quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Turista


Em primeiro lugar, é bom esclarecer que O Turista não chega a ser esse desastre sem precedentes que muitos andam alardeando. Talvez tanta má-vontade se deva a alguns fatores externos ao filme em si: a) era esperado mais do diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck (A Vida dos Outros), em sua primeira incursão hollywoodiana; b) sempre esperamos melhores escolhas de Johnny Depp como ator; e, principalmente, c) um filme mediano como esse indicado a três Golden Globes inevitavelmente vai virar piada.

Considerando apenas o filme e tentando não se influenciar por esses fatores, O Turista fica na média dos filmes que misturam romance com thriller de espionagem, e ainda tem o plus de ser emoldurado pelos misteriosos canais de Veneza. Johnny Depp é Frank, um pacato professor americano que vai à Europa tirar férias e esquecer um amor perdido. No trem que o levará a Veneza, uma bela mulher cruza seu caminho e o arrasta para um perigoso jogo de sedução e intrigas. Frank se apaixona por Elise, mesmo sabendo que ela está apenas usando-o como isca para desviar a atenção das autoridades e de perigosos mafiosos do homem que ela ama.

Partindo de um argumento que Hitchcock apreciava muito, o do homem comum arrastado para circunstâncias extraordinárias, o filme se desenvolve em torno dessas duas vertentes: a intriga policial e a sedução amorosa. Quem, exatamente, é Elise e até que ponto ela estaria se aproveitando de Frank? Angelina Jolie faz o que sabe fazer melhor: ser bonita, sexy e arrancar suspiros. Enquanto isso, Johnny Depp parece pouco confortável no papel de homem comum, submisso e tímido. Claro que suas falas tampouco ajudam e a caracterização de seu personagem em alguns momentos beira o ridículo, como na cena em que ele salta de pijama pelos telhados da cidade. Aliás, esse é um dos problemas do filme, sua indecisão entre ser de fato um thriller de espionagem ou apenas uma paródia de um.


A despeito dessa indecisão de gênero, o filme diverte. Seja pelo bom ritmo, seja pelo deslumbrante cenário, O Turista funciona como diversão ligeira sem compromisso. Claro que algumas soluções – em especial o desfecho – não se sustentam uma vez acendidas as luzes da sala de projeção, mas como puro entretenimento o filme não faz feio. O problema foi levar o que deveria ser um filminho leve de verão para o tapete vermelho dos Golden Globes. Pegou mal. Quando os lobistas vão entender que uma indicação não-merecida apenas presta um desserviço ao produto?

Sexta nos cinemas.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Camden Town


Imaginem uma versão punk e/ou roqueira da rua da Alfândega em Londres. Pois bem, esse lugar existe e chama-se Camden Town. Camden Town já foi uma zona de armazéns e estábulos, mas hoje em dia tornou-se um reduto de moda alternativa, cheio de lojinhas exóticas, pubs, clubes e estúdios de tatuagens e piercings. Saindo da estação de metrô, o visitante já cai no meio da efervescência colorida do lugar e pode se deparar com as mais estranhas figuras, sejam adolescentes vestidos à moda gótica ou punks da velha guarda. Nenhum visual, por mais louco que seja, soa fora do contexto do local.

As lojas em si são uma atração à parte, com suas fachadas coloridas e irreverentes. Em Camden Town você encontra todo tipo de acessório com caveiras (muitos com o Jack Skellington, inclusive), boots cheios de tachas, muito couro, cartolas e muitos outros chapéus diferentaços, vestidos rodados ao estilo dos anos sessenta com estampas de caveira, enfim, a moda toda parece saída direto do guarda-roupa de Tim Burton e Helena Bonham Carter. Além das lojas, tem um mercado cheio de barraquinhas de roupas, acessórios, comidas, etc.

