também ela dá aula quando o assunto é representação.

Serviço:
CCBB – Teatro I, às 19h
De 23 de novembro a 2 de dezembro de sábado a segunda
De 5 a 22 de dezembro de quinta a domingo
Ingressos: R$ 10,00

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sobrenatural: Capítulo 2


Quem aprecia e acompanha filmes de terror sabe que o nome mais criativo do momento é James Wan. O jovem cineasta malásio que há dez anos realizou um curta que se transformaria no longa inicial da franquia de terror mais festejada dos últimos anos (Jogos Mortais) vem se aprimorando filme após filme. Podemos dizer que 2013 foi um grande ano para sua carreira, já que Wan brindou sua cada vez mais fiel plateia com não apenas uma, mas duas ótimas produções: Invocação do Mal e este Sobrenatural: Capítulo 2.

Uma coisa recorrente e frustrante em alguns exemplares do gênero é que muitos produtores transformam o sucesso de um filme em mero gatilho para sequências que da história inicial levam somente o nome. Felizmente, não é o que ocorre aqui. O primeiro ponto positivo deste segundo capítulo é constatar que a trama de fato é retomada do ponto de encerramento do filme anterior. O que torna, portanto, obrigatório que o espectador tenha assistido a Sobrenatural (Insidious, no original).


Conforme mostrado no primeiro filme, a família Lambert tem um histórico com o mundo dos mortos. Josh era assediado por espíritos quando criança, mas a pedido de sua mãe foi submetido a um processo de hipnose que fez com que ele se esquecesse de suas habilidades paranormais. Anos mais tarde, porém, ele é obrigado a resgatar esse dom que sequer se lembrava de possuir para ajudar o filho que herdou a sua mediunidade. O problema é que sempre que se abre uma passagem para o mundo dos espíritos, também eles podem invadir o nosso. E o que vemos nesta sequência é que Josh não voltou exatamente a mesma pessoa de sua incursão no além.

O roteiro escrito por Wan em parceria com o colaborador habitual e também ator Leigh Whannell é mais intrincado e faz boas correlações com o que se passou anteriormente, embora o excesso de ramificações metafísicas por vezes distraia tanto o espectador que acaba tendo como efeito colateral que o filme seja menos assustador. Invocação do Mal, por exemplo, tinha uma trama sob muitos aspectos simples e, portanto, deixava mais espaço não somente para que a plateia fosse completamente tomada pelo medo como também se envolvesse mais intensamente com os conflitos vivenciados pela família. Apenas uma pequena ressalva a um filme que, de todo modo, é extremamente bem realizado e não se limita somente a copiar o que deu certo em seu antecessor.


Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey e os demais atores de Sobrenatural retomam seus personagens, provando que o gênero precisa sim de um elenco que dê credibilidade à trama e não de moças e rapazes iniciantes que só fazem gritar, correr e cair. Por fim, só resta lamentar que alguém com o talento de James Wan tenha como próximo trabalho o sétimo filme da franquia Velozes e Furiosos. Esperemos que seja um projeto anômalo e que logo o cineasta volte a nos dar bons sustos.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Confiram o curta que complementa Gravidade


Quem viu Gravidade se lembra deste momento: Ryan Stone, personagem de Sandra Bullock, consegue fazer contato com alguém na Terra. Mas a pessoa fala uma língua de som exótico e não a compreende. Um latido de cachorro e um choro de bebê complementam a sonoplastia da comunicação que não acontece devido à barreira linguística. Aningaaq, um curta de sete minutos dirigido por Jonas Cuarón (filho de Alfonso Cuarón e coautor do roteiro de Gravidade), mostra este mesmo momento pela ótica do homem que não consegue entender o pedido de ajuda de Ryan.

O mais interessante em tudo isso é que a Warner inscreveu Aningaaq para o Oscar de melhor curta-metragem. Caso isso se converta em uma indicação, os Cuarón conseguirão fazer história, já que pela primeira vez um curta e um longa que integram um mesmo material seriam indicados ao Oscar.

Para conferir Aningaaq cliquem aqui.