segunda-feira, 30 de março de 2009

Ser ou Não Ser?


Ainda não tinha conhecido o novo Oi Casa Grande. Morando na Lapa e, portanto, perto de diversos teatros do Centro que têm bons espetáculos com ingressos a preços razoáveis, confesso que não é qualquer coisa que me seduz a frequentar os nada acessíveis teatros da Gávea, Leblon e adjacências. Wagner Moura interpretando Hamlet é uma delas. Chegando ao saguão do teatro, estranhei o fato do programa da peça ser vendido (afinal, o espetáculo tem patrocínio do Bradesco e os ingressos custam a partir de oitenta reais). Mas o que me chocou mesmo foi o preço: 20 reais. Bonito, papel de qualidade... mas 20 reais? Deixa pra lá, vai ver eu que sou pobre. Vamos à peça.

Hamlet é considerada a melhor e mais profunda peça de William Shakespeare. E olha que eleger o melhor texto de alguém que escreveu pérolas como Macbeth, Otelo, Rei Lear e tantas outras definitivamente não é pouca coisa. Há em Hamlet uma força poderosa que se sobressai à tragédia, às mortes e à vingança: o questionamento profundo vivido por seu protagonista, destacado na famosa máxima “ser ou não ser” – toda a angústia de um homem traduzida em quatro simples palavras.

Trata-se de uma montagem integral, o que significa que o espetáculo totaliza três horas e meia – sendo quinze minutos de intervalo. A tradução, embora fiel ao texto em essência, opta por uma linguagem contemporânea. Decisão que provavelmente agradaria ao bardo, que à sua época teve a ousadia de associar lirismo e refinamento a uma forte veia popular. Aliás, Shakespeare é sempre atual justamente por conta de suas raízes populares e não deixa de ser curioso que hoje em dia ele seja reverenciado como autor erudito e “difícil”. Já algumas questões cênicas como a concepção do fantasma do pai e o excesso de metalinguagem me incomodaram um pouco. Mas, enfim, isso é uma escolha da direção e o assunto vem sendo debatido por gente mais qualificada do que eu (no caso, a erudita crítica de certo jornal e o diretor Aderbal Freire-Filho).

Eu prefiro falar da experiência maravilhosa de ver em cena, de perto, um ator tão completo como Wagner Moura. Admiro o talento desse artista fantástico desde que o vi em Deus é Brasileiro, há cinco anos. Neste curto período de tempo, ele fez (bem) papéis tão diversos como o retirante de O Caminho das Nuvens, o estivador de Cidade Baixa, o hilário apresentador de TV de A Máquina, o ator apaixonado de Romance e, claro, o inesquecível Capitão Nascimento de Tropa de Elite. Mas nenhum desses personagens se compara em termos de criação e construção ao príncipe dinamarquês atormentado por uma vingança que não sabe se deve consumar.

Vale destacar a dificuldade que o papel de Hamlet representa para qualquer ator. Não apenas por sua complexidade, mas também pelo fato de já ter sido representado por muitos grandes atores ao longo dos anos. E Wagner conseguiu criar uma persona diferente de tudo que já foi visto. Seu Hamlet é atemporal em sua descontração e lancinante em suas dores. Profundo e debochado. Deprimido e vigoroso. Afetuoso e insensível. Louco sim, mas numa bifurcação entre a loucura que corrói sua alma de verdade e a loucura encenada que ele usa como tática de desordem. Inquieto, tenso, com um riso nervoso e uma hiperatividade que nos incomoda. E o ator se funde de tal forma com o personagem (nesse ponto, o tom metalinguístico ajuda) que a angústia de Hamlet desorienta o espectador e todos ficam presos a cada gesto e inflexão de voz de Wagner.

Outros destaques no elenco são a boa presença de Mateus Solano (o Ronaldo Boscoli da minissérie Maysa) e a excelente composição de Georgiana Góes como Ofélia, adorável na sanidade e angustiante na loucura – a atriz faz ótima transição entre os dois estados. Mas a peça é mesmo de Wagner Moura. Sua interpretação de Hamlet é de uma entrega como poucas vezes tive oportunidade de ver. Uma grande atuação para um grande texto. Uma dica: ver algo assim é obrigatório para quem é do meio.

A temporada vai até 31 de maio. Sextas e sábados às 20h30, domingos às 19h.

domingo, 29 de março de 2009

Três Vezes Amor


Muitas vezes um trailer, em sua obrigação de tornar o filme mais atraente ou abranger um público maior, dá uma noção totalmente equivocada do produto que está vendendo. Isso nunca foi boa estratégia, porque acaba desagradando os que compram a idéia alterada e afastando o público-alvo correto. Assim é o trailer de Três Vezes Amor, cujo título em português tampouco ajuda a esclarecer sobre o que o filme realmente é. Pelo trailer, imaginamos tratar-se de uma comédia ligeira onde um trintão divorciado, incentivado pela filha, passa a correr atrás das ex-namoradas que o dispensaram. Pouco animador, certo? Acalmem-se, a coisa é melhor do que parece.