Foi lá, numa noite de domingo - mais precisamente, no dia 2 de janeiro de 2011 -, que eu fiz minha quarta tatuagem (foto ao lado), comprei uma echarpe de caveiras, uma luva com tachinhas e me diverti muito. Um programão! Meio fora do circuito tradicional para turistas, mas que vale muito a pena para quem quer ver uma Londres além dos cartões postais.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Globo de Ouro 2011 – Os Ganhadores

Colin Firth, melhor ator (drama)

Numa noite bastante previsível, a festa do Globo de Ouro consagrou o queridinho da crítica, A Rede Social, com quatro prêmios: melhor filme dramático, direção, roteiro e trilha sonora. Depois do longa de David Fincher, os mais premiados foram Minhas Mães e Meu Pai (melhor filme e melhor atriz em comédia/musical para Annette Bening) e O Vencedor (melhor ator e atriz coadjuvante para Christian Bale e Melissa Leo). Também os melhores atores em drama, que são sempre considerados candidatos fortes ao Oscar, se mantiveram dentro do esperado, consagrando as comentadas interpretações de Colin Firth em O Discurso do Rei e Natalie Portman em Cisne Negro – estatuetas que foram, inclusive, os prêmios de consolação dos respectivos filmes. Outro Globo que não surpreendeu ninguém foi o de Toy Story 3 como melhor animação (tem até quem o considere melhor filme do ano, e pronto).

A sempre talentosa Natalie Portman

Dos candidatos a melhor filme dramático, apenas A Origem saiu de mãos abanando. Uma pena. Na outra categoria, sempre esvaziada pela divisão em gêneros, o resultado foi inverso: além dos já citados prêmios de Minhas Mães e Meu Pai, restou somente um Globo de melhor canção para Burlesque. Já o prêmio de filme estrangeiro foi para o pouco comentado Em um Mundo Melhor, da Dinamarca, contrariando o favoritismo do mexicano Biutiful.

No setor televisivo, a consagração de Glee em sua segunda temporada dividiu as atenções com a novidade Boardwalk Empire, produção de Martin Scorsese que deu o primeiro Globo de Ouro ao veterano Steve Buscemi. Outra surpresa foi a premiação da minissérie francesa Carlos (sobre o Chacal, que passou como um filme de seis horas no último Festival do Rio). No mais, foi um pouco monótono aturar as piadinhas de Ricky Gervais, que parece achar que fazer humor e ofender os convidados é a mesma coisa. O único momento realmente divertido foi quando ele anunciou o sempre carrancudo Bruce Willis como “o pai do Ashton Kutcher”.

A equipe de Boardwalk Empire, com o também premiado Steve Buscemi à direita

Pessoalmente, um Globo que eu adoraria ter visto acontecer e não rolou foi o de melhor atriz coadjuvante para Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei). Com todo respeito à ganhadora Melissa Leo (que com certeza também dá show em O Vencedor), Helena está em sua sexta indicação e, para mim, é uma das atrizes mais maravilhosas da atualidade. Mais ou menos a situação que vivia Kate Winslet antes de seu Oscar por O Leitor e na qual se encontra também Johnny Depp (embora esse ano ele não merecesse ganhar mesmo). Por outro lado, só o fato de Halle Berry e Jeremy Renner não ganharem já me deixa feliz.

Confiram abaixo todos os vencedores:

Cinema:

Filme (drama) – A Rede Social
Filme (musical/comédia) – Minhas Mães e Meu Pai
Direção – David Fincher (A Rede Social)
Roteiro – Aaron Sorkin (A Rede Social)
Ator (drama) – Colin Firth (O Discurso do Rei)
Ator (musical/comédia) – Paul Giamatti (A Minha Versão do Amor)
Atriz (drama) – Natalie Portman (Cisne Negro)
Atriz (musical/comédia) – Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai)
Ator Coadjuvante – Christian Bale (O Vencedor)
Atriz Coadjuvante – Melissa Leo (O Vencedor)
Filme de Animação – Toy Story 3
Trilha Sonora – Trent Reznor e Atticus Ross (A Rede Social)
Canção – You Haven’t Seen the Last of Me (Burlesque)
Filme Estrangeiro – Em um Mundo Melhor (Dinamarca)

TV:

Série (drama) – Boardwalk Empire
Série (musical/comédia) – Glee
Minissérie ou Filme feito para TV - Carlos
Ator em Minissérie ou Filme feito para TV – Al Pacino (You Don’t Know Jack)
Atriz em Minissérie ou Filme feito para TV – Claire Danes (Temple Grandin)
Ator em Série (drama) – Steve Buscemi (Boardwalk Empire)
Ator em Série (musical/comédia) – Jim Parsons (The Big Bang Theory)
Atriz em Série (drama) – Katey Sagal (Sons of Anarchy)
Atriz em Série (comédia/musical) – Laura Linney (The Big C)
Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme feito para TV – Chris Colfer (Glee)
Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme feito para TV – Jane Lynch (Glee)

A equipe de A Rede Social comemora as quatro estatuetas

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Foods & Drinks


Ainda dentro da seção "minha semana em Londres" (se é que vocês ainda aguentam ouvir falar dessa viagem), vale mencionar algo que talvez seja o único ponto fraco de uma cidade que de resto é maravilhosa: a tradicional comida inglesa. Digo tradicional porque, felizmente, Londres é coalhada de bons restaurantes italianos. Mas a culinária inglesa ortodoxa é meio esquisita. Por todos os deuses, como eles gostam de batata! É uma obsessão que eu comecei a reparar já no avião, voando pela British Airways. O jantar consistia de carne, batatas coradas, purê de batata e, para acompanhar... pão de batata!

O café é fraquinho, muito fraquinho, talvez pelo gosto deles pelo chá. E eles também gostam de um pré-almoço no café da manhã. Além dos tradicionais ovos com bacon, também tem salsicha, uma coisa preta e redonda que eu não identifiquei até agora e uma espécie de pasta com cogumelos. Não que eu tenha comido nada disso, porque o hotel oferecia os itens mais tradicionais, mas eu pude reparar que os hóspedes britânicos caíam dentro desse setor com muita voracidade.

Para não dizer que a culinária britânica não manda bem em algo, os doces são fantásticos. Torteletes de maçã com canela, de chocolate com pimenta, folheados de marzipã, waffles, tudo muito delicioso.

Mas é como eu disse, viva aos muitos restaurantes italianos espalhados por toda a cidade. Tem uma rede chamada Bella Italia que você encontra em quase toda esquina. Lá se pode comer uma ótima pizza de massa fina crocante e saborear um excelente vinho italiano (mais baratos que os chilenos e argentinos por lá) por um preço bem razoável. E os 10% são opcionais, eles trazem a conta e uma caneta e você preenche na notinha se quer e quanto quer dar de gorjeta.

Uma curiosidade: para os ingleses, a pizza margherita é a de mussarela, ou seja, não tem as rodelas de tomate e folhinhas de manjericão que a caracterizam no mundo inteiro.

E, por fim, as cervejas. Os milhares de pubs tem uma variedade de marcas e sabores que eu nunca vi antes, mas eles definitivamente não sabem o que é uma cerveja estupidamente gelada. A cerva é, no máximo, fresquinha. Tentei uma Guiness num pub, tentei uma irlandesa vermelha no outro, e acabou por aí minha aventura com as cervejas. O pior é que eram realmente de qualidade, cremosas, mas naquela temperatura não dava para degustar. Consegui tomar uma loura gelada de garrafa, a italiana Peroni (e isso foi em outro restaurante italiano, claro). Das torneirinhas dos pubs, não rolou. Só para tirar foto mesmo.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Morte e Vida de Charlie


Charlie St. Cloud é um jovem de grande potencial: admirado por todos no colégio, velejador campeão e futuro aluno da prestigiada Universidade de Stanford graças a uma bolsa obtida com muito custo e mérito, Charlie está prestes a deixar a pequena cidade onde vive em busca de um belo futuro. Mas tudo muda quando ele perde o irmão menor, Sam, em um acidente automobilístico. Charlie, que conduzia o carro, reluta em aceitar a ausência do irmão e começa a vê-lo diariamente. Por conta de uma promessa feita pouco antes do acidente, Charlie deixa sua vida de lado e arruma um emprego de zelador no cemitério para poder continuar convivendo com Sam. Mas até quando ele poderá manter a própria vida em suspenso?

Embora tenha um roteiro razoavelmente fluente, a trama de A Morte e Vida de Charlie não chega a ser original. O filme todo lembra uma colcha de retalhos feita a partir de várias outras histórias dentro da temática I see dead people. Também é um pouco aborrecido o modo como o roteiro pesa a mão na dramaticidade, praticamente eliminando qualquer resquício de humor do filme. Tudo é excessivamente solene e cheio de mensagens edificantes em A Morte e Vida de Charlie; todos os personagens são muito corretos e sérios em suas atitudes, enfim, falta algo que realmente bagunce a estrutura. É como se o filme como um todo sofresse da mesma apatia que o protagonista passa a sentir depois da morte do irmão. Estranho também que a mãe amorosa vivida por Kim Basinger simplesmente desapareça da trama e deixe o único filho que lhe restou entregue à própria sorte.

Assim é o filme: embora não cometa nenhum grande pecado em sua concepção geral, é cheio de pequenos nós e incongruências que, ao longo da projeção, tornam o conjunto pouco consistente e até mesmo um pouco entediante. Sem contar que o detalhe que o diretor aparentemente pretendia que fosse o grande ponto de virada na história é meio previsível depois de algum tempo. E, mais uma vez, trata-se de uma surpresa já usada de modo mais interessante em outro filme da mesma temática – infelizmente, citar o filme ao qual me refiro seria um tremendo spoiler.


O bonitinho Zac Efron vem tentando provar que seu talento pode ir além do sucesso teen High School Musical. O rapaz até se saiu bem em trabalhos leves como Hairspray e 17 Outra Vez, mas dessa vez faltou experiência para dar estofo e complexidade a um personagem adulto. Efron não é desastroso, mas dá pouca densidade a Charlie, que passa por transformações muito profundas e, no final das contas, o espectador o conhece mais pela visão que os outros personagens tem dele do que pelo talento do ator. Mas Zac ao menos tem carisma. Não se pode dizer o mesmo de Amanda Crew, seu insosso par romântico na tela.

A Morte e Vida de Charlie é um filme cheio de boas intenções e sentimentos, mas que não consegue ir além do óbvio. Pode ser recomendável, contudo, para as fãs incondicionais de Zac Efron, já que o rapaz aparece na tela em generosas porções o tempo todo. Sexta nos cinemas.

Wicked


A quantidade de musicais exibidos no chamado West End londrino só é comparável à Broadway. Tem desde clássicos como Grease e Os Miseráveis até novidades menos ortodoxas como Shrek, o Musical. Um amigo que esteve há pouco em Nova York tinha me falado maravilhas desse Wicked e, quando eu soube que a peça também estava em Londres, quis aproveitar minha estadia na cidade para vê-la. Em primeiro lugar, por ser um dos poucos musicais cuja trama ainda não foi adaptada para o cinema e nem trazida para os palcos brasileiros. Confesso, ainda, que fiquei atraída pela frase publicitária: “a história não contada sobre as bruxas de Oz”.

Chegando ao imponente Apollo Victoria Theatre, só o palco coberto já chama a atenção. Um mapa enorme cobre toda a sua extensão e, no alto, um gigantesco dragão de asas abertas parece pronto a voar sobre a plateia. Ao longo do espetáculo, o mapa dá lugar a todo tipo de cenário, desde uma sala de aula até a corte de maravilhas do Mágico de Oz. Cenários enormes e complexos entram e saem de cena com rapidez impressionante, enquanto o elenco canta e dança.