Definitely, Maybe (no original) se desenvolve praticamente através de flashbacks. Will Hayes está se divorciando e, numa noite que passa com a filha Maya, de 10 anos, é intimado pela menina a contar como ele e a mãe dela se conheceram e apaixonaram. Will não está a fim de desenterrar recordações mas, diante da insistência da menina, encontra uma solução intermediária: narrar sua vida, desde que chegou em Nova Iorque, há dezesseis anos, para trabalhar na campanha presidencial de Bill Clinton. Nesse período de tempo, Will se apaixonou por três mulheres. Uma delas é a mãe de Maya, mas, como ele se recusa a dizer os nomes verdadeiros, cabe à filha descobri-la através de eventuais pistas. Seria sua mãe a namoradinha de juventude Emily, a parceira de trabalho April ou a ambiciosa jornalista Summer?

Três Vezes Amor é um filme narrado com inesperada sinceridade e que mostra encontros e desencontros que poderiam acontecer a qualquer um, em qualquer lugar do mundo. É claro que o longa não se propõe a ser profundo nem a traçar nenhum painel definitivo sobre as relações humanas. É apenas uma história que conta com graça e simplicidade os caminhos imprevisíveis e confusos que tomamos em nossa vida amorosa. O quanto as pessoas são cegas para determinadas situações que acabam levando-as a resultados indesejados. A estrutura do roteiro também é muito legal e possibilita diversas situações divertidas, já que, ao narrar seu passado para a filha, Will se esquece em certos momentos de que está conversando com uma criança. Um exemplo disso é quando ele inadvertidamente menciona um mènage a trois. No final das contas, ao fazer a filha de analista, Will descobre que a menina pode ajudá-lo a consertar a bagunça que é sua vida.

No papel de Maya, a irretocável Abigail “Pequena Miss Sunshine” Breslin leva o filme nas costas. Claro que o simpático Ryan Reynolds também faz sua parte, mas a proposta talvez não funcionasse tão bem sem a espontaneidade e fofurice de Abigail. A menina transborda tanto carinho e preocupação por aquele pai atrapalhado que leva o espectador a enxergá-lo pelos seus olhos. A trilha sonora do filme é um capítulo à parte, já que é usada para recriar períodos e não apenas ilustrar as cenas. Considerando que a história abrange de 1992 a 2008, é uma grata viagem para os balzaquianos ouvir coisas de R.E.M. ou Nirvana – a letra de Come as You Are, aliás, faz parte da narrativa –, o que cria uma aproximação muito grande com os personagens, a exemplo do que foi feito em Alta Fidelidade.

É realmente uma pena que, aqui no Brasil, toda comédia romântica tenha que obrigatoriamente levar a palavra “amor” no título. E o título Três Vezes Amor acaba depondo contra o bom filme que é justamente por soar como milhões de outras coisas que você já assistiu antes e não gostou muito. Definitivamente, talvez fosse melhor apostar um pouco mais na inteligência do público.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Crepúsculo


“De três coisas eu tinha certeza absoluta: primeiro, Edward era um vampiro. Segundo, havia uma parte dele – e eu não sabia o quão dominante essa parte poderia ser – que desejava o meu sangue. E terceiro, eu estava completamente apaixonada por ele.”

Está chegando às locadoras a tão esperada transposição de Crepúsculo (Twilight, no original), da americana Stephenie Meyer, para as telas. O trecho acima, retirado da contracapa do livro, resume bem o conflito central dos quatro volumes que giram em torno do amor entre a adolescente Bella e o vampiro de bom coração Edward. A chamada Twilight Saga apóia-se numa trama original e simpática que, não obstante alguns pontos fracos, sabe fisgar a atenção do leitor ao longo de mais de duas mil páginas. A legião de fãs se espalhou pelo mundo e o filme já estava em produção antes mesmo do lançamento do último livro, em agosto do ano passado.

Bella Swan é uma adolescente desajeitada que se sente deslocada na cidadezinha para onde acaba de se mudar. Quando o lindo e misterioso Edward Cullen demonstra interesse por ela, Bella mal pode acreditar. Mas o rapaz tem atitudes estranhas e contraditórias: num dia não consegue tirar os olhos dela e, no outro, trata-a como se ela não existisse. O porquê desse conflito o espectador já sabe, e espera pelo momento em que Bella também descobrirá que Edward vive dividido entre sua atração por ela e o medo de machucá-la, já que pertence a um clã de vampiros civilizados e acredita que o único modo de controlar seus instintos naturais é manter uma distância segura dos humanos.

A primeira notícia que ouvi sobre a produção deste filme me deixou apreensiva: a escolha de Catherine Hardwicke para a direção. Hardwicke estreou atrás das câmeras há cinco anos com o pavoroso Aos Treze. Depois realizou o apenas razoável Os Reis de Dogtown. O bom presságio estava no fato dela pelo menos não ter escrito o roteiro desta vez. Adaptar um livro de 500 páginas para um filme de duas horas é sempre complicado, e tudo se torna ainda mais difícil quando é preciso estar atento para não cortar nenhum detalhe que possa fazer falta nos filmes subseqüentes. Podemos dizer que, no todo, a essência deste primeiro volume foi bem preservada. Embora algumas pequenas subtramas tenham sido limadas e alguns personagens que terão importância adiante apareçam muito rápido, a base principal para toda a série foi estabelecida.

Algumas decisões visuais poderão incomodar quem leu o livro, como o tratamento dado à cidade de Forks – descrita como um buraco no fim do mundo –, mas que na tela parece moderninha demais, cheia de adolescentes de aspecto descolado. Assim como a casa de Charlie, excessivamente arrumada para um homem solitário que vive para o trabalho. Mas esses detalhes são diminutos diante da grande bola-fora do filme: a tosquice dos efeitos especiais. A seqüência em que Edward corre pela floresta levando Bella nas costas chega a ser constrangedora de tão fake. Aliás, todas as cenas que tentam mostrar a rapidez e/ou força sobre-humana do personagem não convencem – quase podemos ver os cabos suspendendo o ator, tamanha a falta de naturalidade. A única seqüência em que os efeitos parecem bem aplicados é a que mostra a família jogando beisebol.

Se Crepúsculo fosse um filme de ação, um clássico filme de vampiros, a mediocridade dos já citados “defeitos especiais” prejudicaria o resultado final de forma irreversível. Mas o longa é, antes de tudo, uma história de amor. Meio surreal, mas inquestionavelmente romântica. E, como tal, o filme funciona. Com um pouquinho só de boa vontade é possível se deixar encantar, com a ajuda da trilha bonitinha e, principalmente, da fotografia deslumbrante. Seja nas tomadas na floresta, na bela casa de vidro dos Cullen ou até mesmo num singelo coreto enfeitado com luzes, todas as imagens de Crepúsculo são muito bem cuidadas. Outro destaque são os flashbacks em tom sépia.

Embora não tenham absolutamente nada a ver uma com a outra, comparações entre as franquias Twilight e Harry Potter são recorrentes. Não apenas por serem ambas direcionadas ao público juvenil, mas também por inserirem um mundo mágico numa realidade contemporânea. Robert Pattinson, conhecido justamente como o Cedric Diggory de Harry Potter e o Cálice de Fogo, a princípio parecia uma má escolha para o papel de Edward. Mas não é que Pattinson é o maior acerto do elenco? Além de seu visual ser a materialização exata do Edward do livro, o ator passa de modo convincente a tensão interna de um personagem que está sempre tentando não perder o controle duramente adquirido. E, convenhamos, ele fica lindo com aqueles olhos dourados.

Já Kristen Stewart, apesar da boa química com Pattinson, mantém a mesma fisionomia apática até quando é ameaçada de morte. A atriz já está ficando conhecida tanto por sua beleza como por sua falta de expressão. Pensando a longo prazo, é motivo para se preocupar. Seria bom que a produção providenciasse um bom preparador de elenco para a moça. Dentre os coadjuvantes, sobressaem-se Billy Burke como Charlie Swan e Ashley Greene como Alice Cullen. A performance de Taylor Lautner, intérprete de Jacob Black, pode ser um fator decisivo para a série devido à importância futura de seu personagem. Mas como ele praticamente não aparece neste primeiro longa, só poderemos analisá-lo melhor em New Moon (o segundo filme, que estréia em novembro). New Moon, aliás, ficará a cargo de um novo diretor: Chris Weitz, de A Bússola de Ouro e Um Grande Garoto. Outra expectativa é a confirmação da estrelinha Dakota Fanning no elenco como a vilã Jane. Torçamos para que isso se reflita num salto de qualidade para a série.

Simplesmente Feliz


Algumas pessoas costumam dizer que rico ri à toa. Ou que alegria de pobre dura pouco. Parece que a sabedoria popular tem como consenso o fato de que a pessoa precisa ter muitos motivos – de preferência, financeiros – para estar de bem com a vida. O novo filme de Mike Leigh defende a tese de que algumas pessoas são felizes e positivas sem nenhuma razão em especial. E que podem incomodar os que estão à sua volta justamente pelo fato de seu otimismo ser gratuito.

Poppy é uma professora primária em Londres. Sua vida não tem nada de especial: é uma assalariada, divide um apartamento com uma amiga e vive os pequenos problemas do dia-a-dia como qualquer ser humano regular. Quer dizer, não exatamente como qualquer um. A grande diferença é que nada consegue tirar o bom humor da moça. Logo no princípio do longa, sua bicicleta é roubada. Após uma breve expressão de contrariedade, Poppy logo se refaz e passa a ver o lado positivo da situação: perder a bicicleta transforma-se numa boa oportunidade de aprender a dirigir.