Mas falemos da trama. Baseado no livro de Gregory Maguire, Wicked pega como gancho a conhecida história do Mágico de Oz para fazer um retrocesso no tempo e investigar as origens de Elphaba, posteriormente conhecida como “a bruxa malvada do Oeste”. O que a teria levado a se tornar tão malvada (wicked)? Descobrimos que Elphaba e Glinda, a bruxa boa, foram amigas em uma escola de bruxaria (seria Hogwarts?) e que a jovem tímida sempre foi discriminada por sua coloração verde, mas, por outro lado, era protegida da diretora por seu talento inquestionável. Já Glinda era bonita e coquete, mas nem de longe tão talentosa quanto Elphaba.


Elphaba sempre almejou conhecer o poderoso Mágico de Oz e qual não foi sua decepção quando conseguiu realizar seu desejo e descobriu que o ídolo era, na verdade, um sujeito manipulador e um mago medíocre que se aproveitava de jovens como ela para fazer sua fama. Íntegra, Elphaba se recusa a participar da farsa e é perseguida, tornando-se, assim, a bruxa malvada do Oeste que foi derrotada por Dorothy. Já Glinda joga de acordo com as regras e consegue fama, sucesso e o amor do rapaz por quem ambas se apaixonaram. Ou não foi bem assim?

Rachel Tucker e Louise Dearman são as atrizes que atualmente interpretam Elphaba e Glinda e podemos dizer que as duas são a alma do espetáculo. Numa rara produção onde as protagonistas são duas mulheres, as moças são ótimas cantoras e atrizes, criando sempre um contraste equilibrado e interessante entre as personalidades dessas duas amigas tão improváveis.


Cheio de metáforas profundas e inteligentes, o espetáculo encanta não apenas por sua excelência em termos artísticos, mas também pela tocante história. Por trás de toda cor, luzes, música e dança, há uma séria discussão sobre preconceito, imagem pública e sobre o quanto a opinião alheia acaba influenciando a percepção que uma pessoa tem de si própria. Muito interessante também é o pano de fundo escolar, quando os professores animais são proibidos de lecionar e é tirada deles a condição de “humanos”, trancando-os em gaiolas onde eles desaprendem a falar. Qualquer semelhança com a perseguição nazista aos judeus não é mera coincidência.

E tudo isso embalado por canções incríveis, diálogos irônicos e afiados, interpretações tão boas quanto as vozes (nem sempre isso acontece em musicais), cenários majestosos, figurinos impecáveis e efeitos especiais dignos do cinema hollywoodiano. Resumindo, Wicked é um musical para encher os olhos, acarinhar os ouvidos e alimentar o coração, uma raríssima combinação de espetáculo grandioso com conteúdo dramático de primeira classe. Uma das melhores coisas a que eu já assisti, de verdade.


Já existe um boato por aí de que Salma Hayek (que, para quem não sabe, é a produtora por trás do sucesso Ugly Betty) está correndo atrás dos direitos para transformar Wicked em uma minissérie de seis capítulos para a TV. Vamos torcer para que a ideia se concretize e para que o resultado seja digno do incrível espetáculo teatral que o inspirou.


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Scott Pilgrim Contra o Mundo


Demorei muito para assistir ao divertidíssimo Scott Pilgrim Contra o Mundo, mas finalmente consegui. Dos ingressos esgotadíssimos em sessões do Festival do Rio até a estreia somente em São Paulo no mês passado, tudo parecia indicar que somente depois, na prateleira da locadora, eu me encontraria com essa deliciosa odisséia nerd. Aliás, as prateleiras de locadoras já tinham sido o destino dos filmes anteriores do cineasta Edgar Wright. Mas eis que, quando tudo parecia perdido, o Estação Botafogo coloca o filme em uma de suas salas.

Scott Pilgrim já passou da adolescência, abandonou a escola e toca guitarra em uma banda de rock que ele mesmo considera “não muito boa”. Tem uma namoradinha menor de idade, leva esporro da irmã mais velha a toda hora e não tem exatamente um objetivo na vida. Mas tudo muda quando ele cai de amores pela descolada Ramona Flowers, uma entregadora de Amazon que é obviamente muita areia para seu caminhãozinho. Estranhamente, Ramona dá uma chance ao rapaz. Mas logo ele descobre que, para ficar com a mocinha, terá que enfrentar uma “liga de sete ex-namorados do mal”. Ex-namorados do mal? Um absurdo, não? É, mas é justamente esse despudor em mergulhar no nonsense que constitui o grande charme do filme.

Com uma linguagem pop, alucinada e altamente referencial, o filme é todo pensado como um videogame. A cada objetivo superado, o protagonista pula de fase. O prêmio final? O coração da garota. E, para isso, o franzino Scott quica, chuta, soca, quase voa pelos ares, vitaminado com os poderes que só um herói de videogame possui. Ganhando pontos extras, aumentando o escore, passando para uma nova fase. É preciso que o espectador entre na brincadeira do videogame, caso contrário periga achar tudo uma palhaçada.


Michael Cera, o supernerd de plantão, encarna Scott Pilgrim com aquele mesmo jeito desengonçado que já era cativante em Juno e um corte de cabelo ainda mais esquisito. A Ramona de Mary Elizabeth Winstead lembra a Clementine de Brilho Eterno de uma mente sem Lembranças não apenas pela mania de trocar constantemente as cores exóticas dos cabelos, mas também pela instabilidade emocional que acaba por transformar ambas as personagens em bad girls involuntárias. Divertido também é Kieran Culkin como o colega de quarto gay de Scott, que vive entregando as besteiras do amigo para a irmã mais velha.

Claro que a brincadeira poderia cansar se o filme se estendesse além da conta, mas a aventura é na medida certa. Com uma edição esperta e uma linguagem visual pra lá de ousada, Scott Pilgrim Contra o Mundo é um sopro de novidade e transgressão no nem sempre criativo cinema americano independente. Vale muito a pena conferir.

Famosos de cera e cinema em 4D


Ir a Londres e não conhecer o famoso museu de cera Madame Tussauds é imperdoável. O problema são as filas quilométricas desde o horário de abertura (9 da manhã). E nem mesmo o ingresso salgadíssimo de 28 libras parece desanimar as hordas de turistas que lotam o lugar diariamente. Pre-agendar pela internet é uma opção, mas aí a pessoa tem que marcar dia e hora. Mais prático mesmo é comprar o ingresso numa das lojinhas especializadas em ingressos que existem espalhadas pelo centro da cidade: você compra com desconto, evita a fila e pode ir no horário que quiser - embora seja sempre melhor ir logo na primeira hora para não ter que disputar lugar perto das estátuas mais concorridas quando chegar lá dentro. 

Falar da perfeição de traços e expressão facial das personalidades retratadas é chover no molhado. O diferencial é que, além das estátuas em si, existe um contexto, um cenário onde você pode se inserir para a foto. A estátua de Barack Obama, por exemplo, está numa réplica do salão da Casa Branca, com direito a mesa, telefone e janelas com um falso jardim por trás. Já Audrey Hepburn está vestida de Holly Golightly e sentada à mesa de um restaurante chique, e lá fui eu me fazer de "miga" da diva.


O museu tem outras atrações além das estátuas de celebridades, como a câmara do terror. O clima começa com paredes de pedra e iluminação difusa. A primeira personalidade a recepcioná-lo é uma impressionante estátua de Vlad Drácula (ele mesmo, o empalador) segurando uma estaca sangrenta. O passeio segue com cenas horripilantes até chegar numa parte em que alguns atores misturam-se aos bonecos de cera e você só sabe quem é quem quando eles se mexem e começam a correr atrás de você. Um barato. Aliás, sobre a estátua de Vlad, foi divertido ver o olhar de espanto e indagação no rosto das pessoas quando eu me animei toda para fotografar ao lado do homem. Alguns pareciam não saber de quem se tratava, e muito menos porque alguém queria tanto fotografar aquele cara assustador.