É então que Poppy encontra seu pólo negativo: Scott, um instrutor de auto-escola tenso e mal-humorado. A princípio irritado com a alegria constante da aluna, o personagem passa para um interesse relutante e também pela desconfiança, vivendo uma montanha-russa de emoções contraditórias. E Poppy em nenhum momento se dá conta do impacto que seu modo de ser causa em Scott. Ao mesmo tempo, ela inicia um relacionamento com o assistente social Tim que, ao contrário de Scott, se encanta logo de cara por seu jeito descontraído e eufórico.


O filme mostra com muita graça e sensibilidade o quanto o “diferente” incomoda. Mesmo o diferente que é positivo, otimista, gente boa, enfim, totalmente do bem. A atitude de Poppy e o modo como ela ama sua vida prosaica é tão rara e tão surpreendente que parece deboche ou inconsequência aos olhos de um amargurado como Scott. Na cabeça dele, alguém assim não pode ser uma pessoa responsável – o que fica claro com o espanto dele ao saber que ela é professora. Vale ressaltar que também o espectador tem essa primeira impressão, que é progressivamente desfeita ao longo do filme conforme vai sendo ilustrado que Poppy tem postura responsável como professora, amiga, irmã, cidadã. O que leva a um questionamento interessante: por que as pessoas associam alegria à irresponsabilidade?

Poppy é defendida com garra e talento inquestionáveis por Sally Hawkins, que não deixa a personagem cair na caricatura (o que é bem difícil, considerando seu figurino bizarro). Sally também imprime uma energia vigorosa, o que evita que Poppy pareça uma mosca-morta conformada. Resumindo: a atriz constrói a personagem na medida certa, e fez por merecer seu Urso de Prata e Globo de Ouro de melhor atriz (e ela certamente merecia ter obtido uma indicação ao Oscar). Mike Leigh, cineasta de filmes mais densos e politizados, surpreende ao realizar esta comédia inteligente e despretensiosa. Um filme simplesmente delicioso.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ele Não Está Tão a Fim de Você


Situação clássica: garota sai com rapaz, acha que a noite foi ótima e já se empolga com a possibilidade de um relacionamento... só que ele nunca mais telefona. As amigas, tentando dar uma força, encontram possíveis desculpas. Ele perdeu o telefone, ficou doente, viajou para a Sibéria... Gigi está farta disso. Quer saber porque Conor não retorna seus telefonemas e procura forçar um encontro “casual” no bar que ele disse frequentar. Não encontra o ex-futuro-namorado, mas faz amizade com o cínico Alex, que simpatiza com ela e resolve lhe dar algumas dicas úteis sobre o mundo masculino. Segundo ele, não existe meio-termo nem desculpas. Se o cara quer encontrar uma garota, ele dá um jeito. Se não ligou, ele simplesmente não está a fim.

Existem filmes que gravitam em torno de seus personagens, ou seja, o que está acontecendo é sempre menos importante do que a reação ou sentimento do personagem a respeito do fato. Já este filme segue o caminho inverso: trata-se de um filme de situações, onde o que realmente importa é discorrer sobre determinado assunto – no caso, a dificuldade das pessoas em enxergar a verdade. O roteiro de Abby Kohn e Marc Silverstein foi baseado livro homônimo de Greg Behrendt e Liz Tuccillo, que, por sua vez, teve como ponto de partida um episódio do seriado Sex and the City em que um namorado da personagem Carrie explicava à sua amiga Miranda a tal tese depois que esta tentava entender o porquê de seu encontro ter acabado de forma insatisfatória.

Ele Não Está Tão a Fim de Você aborda de modo descontraído e esperto o modo como as pessoas – em geral mulheres, mas também há um exemplo masculino dentre os personagens – preferem se enganar a aceitar o óbvio quando se trata de rejeição. Afinal de contas, é sempre mais fácil fantasiar razões colaterais para um fracasso amoroso do que encarar a rejeição pura e simples. Quem nunca se consolou em ouvir frases como “eu acabei de sair de um relacionamento”, “não estou pronto para uma relação agora” ou a clássica das clássicas “não é você, sou eu”? E a ilusão costuma ser alimentada pelos amigos que, na melhor das intenções, sempre se lembram de um episódio parecido com o seu que teve um desfecho inesperadamente feliz. Conforme Alex diz a Gigi, casos assim são a exceção; a grande maioria de nós tem que se contentar em ser a regra.

O roteiro passeia por várias histórias interligadas, sendo os personagens Gigi e Alex os principais condutores da trama. Os personagens não são analisados de modo individual e funcionam mais como arquétipos: Gigi é uma romântica incorrigível, que não desiste de encontrar o amor; Beth tem um relacionamento feliz e estável, mas não consegue se desapegar do sonho do casamento; Janine está frustrada com o marido e direciona sua energia para a reforma da casa; Anna ignora os sinais de perigo e mergulha numa relação fadada ao desastre desde o princípio. Na banda masculina, Conor é o cara simpático que acaba sendo mais amigo do que amante da mulher que ama; Neil quer dividir a vida com a namorada, mas tem pavor da instituição casamento; e Alex tem teorias e regras que o protegem das armadilhas do amor, mas que acabaram transformando-o em um solitário.


O elenco é repleto de estrelas: Jennifer Aniston, Jennifer Connelly, Scarlett Johansson, Ben Affleck, Drew Barrymore. Mas, curiosamente, é a pouco conhecida Ginnifer Goodwin (antes desse filme, ela foi a esposa de Joaquin Phoenix em Johnny e June) quem dá sustentação ao filme com sua simpatia e sinceridade. É claro que nada do que é mostrado no longa chega a ser uma revelação e qualquer pessoa com um pouco de autocrítica pode chegar sozinha à maioria das conclusões a que os personagens chegam. Mas a mensagem é outra e isso fica claro justamente quando Alex vai contra alguns de seus próprios dogmas. O filme, longe de cair em contradição, ensina que cada caso é um caso e não existe regra nem fórmula infalível quando se trata de amor.

Estréia nesta sexta.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Supernatural


Imaginem um mundo onde as crianças devem de fato temer os monstros no fundo do armário. Onde vampiros e lobisomens não fazem parte apenas da mitologia. Onde demônios caminham entre nós e possuem pessoas inocentes, fazendo com que pareçam loucas ou homicidas. E onde todas as lendas urbanas que você alguma vez já ouviu se revelam verdadeiras. É justamente esse o cotidiano dos irmãos Sam e Dean Winchester, protagonistas da série Supernatural.

Cruzando estradas americanas a bordo de um Impala 67 preto cheio de armamentos na mala, enchendo assombrações de tiros de sal e arriscando a vida diariamente, Sam e Dean sabem que o trabalho que fazem nunca terá nenhum tipo de reconhecimento e, ainda assim, continuam a fazê-lo pelo simples fato de pertencerem ao restrito universo dos que sabem que há muito mais entre o céu e a Terra do que vãs filosofias. Com tanto em jogo, os manos são heróis nada convencionais: mentem descaradamente para obter informações, profanam túmulos, usam identidades falsas, fraudam cartões de crédito (afinal de contas, caçador de demônios não é uma profissão remunerada) e são procurados pela polícia em diversos estados; enfim, os caras vivem totalmente à margem da sociedade – o compromisso deles é com a sua própria ética.

Como eles entraram nessa? O episódio-piloto explica: vinte dois anos antes, quando Sam tinha seis meses e Dean, quatro anos, a mãe deles foi morta por um demônio. Desde então, John Winchester, o pai, ficou obcecado em descobrir tudo sobre o mundo sobrenatural. Na busca pelo demônio que destruiu sua família, John se esmerou em caçar espíritos atormentados e toda sorte de criaturas do mal, além de criar os filhos como verdadeiros guerreiros. Até o dia em que Sam, farto daquela vida surreal, resolveu abandonar tudo e ir para a faculdade. Para tanto, precisou enfrentar o pai e romper relações com ele. Dois anos depois, Dean aparece pedindo sua ajuda. John saíra para uma caçada há vários dias e não dera notícias desde então. Comovido com o desespero do irmão, Sam concorda em ajudá-lo a seguir a última pista deixada pelo pai. Mas só. Ele está feliz e não quer voltar a lidar com o sobrenatural. Mas é forçado a mudar de idéia quando sua namorada Jessica é assassinada exatamente da mesma forma que sua mãe. Tudo indica que o demônio tem uma questão pessoal com os Winchester.


Há tempos que as emissoras tentam produzir uma série como essa e não conseguem. Embora tudo que exista dentro do gênero atualmente tenha suas origens na célebre Além da Imaginação, a safra moderna certamente começou graças à popularidade de Buffy – A Caça-Vampiros. Por ser Buffy direcionada demais ao público adolescente, urgia criar algo semelhante para o espectador adulto. Tentativas não faltaram, desde Charmed (que começou bem e depois descambou para o mesmo estilo teen de Buffy) até as chatinhas Medium e Ghost Whisperer, passando pela muito boa e pouco vista Tru Calling. Nenhuma delas chegou a ser um fenômeno de popularidade.