Outra novidade que o Madame Tussauds está oferecendo no momento (e bota novidade nisso!) é a experiência de cinema em 4D. Logo que ouvi falar no assunto, pensei "como assim, 4D?". Bom, essa quarta dimensão é a das sensações físicas. A coisa toda é ainda bem experimental, tanto que o filme dura menos de 10 minutos. Com os cumprimentos (e, provavelmente, o apoio financeiro) da Marvel, o espectador vê um filme com os heróis e é afetado por algumas coisas que rolam na tela. Por exemplo: quando o Hulk cai dentro de um chafariz, espirra água na gente; quando o Homem-Aranha lança uma teia, passa um ventinho; quando alguém leva um soco, a cadeira cutuca o espectador; e por aí vai. A ideia é tão espertinha que quando bichos asquerosos e cacos de vidro voam na nossa direção, a plateia toda se encolhe. Embora saibamos racionalmente que o cinema não jogaria vidro da nossa cara, a reação física é imediata. Genial mesmo.

Atores e atrizes indicados ao SAG


No que diz respeito à premiação de atores, o Screen Actors Guild Awards - ou SAG's - é um termômetro mais acertado do que os Golden Globes que serão entregues neste domingo. Isso porque trata-se da premiação do sindicato dos atores, onde os votantes das categorias são praticamente os mesmos do Oscar, enquanto o Golden Globe, apesar de seu glamour, é tão-somente uma premiação concedida pela imprensa.

Vale lembrar que a categoria melhor elenco é o equivalente deles a melhor filme, disfarçada dessa forma porque o sindicato só estaria apto a julgar o trabalho dos atores.

Confiram os indicados ao SAG:

Melhor Elenco
Cisne Negro
O Vencedor
Minhas Mães e Meu Pai
O Discurso do Rei
A Rede Social

Melhor Ator
Jeff Bridges (Bravura Indômita)
Robert Duvall (Get Low)
Jesse Eisenberg (A Rede Social)
Colin Firth (O Discurso do Rei)
James Franco (127 Horas)

Melhor Atriz
Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai)
Nicole Kidman (Rabbit Hole)
Jennifer Lawrence (Inverno da Alma)
Natalie Portman (Cisne Negro)
Hilary Swank (Conviction)

Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale (O Vencedor)
John Hawkes (Inverno da Alma)
Jeremy Renner (Atração Perigosa)
Mark Ruffalo (Minhas Mães e Meu Pai)
Geoffrey Rush (O Discurso do Rei)

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams (O Vencedor)
Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei)
Mila Kunis (Cisne Negro)
Melissa Leo (O Vencedor)
Hailee Steinfeld (Bravura Indômita)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Começando 2011


Depois de breves férias, é chegada a hora de retomar as atividades. E, assim como no ano passado, começo 2011 falando um pouco de viagem. O destino dessa vez foi Londres, uma cidade apaixonante não apenas por seu peso cultural e histórico, mas também por sua extrema funcionalidade e eficiência.

A boa impressão começa já no Heathrow Airport, enorme e muito bem sinalizado (ao contrário do parisiense Charles de Gaulle, que me irritou por uma vida inteira nos poucos minutos em que precisei fazer conexão ano passado). O metrô londrino também dá show de eficiência, com suas treze diferentes linhas e conexões diversas que vão desde os três aeroportos londrinos até as muitas estações rodoviárias e ferroviárias. Fazendo as conexões certas, é possível chegar em qualquer lugar da cidade. E, mais uma vez, a boa sinalização faz com que você transite lá dentro sem precisar pedir informação a ninguém. Basta ler as placas e seguir as setas. Uma grande metrópole sem engarrafamentos e com transporte público sempre vazio parece utopia? Em Londres é realidade.

O britânico em geral não tem nada daquela frieza que costuma ser associada a ele. Claro que trata-se de um povo reservado, muito na sua, mas também extremamente cordial e gentil. Logo no primeiro dia, ao sair do metrô vinda do aeroporto, uma senhora a quem pedi informações saiu de seu caminho para me ajudar a encontrar a rua do hotel. E todos com quem lidei em uma semana de estadia foram sempre muito cordiais, atenciosos, fazendo sempre questão de dar qualquer informação com muitos detalhes.

Em breve escreverei mais, sobre os pontos turísticos, gastronomia, curiosidades e otras cositas más.