Em Supernatural, a grande sacada vem do fato dos irmãos estarem sempre na estrada, se deslocando, o que evita que se criem “barrigas”, ou seja, episódios onde nada acontece. A cada semana uma nova história de horror é contada, como se fosse um filme independente, mas sempre mantendo em foco também a sequência da história dos Winchester, sua caça ao demônio e a relação familiar. Aliado a isso, a equipe de roteiristas tem à mão todo o arsenal de lendas urbanas americanas, bastando para isso colocar Sam e Dean na estrada em busca de uma nova pista. E a mistura de suspense e road movie torna a série incrivelmente dinâmica e diversificada.

Também chama a atenção o bom humor que pontua as histórias e as inúmeras referências à cultura pop contidas nos diálogos. Um exemplo é quando Dean é alvo de um médium que controla a mente alheia e tenta explicar a Sam porque emprestou seu amado carro a ele: “ele deu uma de Obi-Wan pra cima de mim”. Ou o deboche de Dean quando descobre que o irmão tem visões: “quem é melhor médium: Patricia Arquette, Jennifer Love Hewitt... ou você?”, numa referências às atrizes de Medium e Ghost Whisperer.


Outro ponto fundamental é a química entre os atores Jared Padalecki (Sam) e Jensen Ackles (Dean), que passam com perfeição a dinâmica existente entre dois irmãos que, embora se amem incondicionalmente, têm personalidades bastante diferentes. Sam é mais calmo, sensível e intelectual (o que não quer dizer que ele não saia no braço com vampiros se preciso) enquanto Dean é mais rude, cheio de marra, mulherengo, sem papas na língua. Imaginem essas duas figuras convivendo 24 horas por dia, 7 dias por semana. Provocações, piadas e brigas são constantes. Que sempre terminam em reconciliação, afinal de contas, não apenas eles são irmãos como precisam estar unidos para combater o Mal. Jeffrey Dean Morgan no papel do pai também foi uma ótima escolha. Sua participação na série é esporádica (mais no final da primeira temporada), porém marcante. Dividido entre suas obsessões e os filhos, o ator deixa sempre claro o que é mais importante cada vez que lança seu olhar cheio de amor e orgulho a cada um deles. Vale dizer, ainda, que a série triunfa onde a maioria dos filmes de terror falha, que é na apresentação de personagens tridimensionais e com bom desenvolvimento psicológico.

Supernatural está em sua quarta temporada e passa no Warner Channel todo domingo às 21h. Na TV aberta, o SBT exibe atualmente a segunda temporada também nas noites de domingo depois do “Oito e Meia no Cinema”, que começa às dez e tal (!!!), ou seja, Supernatural começa mesmo depois de meia-noite – o que não deixa de ser apropriado. Mas as três primeiras temporadas já estão todas disponíveis em DVD, então oportunidades não faltam para acompanhar a melhor série do momento. Caiam na estrada com os irmãos Winchester!

sábado, 21 de março de 2009

O Roqueiro


Era uma vez um diretor de TV inglês chamado Peter Cattaneo que, em 1997, realizou uma comédia que foi um inesperado sucesso, Ou Tudo ou Nada. Cattaneo foi indicado ao Oscar de melhor diretor e tudo. Mas depois disso os filmes dele nunca mais chegaram ao Brasil. The Lucky Break passou em um Festival de anos atrás e só; Opal Dream, nem isso. Este O Roqueiro, que passou no Festival do Rio do ano passado, agora chega ao Brasil direto em DVD.

Robert “Fish” Fishman foi baterista de uma banda de rock nos anos 80, mas foi traído pelos amigos e expulso do grupo quando este estava a um passo do estrelato. Vinte anos depois, ele é um atendente de telemarketing que fica furioso quando ouve falar do sucesso dos velhos desafetos. Sua segunda chance na música vem através da banda do sobrinho adolescente e num vídeo bizarro que o transforma em sucesso no You Tube.

Não é que O Roqueiro seja um filme super original. O roteiro segue aquela fórmula do fracassado que tem sua segunda chance e prova a uma nova geração incrédula que tem seu valor, passando por desentendimentos entre os personagens que levam a um final onde todos amadurecem. Mas o filme é tão simpático e engraçadinho que não dá para deixar de se divertir. No papel principal está o carismático Rainn Wilson, da série The Office, como uma espécie de clone do Jack Black em Escola de Rock.

Fora isso, o filme faz algumas piadas realmente inspiradas, como os roqueiros que inventaram um sotaque inglês depois de famosos. Também recria cenas impagáveis envolvendo aquela cafonice purpurinada de algumas bandas dos anos 80. Todo mundo que já pulou ao som do Bon Jovi sabe do que eu estou falando. Yeah, baby, let's rock!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Sob Controle


Elizabeth Anderson e Sam Hallaway são dois agentes do FBI que chegam a uma pequena cidade onde acabou de ocorrer um brutal massacre na estrada. A dupla desconfia que o crime esteja ligado a assassinos que eles estão caçando. Na delegacia, encontram três testemunhas: o policial Jack Bennet, a viciada Bobbi e a menininha Stéphanie. Cada um deles perdeu alguém na chacina e, entre contradições e mentiras, apresentam versões diferentes do ocorrido. 

Jennifer Lynch causou um barulho danado quando, há quinze anos, escreveu e dirigiu o bizarríssimo Encaixotando Helena. Tá certo que moça já tem o DNA da bizarrice só pelo fato de ser filha de David Lynch, mas Encaixotando Helena era tão estranho, tão repleto de perversões e tabus, que a cria conseguiu superar o criador em termos de surrealismo. Passaram-se os anos e Jennifer nunca mais dirigiu um filme, com exceção de um episódio para uma série de TV. Considerando tudo isso, eu não sabia o que esperar de Sob Controle. Bom, digamos que é um filme dentro de um certo grau de normalidade. Normalidade em comparação com seu antecessor, é claro, já que Sob Controle também apresenta alguns personagens bem doentios. Lembra em alguns aspectos Os Suspeitos. E é o tipo de tipo de história em que qualquer resenha mais longa pode acabar tornando-se um spoiler. Só digo então que vale a pena dar uma olhada. Prestem atenção na atmosfera sufocante e na trilha sonora cheia de acordes perturbadores, bem parecida com a de Cidade dos Sonhos.

Exibido no Festival de Cannes de 2008, o filme passou também passou no Festival do Rio de 2009 e agora chega ao mercado de DVD sem ter passado pelo circuito comercial.

Romance


Está chegando às locadoras um dos melhores filmes que passaram por nossos cinemas em 2008: Romance. O filme acompanha a história de amor de Pedro e Ana, dois atores que se conhecem e se apaixonam perdidamente ao interpretarem a tragédia de Tristão e Isolda no teatro. Mas Ana é descoberta por um executivo da TV, que a contrata para uma novela. Ela acha que pode conciliar as duas atividades e que seu sucesso trará público para a peça; ele sente-se ofendido pela súbita popularidade da amada e, corroído pelo ciúme, rompe com a parceria afetiva e profissional. Três anos depois, Ana é uma estrela da televisão e Pedro segue fiel à sua devoção pelo palco. Ainda apaixonados, os dois se reencontram quando Pedro aceita dirigi-la em um especial para a TV e apresenta como projeto uma versão sertaneja da peça que marcou o encontro deles.

Não é de hoje que o talentoso Guel Arraes, diretor consagrado primeiramente por sucessos televisivos como Armação Ilimitada e TV Pirata, vem namorando o cinema. Em 2000, Arraes aproveitou o enorme sucesso que sua minissérie O Auto da Compadecida obteve na TV no ano anterior para editá-la e lançá-la nos cinemas como um longa-metragem. O mesmo aconteceu a seguir com Caramuru – A Invenção do Brasil. Em 2003, a peça Lisbela e o Prisioneiro, encenada por ele nos palcos cariocas, também ganhou as telonas do Brasil. Com esse histórico, não é de se admirar que o roteiro de seu primeiro filme pensado diretamente para o cinema apresente um casamento dessas três artes.

O roteiro, escrito por Arraes e Jorge Furtado, mostra o relacionamento dos atores com seu ofício e a tênue linha que divide a boa oportunidade do mercantilismo: as concessões, as dificuldades, o idealismo, enfim, todos os conflitos das pessoas que fazem da sua arte uma profissão de fé. Pedro acredita no trabalho puro, radical, motivado apenas pela paixão. Ana quer fazer desvios de rota em nome de um bem maior. E o filme traz para a tela de cinema os bastidores do teatro e da televisão, colocando em xeque as inúmeras diferenças e particularidades de cada veículo e as dificuldades que os atores têm de transitar entre cada um. Uma coisa que chama bastante a atenção é o contraste entre a intensa carga dramática de Ana nos palcos como Isolda e a superficialidade de sua personagem televisiva – e a ironia dela ficar famosa pela segunda.

Um aspecto muito presente nos trabalhos de Jorge Furtado é um certo didatismo, no bom sentido. Romance é uma aula fundamental sobre teatro, passando para o espectador conceitos importantíssimos de modo quase imperceptível. Um exemplo disso é quando Pedro explica para Ana que Tristão e Isolda morrem de amor para que o público sinta tamanha emoção sem precisar morrer na vida real. Esse diálogo exprime em poucas e simples palavras a idéia de catarse, um dos pilares fundamentais do teatro – e imprime a marca de Furtado no ótimo roteiro.


Também é belíssimo o uso de obras clássicas como pano de fundo: além da lenda de Tristão e Isolda, casal mítico que serviu de inspiração para Romeu e Julieta e está na origem de todas as histórias de amores trágicos escritas desde então, Pedro também se vale de Cyrano de Bergerac quando escreve em seu roteiro tudo que gostaria de dizer a Ana – falas que ela ouvirá da boca de outro ator. Então não se enganem: embora a arte esteja sempre na berlinda, o tema principal do longa é o amor. Seja correspondido, impossível ou trágico, os efeitos da paixão vão além da teoria e se refletem na vida real. Como diz Letícia Sabatella em uma das cenas, cada ator coloca um pouco de si quando interpreta uma cena romântica na ficção. Sua personagem, Ana, é cativante em suas emoções à flor da pele e contradições. E o que o filme mostra (e eu concordo) é que o fato de um ator se sentir mexido quando interpreta uma cena de amor com alguém por quem sente atração não demonstra de falta de profissionalismo e sim humanidade.

O espectador pode estranhar que Romance seja um filme com menos características cômicas do que os trabalhos anteriores de Guel Arraes, embora o humor esteja presente através dos personagens de Vladimir Brichta e Andréa Beltrão. Ela é uma produtora com os dois olhos no lucro e nenhum na sensibilidade artística, que considera o teatro algo velho e ultrapassado; ele, um tipo cafajeste que faz qualquer coisa para conseguir um bom papel. O interessante na relação desses dois personagens é eles se caracterizarem como uma inversão do velho clichê da atriz ambiciosa que dorme com o produtor para subir na vida.

Wagner Moura e Letícia Sabatella estão simplesmente maravilhosos no papéis principais, transmitindo com igual intensidade grande paixão pela arte e um pelo outro. Inesquecível a cena em que Pedro e Ana quebram o barraco no camarim e se separam aos prantos ao som de Nosso Estranho Amor, uma das mais lindas canções já escritas por Caetano Veloso. Aliás, todo o longa é de uma beleza que salta aos olhos. Na trilha inspirada de Caetano, nas imagens que retratam Tristão e Isolda, nos figurinos e concepção das obras “de dentro”, na perfeição plástica das cenas de amor. Enfim, tudo no visual do filme toca os sentidos e cria um clima propício à emoção.

No final das contas, Romance – como o próprio título já insinua – é um filme que atinge o espectador através dos sentimentos. Seja interpretando o próprio romance ou os desdobramentos dele na pele de seus personagens, Pedro e Ana são loucos um pelo outro e transmitem a força desse amor muitas vezes sem precisar de palavras. O casal certamente inspirará no espectador o desejo de se perder numa paixão semelhante, ignorando a advertência que Pedro faz logo no início do longa sobre as trágicas conseqüências de se apaixonar.

Alma Perdida


Existe coisa mais entediante no cinema atual do que remakes de filmes de terror made in Oriente? Por incrível que pareça, existe sim. Um roteiro original (?) que parece remake de um filme de terror oriental. Assim é Alma Perdida, filme de terror óbvio, repetitivo e que não assusta nem um pouco. Está certo que atualmente pouca coisa se salva no gênero, mas o longa consegue fracassar até mesmo em seguir velhas fórmulas. O título em português também ajuda na sensação de repetição, já que o título original The Unborn (o não-nascido) acaba sendo a única coisa realmente instigante da fita.

Casey Beldon é uma jovem de 19 anos que começa a ter estranhos pesadelos com um garotinho de aspecto malévolo. Logo, pessoas à sua volta começam a ser atacadas e ela percebe que deve buscar as respostas na aparente loucura de sua mãe, que se suicidou quando ela era menina. Com a ajuda do rabino Sendak, ela descobre que sua família vem sendo perseguida por um dybbuk (espírito maligno do folclore judaico) e que a raiz do problema está em um garotinho morto durante a segunda guerra mundial.

A trama parte de um argumento que poderia ser bastante interessante, caso soubesse tirar partido de explorar a lenda do dybbuk ao invés de apenas jogar a informação da tela como uma explicação apressada para o que está acontecendo com a protagonista. O roteiro não esboça o mínimo desenvolvimento do tema, o que faz com que, no final das contas, não faça a mínima diferença que tipo de criatura assombra Casey. Conforme a história avança, os sustos ficam cada vez mais óbvios e as explicações cada vez menos coerentes (até o Dr. Menguele entra na jogada). Até desembocar num clímax que beira o ridículo, com direto a exorcismo com tradução simultânea.

Para piorar o que já não é bom, o roteiro se apóia quase exclusivamente na personagem Casey, interpretada de modo incrivelmente monótono por Odette Yustman. Cam Gigandet, um dos vampiros maus de Crepúsculo, é quem encarna o namoradinho igualmente sem sal. Eu me pergunto quando é que os produtores de elenco dos filmes de terror vão deixar em segundo plano o teste da calcinha (a mocinha sempre aparece levantando da cama de camiseta justa e calcinha, sempre!) e dar um mínimo de atenção aos dotes interpretativos. Afinal de contas, não deve ser impossível encontrar uma atriz jovem e bonitinha que saiba expressar medo de forma convincente. Posto isso, dá pena ver um ator bom como Gary Oldman tentando fazer a sua parte. Mas todos nós temos contas a pagar, não é verdade?